A23 Online

Revolução e fado: Os Sons da República.

Texto de Orlando Leite – Entre 1870 e 1920, o Canto do Fado foi a “canção de intervenção” ao serviço do ideário revolucionário que se haveria de propagar as ideias republicanas a cantar a República e desiludir-se com ela. Um conjunto de operários de Lisboa, e região envolvente, muitos deles ligados à indústria tipográfica e à Voz do Operário, vão agarrar num canto de improviso, o canto do Fado e vão fazer dele o seu canto catequético em Lisboa, no resto do País, Continente e Ilhas, e inclusive fora de Portugal. Vão não só mudar-lhe a melodia, como vão intervir poeticamente nos textos, recorrendo à décima e complexificando-a a um nível sem paralelo, quer em Portugal quer internacionalmente.
Os chamados Fados Socialistas vão ser de grande importância para a propagação do ideal revolucionário. Estes operários perceberam que através dos fados poderiam comunicar com vastas camadas iletradas e passar-lhes não só o ideário como aumentar a sua cultura dando-lhes a conhecer autores de grande relevo, principalmente franceses e russos. Muitos destes propagadores do Canto do fado e da Revolução vão fazer missões pelas províncias lusitanas, do Sul ao Norte, espalhando os novos ideais pelas comunidades rurais. No Alentejo, a marca será fortíssima, indo influenciar todo o canto de improviso e moldar o Canto Coral, este muito devedor da grande discussão sobre o que é que o povo deve cantar: música coral ou Canto do Fado.
A par deste movimento, os operários vão iniciar todo um trabalho de imprensa, e associadas ao Canto do Fado, entre 1910 e 1929, vão surgir cerca de duas dezenas de títulos de jornais dedicados ao Fado e à Revolução. Mas este movimento em torno de uma canção operária e de um ideal revolucionário não acontece só em Portugal. Na altura, o mesmo está a acontecer em Espanha e em toda a América Latina, tendo em comum um mesmo texto, a décima; uma mesma forma, o improviso e um ideário libertário e revolucionário.
A proposta de “Sons da República” é contar esta história, evocando as grandes figuras destes revolucionários cantadores, entre os quais se conta Avelino de Sousa ou Carlos Retes, este último fundador do primeiro jornal de fado, nascido poucos meses antes da República.
Este estudo reproduz-se numa colecção de cinco CD’s com gravações da época e fados que ainda hoje estão na memória de poetas populares e amantes do fado, provenientes do catálogo da Tradisom e de um arquivo recentemente descoberto pela Tradisom.
Para dar execução a este projecto, a investigação esteve a cargo do Dr. Paulo Lima (actualmente Coordenador do Programa de Salvaguarda do Património Imaterial do Alentejo e responsável pela criação da base de dados da candidatura do fado a Património Imaterial da Humanidade e autor do livro “O Fado Operário no Alentejo), a Tradisom contou com a colaboração do Dr. Ricon Peres, que disponibilizou o seu riquíssimo arquivo pessoal de imagens e iconografia da República.

1 CD.
1900 – 1930
A construção da paisagem sonora portuguesa
Este CD apresenta a diversidade de sons que preenchem os primeiros 30 anos da constituição da paisagem sonora portuguesa: discursos, bandas, música folclórica, ópera, fado… Ou seja a emergência e estabilização de uma paisagem sonora portuguesa. Dos primeiros sons à profissionalização de artistas.
2 CD.
1900–‐1910
Primeiros fados e fados socialistas
O segundo CD apresenta a primeira década de fado gravado, confrontando estes Sons com a memória fixada no Objecto Impresso.
3 CD.
1900–‐1914
O Fado e a República
O terceiro CD apresenta fados republicanos e discursos, assim como outros sons que fundamentam os discursos veiculados pelo fado.
4 CD.
1914–‐1920
O Fado e a Grande Guerra
O fado foi a única warsong portuguesa, que emerge como canto de pacifista durante a participação portuguesa na I Grande Guerra. Será construído um confronto com os cadernos deixados por soldados do CEP.
5 CD.
1920–‐1930
A profissionalização do fado
A década de vinte do Século XX assistirá ao confronto entre cantadores de fado que defendem a profissionalização e que defendem a continuidade do fado como canção educativa e revolucionária. A emergência do Estado Novo dará um forte contributo à estabilidade dos primeiros, remetendo os segundos para uma marginalização social e política.
A EDITAR EM OUTUBRO
Orlando Leite

Documentários, blockbusters e tecnologia. Para onde caminha o cinema?


Texto de Orlando Leite – O cinema há muito que deixou de ser apenas o iugar dos sonhos e das fantasias, das histórias cor-de-rosa com final feliz, há muito que deixou de ser apenas o lugar da ficção. Se é certo que é esse cinema que ainda faz movimentar milhões de pessoas rumo às salas de cinemas, buscando outros mundos e outras realidades nas quais se possam perder e sonhar, a verdade é que hoje em dia o documentário, enquanto obra cinematográfica, passou a disputar as atenções do público, festivais e crítica. Provavelmente porque todos vão sentido que é tempo de o cinema, tido como obra de arte, reflectir e espalhar o mundo à sua/nossa volta tal como ele é. E é-o, muitas vezes, duro e cruel. Mas o cinema é, é-o cada vez mais, uma câmara de ecos fortíssima e enquanto tal não pode menosprezar as grandes questões do nosso tempo, enredando-se somente na plasmagem à tela de grandes clássicos de amor, dos épicos, ou de ficções mais ou menos fantasiosas, futuristas ou experimentalistas.
É neste contexto que contesto o cinema sem actores, substituídos por imagens virtuais gerados em computadores, sem a animação artística criada por artistas, substituída pelo 2 e 3 D. Sei que a arte digital tem como objectivo dar vida virtual as coisas e mostrar que a arte não é feita só a mão. Mas não sei se um computador revelaria o génio humano contido, por exemplo, num quadro de Edward Hopper.
Orlando Leite

Covilhã: Autoridade das Condições de Trabalho deteta irregularidades na associação académica

Uma inspeção da Autoridade das Condições de Trabalho (ACT) detetou irregularidades na Associação Académica da Universidade da Beira Interior (AAUBI) que pode vir a pagar multas da ordem dos 20 mil euros, adiantou fonte da AAUBI à Lusa.Na sequência das irregularidades detetadas, a comissão administrativa que dirige a instituição decidiu suspender o gestor profissional da academia.“Vamos abrir um processo disciplinar para apurar as responsabilidades e entretanto nomear um novo gestor, por forma a que, em setembro, o funcionamento da AAUBI possa regressar ao normal”, disse Rui Garcia, da comissão administrativa, à Lusa. (more…)

Intrigas cinéfilas: E no fim é tudo um gag…

Por Ricardo Paulouro Exclamações, provocações, insinuações, prevaricações e o fino humor de realizadores e actores de cinema. Sobre eles, os filmes, o sexo, o álcool e essa grande comédia que é a vida. Porque no fim é tudo um gag… (more…)

A luz proíbida do ecrã

Texto-Miguel Ángel Barroso Com o primeiro beijo filmado pelo inventor do fonógrafo e da lâmpada, Thomas A. Edison, nasceu o erotismo no cinema. Porque, convenhamos, o que era o cinema naquele ano de 1895? Apenas película de celulóide que trazia magia à realidade e dava movimento a uma fotografia. Daí para os sentimentalismo havia um passo muito curto e previsível. Possivelmente, o astuto comerciante que era Edison nunca pensou nas suas possibilidades eróticas. Mas o seu filme, The Kiss, com um minuto de duração, causou um tremendo escândalo ao gravar os seus dois actores, já de idade madura, a dar três beijos (dois na bochecha e um no canto da boca), colocando em pé de guerra os defensores da moral – entre os quais constava a revista The Chap Book, a qual denuncia claramente a liberdade de expressão, ao escrever este artigo: “os empresários de espectáculos estão dispostos a eclipsar tudo o que foi visto até agora, por detrás de material de mau gosto. Numa obra recente vocês recordam o beijo que trocaram uma tal May Irwin e John C. Rice. Nenhum dos intérpretes era particularmente atractivo e o espectáculo entre um e outro tornou-se insuportável. Com o tamanho natural já era algo anormal, mas não era nada comparado com o efeito produzido por este acto aumentado a proporções gigantescas e repetido três vezes consecutivas. O resultado é absolutamente repulsivo. Todo o encanto da menina Irwin se desvanece, convertendo a sua arte em algo indecente e de uma vulgaridade prodigiosa. Tais feitos exigem a intervenção das autoridades policiais”. (more…)

Castelo Branco está em alerta amarelo por causa do calor

Fotografia de Ricardo Paulouro

Os distritos de Braga e Castelo Branco vão estar amanhã em alerta amarelo da Direção Geral da Saúde (DGS), o segundo mais grave, devido às temperaturas elevadas.Segundo a DGS, aos restantes distritos de Portugal Continental foi atribuida a cor verde, a mais baixa numa escala de três níveis de alerta, na qual o vermelho é o mais elevado. O alerta amarelo aplica-se a casos em que as temperaturas elevadas podem provocar efeitos na saúde, enquanto o verde traduz «temperaturas normais para a época do ano». O vermelho diz respeito a «temperaturas muito elevadas« que podem trazer «graves» problemas para a saúde.

Belmonte: população cercada pelo fogo em pânico

Pelo segundo ano consecutivo, José Gonçalves teve o fogo perto de casa, entre o Sabugal e Belmonte, mas desta vez em pânico: foi obrigado a evacuar a habitação e a lutar para que as chamas não queimassem mais que a horta.

“Não percebo: por mais incêndios que haja andamos sempre com o coração nas mãos”, desabafou à Agência Lusa, em Maçainhas, Belmonte, à porta da casa cercada de terrenos ainda esfumaçar.

Um incêndio florestal destruiu mato e pinhal desde as 22:00 de segunda feira com as chamas a nascerem no concelho do Sabugal e a avançarem para Belmonte, onde o fogo foi dominado às 10:30, passando a fase de rescaldo, segundo fonte dos CDOS de Castelo Branco.

O fogo lavrou em parte dos terrenos que já tinham ardido no maior incêndio de Portugal e da Europa de 2009, com 10 milhões de euros de prejuízos e que afetou o concelho do Sabugal. Esta noite, as chamas queimaram ainda diversas áreas adjacentes.

De acordo com a proteção civil dos distritos da Guarda e Castelo Branco, desta vez não há registo de prejuízos como em 2009, mas houve dezenas de pessoas cercadas pelo fogo em Maçainhas.

“Estivemos aqui a noite toda a molhar os telhados e tudo à volta”, descreveu à Agência Lusa, Maria Pacheco, de 67 anos, que viu as férias em casa da filha transformadas numa luta pela sobrevivência.

Às 00:20 a família foi acordada por um vizinha que os alertou para a proximidade do fogo. “Acordei e em segundos já estava a arder o pinhal junto à casa. Entrei em pânico”, relatou.

A filha Elisabete Pacheco, de 39 anos, levou a neta de cinco anos e os dois carros para a aldeia, mais afastada das chamas e junto à autoestrada A23, enquanto a mãe e o marido protegeram a casa.

“Já o ano passado andei a apagar o fogo por esta altura”, referiu, numa alusão ao fogo do Sabugal que destruiu 12 mil hectares de mato, floresta e terrenos agrícolas. “Andamos sempre com o coração nas mãos”, lamentou.

A poucos metros, Ilda Rosa e o marido José Marques levaram mangueiras durante a noite para junto de um pavilhão onde um familiar guarda animais e ao qual se encostaram as chamas.

“Depois de conseguirmos tirar para camiões, estávamos nós cercados pelas chamas. Os bombeiros disseram-nos para esperar até chegarem mais carros de combate”, contou Ilda Rosa, que esteve no local, junto ao apeadeiro de caminho de ferro de Maçainhas, entre as 22:00 e as 05:00 da madrugada.

Naquela zona há telefone fixos que não funcionam, uma vez que o fogo destruiu alguns postes de telecomunicações, assim como arderam algumas das travessas do troço da linha de ferro da Beira Baixa, que está desativada para obras entre a Covilhã e a Guarda.

O fogo provocou sustos no concelho de Belmonte, mas lavrou sobretudo em terrenos do Sabugal.

Segundo António Robalo, presidente da Câmara do Sabugal, o incêndio “não teve prejuízos avultados, ocorreu sobretudo numa zona inóspita e, segundo consta, teve origem numa deficiência numa linha elétrica. Não é algo usual, nem tão pouco algo que se controle”, realçou.

O autarca garantiu que “está a ser feito tudo o que humanamente possível para tratar da floresta e evitar incêndios no concelho”, nomeadamente depois do incêndio do ano passado, seja ao nível da prevenção como de vigilância.

Portugal está hoje em risco máximo de incêndio

O Instituto de Meteorologia (IM) colocou, este domingo, vários concelhos do Norte e Centro de Portugal Continental em alerta máximo para o risco de incêndio.Entre os distritos visados estão: Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real, Bragança, Viseu, Guarda, Coimbra, Santarém, Castelo Branco, Portalegre e Faro. Em risco muito elevado de incêndio, o nível imediatamente abaixo, estão os distritos de Coimbra, Leiria, Santarém, alguns concelhos de Castelo Branco e Portalegre, Setúbal, Faro, Beja e Lisboa. As temperaturas elevadas não deverão dar tréguas. Para este domingo, Évora e Beja deverão chegar aos 40 graus de máxima. Lisboa vai contar com 40 graus.

BE preocupado com Parque Natural do Tejo Internacional

A deputada Rita Calvário (BE) questionou o Governo sobre a existência de apenas um vigilante Parque Natural do Tejo Internacional, situação que coloca em risco a protecção dos valores naturais, paisagísticos, patrimoniais e culturais existentes no Parque. (more…)

PS pede a Sócrates que não introduza portagens na A23

O pedido aconteceu durante a cerimónia oficial de inauguração da central mini-hídrica de electricidade do Meimão, no concelho de Penamacor, no qual José Sócrates marcou presença. O presidente da Câmara de Penamacor (PS), Domingos Torrão, pediu esta quarta-feira ao primeiro-ministro José Sócrates para não introduzir portagens na auto-estrada da Beira Interior (A23). (more…)

THE PORTFOLIO PROJECT

Plataforma educativa na área da fotografia, coordenada por Susana Paiva, que funciona como um espaço de partilha e crescimento individual na área da fotografia. Articulando dois interfaces absolutamente autónomos, o Portfolio Project constitui-se com um espaço singular no panorama da fotografia portuguesa, reunindo numa mesma plataforma online três conceitos base – a de uma publicação sobre fotografia, a de um espaço de formação contínua à distância orientado por profissionais e a de um portal associativo onde se divulgam fotografias desenvolvidas no âmbito de projectos individuais ou colectivos.

SUBMISSÕES TPP

Aberto à candidatura espontânea de todos os fotógrafos amadores ou profissionais que queiram participar nos seus projectos ou actividades colectivas, o TPP encontra-se também disponível para a apreciação crítica de portfolios de fotógrafos que desejem publicar o seu trabalho na secção "multimédia" da A.23ONLINE. Para mais informações sobre a adesão à plataforma THE PORTFOLIO PROJECT ou sobre as normas de submissão de trabalhos para publicação por favor contactar através do email: a23@theportfolioproject.org. Para mais informações consulte: www.theportfolioproject.org

PRÓXIMO TPP | José Carlos Marques

A23 (c) 2009