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UIVEMOS IRMÃOS

Soube-se pelo facebook que morreu o Grande Cenoura da Silva um príncipe das ruas do Fundão. É um cão fundamental na história contemporânea do Fundão, merecia estátua e plaquinha toponímica. Como dos cães não reza a história, republicamos a reportagem completa do Cão em jeito de singela homenagem ao Cenoura da Silva, explicando que morreu um senhor cão do Fundão.Cenoura da Silva, cão vadio do Fundão é cão-repórter e leva-nos numa viagem pelo mundo cão. Ladrar à lua e abocanhar o melhor osso – manual de sobrevivência canino

Texto: Cenoura da Silva *

Fotografias: Margarida Dias

“Numa dessas vezes encontrei um cão. Era um cão que falava, como acontece às vezes. Até se podia dizer: era uma vez um cão que falava. Queres dizer-me alguma coisa?, perguntei-lhe. E ele disse: Desde quando os cães falam? Olá, pensei, este é um cão filósofo”

Nuno Júdice, “Uma história de cão”

Sou um cão e já estou no Facebook. Tenho 96 amigos na rede social da internet, o que para um simples cão de rua é obra, e mais sendo um cão do Fundão, é obra feita.

Mas convenhamos, não sou um cão qualquer. Aliás, o leitor neste momento já o saberá – os cães não falam, e portanto dificilmente podem escrever numa linguagem inteligível para os “duas patas” – é assim que nós os “quatro patas”, tratamos os nossos melhores amigos, mesmo quando esse amigos são mais traiçoeiros que um furão. Mas a isso já lá vamos.

Eu sou um cão instruído, e como ando na rua, não respondo à voz do dono, pela simples razão que sou cão sem dono. Foi por isso que recusei dar uma entrevista à revista A23 antes das eleições autárquicas. Sou um cão independente e sabendo que os jornalistas são uma espécie de cães a um osso, – ladram muito e mordem pouco, só respondem à voz do dono e adoram que lhes façam festas – propus ser eu próprio a contar a minha história, ou seja, uma vida de cão num mundo cão.

Vida de cão

Deixem apresentar-me – chamo-me Cenoura da Silva, nasci em 1900 e troca o passo, e como pode ver na minha página no Facebook, em termos de relacionamento amoroso estou numa fase complicada, mas enfim, quem não está?

Sou cão vadio, de rua, o que significa que não tenho ofício, sou um cão desempregado de longa duração. Não guardo quintas, nem vivendas de emigras, não guio cegos, não aviso surdos, não faço companhia de sala a viúvas de coronéis, nem arranho os sofás caros e o juízo de donos presunçosos, não brinco com crianças agarradiças, não levanto lebres para comezainas de caçadores, não dou piruetas de patinagem artística em concursos de ‘agility’ e quando alço a pata não é pose nem cortesia, é mesmo para fazer uma mija num qualquer estatuário pós-moderno da cidade.

Também não farejo drogas para a bófia, apesar de saber distinguir perfeitamente um haxixe bom de um marado, porque sempre fui um cão da noite e dos copos.

Sou um rafeiro de rua, vivo de expedientes, e levo já uns anos a virar frangos, que é forma de expressão, já que é raro ferrar dente num bom tutano, até porque os talhos estão em vias de extinção. Agora a carninha vem toda dos supermercados que ficam longe e com muita rotunda-armadilha pelo caminho.

Sou cão criado a restos beneméritos e a metades de tostas mistas do “Sopas e Migas”, o meu bar de estimação no Fundão até o Joaquim do Cine o trespassar e abalar para a Aldeia de Joanes, deixando-me a mim e a uma certa malta nova do Fundão sem eira nem beira. Mas lá está, eu já estou habituado.

Já tive dono, no tempo em que os ossos vinham com farripas de carne e a Manuela Ferreira Leite era senhora de meia-idade.

Se o fariseu por mim passasse ainda lhe apanhava o pivete, que esta minha narigueta nunca me engana – um cão tem duzentos e vinte milhões de receptores olfactivos, ao passo que o ser humano não possui mais de cinco milhões – o olfacto dos cães é por isso cinco vezes mais apurado do que o dos homens; é o olfacto e a lealdade.

Lembro-me do dia em que me largaram ao deus dará ali para as quintas da Aldeia de Joanes. Ainda era cachorro e fiquei à toa, perdido no mundo. É uma sensação assustadora, habituados a ter a paparoca à hora certa, festinhas no pêlo, brincadeiras com a canalhada, dormitar na cornija da lareira, e de repente zás, estás no olho da rua da amargura, no briol e na larica, és obrigado a virar latas e tens de te virar.

Mas isso foi há tanto tempo que já nem me lembro. Só tenho saudades do quentinho da lareira, com o borralho a crepitar, que dá cá uma lanzeira, uma sensação de segurança. Os invernos no Fundão são tramados para um cão de rua, é um frio de rachar e somos enxotados de todos os sítios que tenham porta e um aquecedor a gás.

Virar latas no Fundão

Um cão de rua tem muito em comum com um vagabundo. Os primeiros tempos são os mais difíceis. É preciso fazer a recruta da rua, aprender as manhas, aperfeiçoar a arte da pedincha, marcar o território. Felizmente tive uma boa escola, com uns cães rufias já calejados. Andávamos em matilha e era uma vida boa, sem preocupações. Havia um líder, o Zarolho, um rafeiro velho e escanzelado, mas que era levado de um corno para a porrada.

Tinha ficado sem um olho numa bulha com um lobo na Gardunha (quando os havia), e comandava as tropas na ronda pelos caixotes do lixo e pelos bons corações que nos davam o restinho do almoço.

Passávamos a nossa fomeca, especialmente nós os mais novos, porque os mais velhos tinham a boca bem grande e modos à mesa é coisa que não há na “Etiqueta e Protocolo” dos cães de rua. Fui crescendo entre as matilhas de cães vadios, abandonados pelos seus donos, ou vindos das quintas, dos pastores e dos caçadores; à procura de uma vida melhor na cidade.

Sempre houve muitos cães vadios no Fundão por causa da proximidade rural, mas hoje em dia já somos poucos…

Para sobreviver na rua é preciso mais do que fintar os carros para não acabarmos com as tripas de fora no alcatrão … ou pior. É preciso também ter esperteza e um pouco de sorte. A minha sorte foi ser “adoptado” pela Escola Secundária do Fundão e ter coleira. Os putos, os funcionários e alguns “profes” da escola elegeram-me como uma espécie de mascote, isso significa que apesar de não ter tecto, tenho centenas de donos.

Petisco o dia todo, uma batata frita aqui, uma metade de sandes de fiambre ali, os restinhos do refeitório acolá, e vou-me orientando. Mas a coleira é que me livra de muitas chatices, e não estou a falar de pulgas nem carraças.

Uma coleira é um salvo-conduto para um cão vadio. A troco de uma fivela na garganta ganhamos um disfarce que faz os oficiais SS do Canil Municipal hesitarem antes de nos deitarem o laço fatal.

No meu manual de sobrevivência de rua há quatro grandes perigos: 1º O canil; 2º A estrada, e quanto maior, pior; 3ºOs restaurantes chineses – pode ser mito urbano, mas quanto mais longe, melhor; 4ºA comida envenenada – há para aí muitos “duas patas” capazes de tudo, e por isso é preciso cuidado ao aceitar uma tachada de estranhos. “Quando a esmola é grande, o pobre desconfia”.

Ah, ainda não lhe tinha dito, gramo provérbios e poesia. A minha divisa, o meu lema de vida é: “Cão lírico ladra à lua, cão filósofo aboca o melhor osso”. Ora, nem mais.

O Raul Solnado mandou escrever no seu epitáfio – “Aqui jaz Raul Solnado, muito contra sua vontade”. Se os meus ossos forem parar a um cemitério de cães gostava que escrevessem lá “Aqui jaz Cenoura da Silva, que nunca ladrou à lua, e nunca recusou abocar o melhor osso.”

A lição de Mr. Bones

Um conselho que estou farto de dar aos jovens e estouvados cachorros de rua é: sejam discretos, evitem dar nas vistas. Ladrar que nem um desalmado, sobretudo à noite é pedir laço do canil ou fêvera com 501 Forte. Correrias atrás de ratazanas com asas (pombos) ou outros cães é um convite à biqueirada ou ao degredo, e brincadeiras, especialmente do género sexual, convêm ser feitas em ruelas mais esconsas e sem duas patas como mirones.

Mas, crime capital é mesmo ferrar a dentuça num duas patas. Fujam dos bêbados violentos, das bainhas das calças engomadas de políticos sanitários e falas mansas e das carícias ferozes das crianças mimadas; metam o rabinho entre as pernas e ala, porque se são apanhados, é espírito santo dos cães na certa!

Ir bater com os ossos no Canil Municipal do Fundão é o mesmo que para um judeu ir para Dachau. É extermínio na certa. Em linguagem funesta de Dr. Mengels camarários, o que lá se faz é “adormecer” os cães inúteis, doentes, velhos, ou nefandos para a sociedade dos duas patas. Vendo como os duas patas tratam os seus velhos, doentes e inúteis, não é para admirar que assim tratem os quatro patas.

Eu cá passo bem se essa soneca derradeira. Agora fizeram um “upgrade” ao Dachau canino, ou seja, abriram mais uma ala dos condenados à espera de adopção ou de injecção. Mas o Canil do Fundão, infelizmente, limita-se a ser igual a tantos outros espalhados pelo país. Agora querem até fazer canis inter-municipais, Auschwitzes megalómanos, centrais de compostagem de cães vadios. Deve ser o que em linguagem tecnocrática da morte se chama realizar economias de escala.

Engraçado que os municípios não se entendam em quase nada, a não ser em racharem a conta das seringas dos campos de extermínio de cães.

Ah, se os cães votassem, tudo seria bem diferente. Lá se acabava o velho mito do animal mais submisso, do melhor amigo do homem. Como propôs Willy, o vagabundo criado por Paul Auster no romance “Timbuktu”, se os quatro patas começassem a falar “em três meses os cães estariam a lutar pela sua independência. Haveria reuniões de delegados, começariam as negociações e, no fim de tudo, eles resolveriam a coisa renunciando ao Nebraska, ao Dakota do Sul e a metade do Kansas. Corriam com a população humana, deixavam os cães irem para esses territórios, e a partir desse momento o país ficaria dividido em dois. Os Estados Unidos dos Cães e a República Independente dos Cães”.

Este é definitivamente o meu romance preferido, a história do inesquecível Mr. Bones, o cão rafeiro, companheiro de Willy. O mundo visto pelos olhos de um cão, já se vê onde os tipos da A23 foram copiar a ideia para aqui o velho Cenoura botar faladura.

Mas enquanto os direitos dos animais em Portugal continuarem a ser tratados como uma coisa de excêntricos, ou de activistas anti-touradas, estamos bem aviados. Há dois tópicos que definitivamente não estão na agenda dos partidos políticos – direitos dos animais e corrupção.

Cães de rua dão má imagem às cidades, é preciso fazer “limpezas étnicas”, cíclicos “progroms” para manter a canzoada afastada da obra feita, das avenidas desertas de ideias, das esplanadas conspirativas e maledicentes, para nos manter longe da gente de bainhas impecáveis e punhos encardidos, que me merecem a mais profunda rosnadela de desprezo.

A minha experiência diz-me que quanto mais “exposto” e mais perto da Praça do Município um cão anda, mais fácil é desaparecer na calada da noite, sem deixar rasto. É por isso que eu bato outros territórios, do lado de baixo da Avenida da Liberdade, a única zona da cidade onde um cão pode andar de língua à banda e saracotear em liberdade …

Tenho muitos anos disto e sei do que falo. Conheço toda a gente do Fundão – os que me fazem festas, os que me dão de comer, os que não me ligam nenhuma (como é costume fazer aos cães velhos), e aqueles, poucos, a quem rosno baixinho, porque um cão com dignidade tem de saber manter as distâncias.

Um cão de rua tem de passar despercebido, não chatear, nem chamar a atenção. Ir vivendo na pedincha silenciosa, conquistar algumas afeições e manter-se longe dos perigos. Só assim chegamos a velhos. Velhos que entendam as palavras de Guerra Junqueiro, no seu poema “Fiel” – (…)“Na luz do seu olhar tão lânguido, tão doce/Havia o que quer que fosse/D`um íntimo desgosto/Era um cão ordinário, um pobre cão vadio/Que não tinha coleira e não pagava imposto/Acostumado ao vento e acostumado ao frio/Percorria de noite os bairros da miséria/À busca de um jantar”. (ler poema completo em www.a23online.com).

Perdidos…

Apesar de tudo, não me posso queixar da sorte. Criei uma situação e uma rotina de sobrevivência. Vou vivendo como Deus quer, mas há irmãos que não têm a mesma sorte. A União Zoófila calcula que haja um milhão de cães abandonados em Portugal, o que coloca o nosso país no topo da lista negra na Europa dos cidadãos.

Cida-cão, é que não. Um cão vadio é em regra uma história de abandono. Antes das férias e no fim das temporadas de caça, os números de cães abandonados crescem, como explica Sandra Cardoso da SOS Animal: “O Verão é a altura mais drástica no que toca ao abandono dos animais. As pessoas vêem os animais como coisas que compram aos filhos no Natal, mas esquecem-se que, meses depois, no Verão, eles vão estar maiores e desfazem-se deles”

Para abandonar um cão e lidar com o sentimento de culpa que isso acarreta, os duas patas inventam as desculpas mais esfarrapadas: “Agora vamos ter um bebé, e não o podemos ter”, “Vou mudar de casa, e as regras do condomínio não permitem ter animais”, “Vou trabalhar para fora”; “Eu adoro-o mas ele dá-me cabo da mobília e dos sofás, que foram caros”, “Aqui ele fica melhor tratado, porque não tenho espaço lá em casa”.

Esta é a lengalenga que todos os voluntários dos (poucos) centros de acolhimento vão escutando quando lhes entregam o canito com um ar meio envergonhado e contristado. São, basicamente, uns merdosos, não muito diferentes dos canalhas dos caçadores labregos que deixam os seus cães nas matas, dos sacripantas que abandonam os cães nas praias, nas estações de serviço das auto-estradas ou numa rua bem longe, para o cão não encontrar o caminho de volta.

Para esta gente, o sarcasmo de Churchill faz todo o sentido: “Gosto de porcos. Os cães olham-nos de baixo, os gatos de cima. Os porcos olham-nos de igual para igual”

Este flagelo à consciência colectiva atenua-se legislando, fiscalizando e punindo. A SOS Animal defende que o chip electrónico é uma maneira de responsabilizar e vincular os donos de cães, mas é preciso que o crime de abandono de animais seja punido com pesadas coimas, com o cuidado de ver se isso não promove mais canicídeos. Este é o país onde se atiram cães da Ponte 25 de Abril, onde a biqueirada no lombo e o veneno no prato são práticas comuns.

Um país que maltrata os seus animais de estimação é um país de merda. Uma pessoa que maltrata um cão é uma pessoa de merda. Mas, felizmente, para cada dez merdosos há uma boa pessoa. Para cada dez cães perdidos, há um achado. Venha daí conhecer alguns.

…E achados

Apresento-lhe o Salsicha, o cão da Ti Piedade, e as duas cadelas do Sr. Falcão. São cães de campo, andam aqui à solta numas quintarolas do sopé da Serra da Gardunha.

O Salsicha veio cachorro do canil e é feliz e despreocupado; as duas cadelas do Sr.Falcão foram abandonadas, é por isso que ninguém lhes sabe o nome.

São enormes, mas já velhotas e um pouco ensimesmadas. No seu olhar ausente há uma mágoa, um desvanecimento de velho. Não há nada mais triste e miserável do que ver um velho a chorar. E estes cães velhos têm lágrimas secas no seu olhar…

Viviam com a Ti Alexandrina e o marido, o Ganhão. Mas quando eles morreram, os cães ficaram sem donos e sem ganha-pão. Não foram abandonados no sentido literal do termo, limitaram-se a ficar sós no mundo.

Cães sem dono. Agora, andam por aí a vaguear migalha durante o dia, mas há noite voltam à velha casa em ruínas, como que a aguardar o regresso do Ganhão da lida da terra, ou do caldo da Ti Alexandrina.

Numa quinta no interior, os velhos vivem em solidão e os cães são companheiros e atenuantes para essa solidão. A Ti Piedade tem 83 anos e um coração maior que os seus lameiros, mas vive sozinha com o marido já empedernido e uma irmã doente, quase acamada, que respira através de um tubo de oxigénio. Octogenários por sua conta e risco.

Com o tempo, a Ti Piedade aceitou as cadelas que passam o tempo entre a sua quinta e a do vizinho, Sr. Manuel, que goza a sua reforma a tratar da latada e a buscar ração para os cães abandonados.

Para as cadelas do Sr. Falcão, esta solidariedade de gente simples, mas de bom coração, é mais do que um meio de sobrevivência, é também uma cumplicidade só possível entre os solitários. “Um cão sabe muito bem quando alguém precisa da sua companhia”, escrevia José Saramago, a propósito do “Achado”, o cão do oleiro Cipriano Algor em “A Caverna”.

A carrinha do lar da terceira idade de Castelo Novo vem todos os dias trazer o almoço, “e sobra sempre tanta comida”, confessa a Ti Piedade, por isso, mais pela tardinha, lá troteiam caminho acima as duas velhas cadelas, “já sabem que é a hora da sopa, gostam da canja do lar”, explica a Ti Piedade, “Gosto de as ter por aqui, a comida chega para todos, e elas dão sinal”.

Dar sinal, em linguagem de cão de guarda quer dizer “ladrar a estranhos”, mas isso é apenas uma justificação da Ti Piedade para partilhar a canja e os pastéis de bacalhau do lar com aquelas velhas cadelas, que ela sabe serem suas companheiras de infortúnio e velhice.

Mas, mesmo na velhice amarga há momentos de felicidade, tão curtos como intensos. É ver o ar feliz com que a Ti Piedade dá o seu passeio de fim-de-tarde para desentorpecer as artérias, agarrada à bengalinha com uma fila de cães e gatos atrás de si, como uma expedição de velhos comparsas ainda à descoberta de um mundo sempre novo na sombra da Gardunha.

Assistir a esta excursão quotidiana numa quinta da Beira Baixa aperta-nos o coração, mesmo um coração com carapaça como o deste vosso escriba, Cenoura da Silva.

Deixemos a Ti Piedade, as cadelas do Sr. Falcão, o Salsicha e a caterva de gatos no seu passeio rumo ao pôr-do-sol das nossas vidas. Vamos visitar um lar para a terceira idade, mas este é especial, é para cães…

Lar da 3ª idade para cães

Nós os cães, somos descendentes dos lobos cinzentos, mas fomos sendo domesticados e programados ao longo dos últimos cem mil anos para ser o melhor amigo do homem. Hoje há mais de 800 raças caninas, apuradas em função das suas qualidades, comportamento e fisionomia, e claro os rafeiros como eu.

Se formos de raça aristocrática temos melhores oportunidades na vida. Há pessoas que deixam a sua herança de milhões a um cão, há hotéis e iguarias para cães, centros de estética canina, SPA`s para cães, roupa e brinquedos para cães, há até uma Petairlines, uma companhia aérea especializada no transporte de cães. Há, enfim, cão rico e cão pobre.

É como em tudo, um sistema de castas. Há criadores de raças como o cão de água português, que se diz ser o cão da Casa Branca, que tratam os cães como atletas de luxo.

Há até concursos de canicultura, onde estes pobres baronetes de quatro patas são exibidos como símbolo da vaidade e snobismo dos seus “criadores”. Foge cão que te fazem barão! Sinceramente não duvido que os competidores em concursos de canicultura estimem os seus cães, duvido é que esse amor seja desinteressado e generoso, como acontece com alguém que adopta um cão velho no Lar da 3ª Idade de cães no Abrigo de São Lázaro-Parque de Bem-Estar Animal em Castelo Branco.

Este é o primeiro Santuário para cães abandonados em Portugal, fruto de uma pareceria entre a APAAE (Associação de Protecção e Apoio ao Animal Errante) e a Câmara Municipal de Castelo Branco. Funciona já há dez anos perto da cidade e olari, é um luxo, o sonho de qualquer quatro patas sem lar. Os cães andam em liberdade em grandes áreas vedadas e o complexo dispõe de vários equipamentos como: “Gabinete médico, zona de banhos e tosquias, zonas de quarentena, creche e lar de 3ª idade (para os mais idosos e fragilizados), enfermarias, duas cozinhas, um pequeno gatil, um hotel canino e uma pet shop.” Trata-se de um projecto inédito que contrasta com os campos de concentração e abate canino que são os canis municipais. Além de acolher animais abandonados, este complexo têm ainda protocolos com o Instituto de Reinserção Social, dando trabalho e novas oportunidades aos duas patas em dificuldades.

Esta associação produziu ainda o único estudo sobre animais abandonados no concelho de Castelo Branco, com dados recolhidos entre 1999 e 2005, que calculava uma média de 200 animais abandonados por ano só naquele concelho. Maria Rosário Almeida, responsável por aquela instituição explica que muitos cães são abandonados em áreas rurais ou próximos de quintas, “numa tentativa de aí serem adoptados, mas com a crescente desertificação do espaço rural há cada vez menos hipóteses desses cães encontrarem um novo lar.”

Resta-nos pois encontrar uma Ti Piedade com canja do lar, um abrigo como este de S. Lázaro, ou fazer como eu, Cenoura da Silva, cão vadio do Fundão – abocanhar o melhor osso, ou quando não há, ladrar baixinho à lua. Uivemos irmãos!

*Com Rui Pelejão Marques

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Exposição retrata a vida de Álvaro Cunhal no Fundão

O edifício cultural da Moagem, no Fundão, recebe de sexta-feira a 26 de maio a exposição “Álvaro Cunhal – vida, pensamento e luta: exemplo que se projeta na atualidade e no futuro”, com diversos painéis preenchidos com elementos biográficos do líder comunista.

A mostra que tem estado patente em diversos pontos do país é organizada pela Comissão das Comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal.

No Fundão, a exposição vai estar aberta de terça-feira a domingo, das 10:00 às 17:30, e a entrada será gratuita

“O Martim” no Teatro Clube de Alpedrinha

O Teatro Clube de Alpedrinha recebe, dia 25, 22:00,”O Martim”, oCaptura de ecrã 2013-05-15, às 10.19.05 músico vem ao Teatro Clube de Alpedrinha apresentar ao vivo o seu álbum de estreia.
.Este projecto nasce como confessionário-pop de Martim Torres, um jovem (contra) baixista com cartas dadas em paragens como as de B Fachada, Homens da Luta, e diversos projetos de Jazz. Muitos o conhecerão também como uma das metades da infame dupla “Maria Amélia”, presença habitual no programa 5 Para a Meia Noite. A realidade que “O Martim” toca e canta situa-se num eixo marginal entre Belém e a discoteca Lux de Santa Apolónia, fazendo escala no Cais Do Sodré durante largas horas. Canta-se a rua, o quarto, a casa de banho, o clube, a casa de banho do clube… Canta-se um lugar mas também um tempo, uma personagem, um Martim que se propõe a ser muitos ao mesmo tempo.

Concerto: Dia 25 de Maio de 2013 às 22h00
m
Auditório do Teatro Clube de Alpedrinha
Entradas: 5 Banhos-maria – Lotação Limitada!
Após o concerto, Dj-set
Bilhetes: pré-compra Teatro Clube de Alpedrinha
Contactos Bilheteira:
96 343 08 73/ 96 816 78 15 ou teatroclubedealpedrinha@gmail.com

Chromatics – CHERRY Lisboa Night + Day

The XX @ Night & Day Lisbon . Crystalised

O primeiro Night + Day, minifestival criado pelos The xx, encheu os Jardins da Torre de Belém, em Lisboa.

Jolon na Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade

Imagem111No próximo dia 9 de Maio, pelas 18:00, será apresentado na Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade, no Fundão, o livro “As estranhas e fantásticas histórias de Jolon” pela professora Antonieta Garcia.

“As Estranhas e Fantásticas Histórias de Jolon”, do jornalista e contador de estórias José Lopes Nunes, Volume I, é editado pela A23 EDIÇÕES e reúne uma antologia de textos publicados na imprensa regional.

São mais de 300 páginas de quase 40 anos de histórias recolhidas nas freguesias do concelho de Penamacor, mas também noutros concelhos da região: tradições, profissões em vias de extinção e histórias fantásticas de velhotes que povoam a paisagem humana da raia.

Rui Zink apresenta novo livro de Manuel da Silva Ramos

Imagem107O escritor covilhanense Manuel da Silva Ramos vai apresentar no dia 9 de Maio, quinta-feira, no Teatro Municipal da Covilhã, o seu último livro “ Pai, levanta-te, vem fazer-me um fato de canela! “. Esta obra, publicada pela A23 Edições, é uma comovente homenagem do autor ao pai, conhecido alfaiate do Refúgio, que morreu em 2005 vítima de doença neurodegenerativa. A sessão conta com a presença dos escritores Rui Zink e Fernando Paulouro Neves que apresentarão o livro, do médico João Casteleiro e de Paulo Rosa, vereador da Cultura da Câmara Municipal da Covilhã. O lançamento tem início às 21, h 30.

Quinta dos Termos recebe 2 medalhas de ouro e 1 medalha de prata

A Quinta dos Termos recebeu 2 medalhas de ouro e 1 medalha de prata no concurso Wine Masters Challenge 2013.
Estes prémios permitiram à Quinta dos Termos ficar classificada em 9º lugar no Ranking Mundial Top Wine Producer 2013.

Os vinhos distinguidos foram os seguintes:
-QT Tinto DOC Escolha O Deslize de Virgílio Loureiro 2009: Medalha de Ouro
-QT Tinto DOC Reserva do Patrão 2009: Medalha de Ouro
-QT Tinto DOC 2010: Medalha de Prata

[EN] It was with great pleasure that we saw Quinta dos Termos earn 2 gold medals and 1 silver medal, in the Wine Masters Challenge 2013.
These awards allowed Quinta dos Termos to rank 9th in the world ranking of Top Wine Producer 2013.

The distinguished wines were:
-QT Red DOC Escolha O Deslize de Virgílio Loureiro 2009: Gold Medal
-QT Red DOC Reserva do Patrão 2009: Gold Medal
-QT Red DOC 2010: Silver Medal

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Sónar – 20 anos na vanguarda da electrónica

Imagem106O 20º aniversário do Sónar – Festival Internacional de Música Avanzada e New Media Art de Barcelona será celebrado dias 13, 14 e 15 de junho de 2013.
Criado em 1994, o Sónar é um festival pioneiro e único no seu formato e conteúdo: uma referência internacional graças a uma cuidada oferta cultural que combina a diversão com o artístico, a vanguarda e o experimental com as novas tendências musicais da electrónica.
O Sónar toma o pulso do cenário actual da música electrónica e as suas interacções e hibridações com a criação digital e new media, reunindo os artistas mais consagrados e talentos emergentes em todas as áreas de produção musical e audiovisual.

As actividades do Sónar Barcelona dividem-se em duas grandes localizações: o Sónar de Día, que durante 19 anos se instalou no CCCB e no MACBA, este ano muda-se para outro local emblemático da cidade de Barcelona, a Fira Montjuïc, com concertos, showcases e zona para profissionais cuja principal essência é seguir o rasto de novos talentos. Este novo local permitirá apresentar o Sónar de Día de uma forma renovada, com espaços mais amplos que facilitam uma óptima circulação do público e dos profissionais, mantém os seus 4 palcos (SonarVillage by Estrella Damm, SonarHall, SonarDôme e SonarComplex), todos eles com maior lotação. E os grandes espectáculos dos nomes mais relevantes do panorama musical internacional no Sónar de Noche, localizado na Fira Gran Via, que consolida o seu formato de 4 palcos (SonarClub, SonarLab, SonarPub e SonarCar).

Neste seu 20º aniversário, o Sónar surge com uma nova marca: o Sónar+D – é a evolução das áreas profissional e new média do festival. Sónar+D apresenta um conjunto de actividades com o mesmo eixo central: tornar mais visível e acessível, a relação entre criatividade, tecnologia, mobilidade, inovação e negócios. Sónar+D oferece workshops e hackatons, instalações interativas, demos e apresentações de produtos, serviços e iniciativas empresariais no campo da música, tecnologia e criatividade. Além disso, conferências e encontros com grandes nomes da programação do Sónar, e apresentações ao vivo que reflectem a cultura da inovação através do uso de novos dispositivos interactivos. A criação de Sónar+D é o resultado da colaboração do Sónar e a Mobile World Capital Barcelona. O festival é parte de uma série de iniciativas que a cidade vai desenvolver nos próximos cinco anos no âmbito do Mobile World Festival, com o objetivo de promover e difundir as tecnologias móveis entre os cidadãos e empresas. Sónar+D contará com o Palau de Congressos de Barcelona como epicentro, apesar das suas actividades e propostas estarem espalhadas por todos os espaços do festival.

O line-up ainda não está encerrado, mas contamos desde já com nomes como Kraftwerk (com um espectáculo 3D), Pet Shop Boys, Two Door Cinema Club, Hot Natured, Paul Kalkbrenner, Nicolas Jaar, Maceo Plex, Gold Panda, Skrillex, Soulwax, Skream, Chromatics, Sebastien Tellier entre muitos, muitos outros.

Não podemos, no entanto deixar de fazer alguns destaques: eles incluem o live do grande Jamie Lidell, cantor e músico, sempre surpreendente, com um novo álbum debaixo do braço; o duo britânico AlunaGeorge, uma das sensações da temporada, também com álbum à vista antes de sua estréia no Sónar; Karl Hyde, metade de Underworld, com um projecto a solo já materializado no álbum “Edgeland”; o prodigioso pianista do Luxemburgo Francesco Tristano a solo, apresentando Piano 2.0 com piano e electrónica.

Também poderemos desfrutar de sessões muito especiais, totalmente em sintonia com o 20º aniversário do Sónar. É o caso dos sets de Matthew Herbert (pela primeira vez atrás dos pratos do Sónar), Modeselektor, Marco Nacho e Mary Anne Hobbs, todos eles irão tocar pela primeira vez em horário de dia, para comemorar o aniversário ao sol. Diplo, dj fabuloso e agitador inteligente do seu selo Mad Decent, estará presente com uma dupla: por um lado, apresenta uma das suas sessões explosivas de dança global ; e, por outro lado, para apresentar ao vivo, com o seu gangue de Mcs e dançarinas, Major Lazer, um grupo de massas graças a incontestáveis hits como “Get Free”.

O selo francês Ed Banger celebra o seu décimo aniversário ao mesmo tempo que os 20 anos do Sónar com um showcase especial formado por set dos reverenciados Justice, o live de Breakbot e um set do chefe da casa, Busy P, que tocará somente música da label.

Clássicos entre os clássicos, Derrick May e Laurent Garnier, têm não querem perder a festa de aniversário. O primeiro, que cedeu a sua lendária “String of Life” para o video da imagem do festival deste ano, irá fechar o SonarLab, sexta-feira 14. O segundo, já presente na primeira edição do Sónar, não poderia faltar a comemoração dos 20 anos; Ele será responsável para encerrar o festival no sábado 15 no SonarPub.

O Sónar 2013 apresenta também vários duos criativos que vão mostrar seus novos trabalhos no festival. Tandens de mentes inquietas, voando alto, grandes artistas que se unem para garantir que o resultado final da sua aliança é mais que a soma de seus respectivos talentos.
Pascal Comelade e Richard Pinhas, dois dos mais avant-garde e respeitados músicos da cena europeia dos últimos 30 anos, chegam para apresentar ao vivo, no único concerto que darão este ano, o seu projecto conjunto, resultou no álbum “Flip side of sophism”. Uma colaboração que aprofunda as possibilidades da linguagem entre piano, guitarra e electrónica, e que nos mostra o mais desconhecido e lado de electrónica de Comelade.
O novo live dos mestres nórdicos o nu-disco Lindstrom e Todd Terje é um dos mais aguardados do Sónar 2013. Noruegueses do nascimento e grandes especialistas na criação de odisséias de house cósmico, envolvente e dançável, a sua colaboração no estudo foi uma questão de tempo. O primeiro avanço para trazer entre as mãos, o imparcial e grande sucesso “Lanzarote”, adverte o enorme potencial desta parceria emocionante.
Alva Noto e Byetone levam muitos anos de trabalho em comum, mas só em 2011 deram início ao projecto Diamond Version, que já no ano passado no Sónar, com o artista japonês Atsuhiro Ito, causou forte impacto entre o público. Este ano voltam ao Sónar de día para apresentar seu álbum de estréia e demonstrar com um novo live o poder sensorial de um techno que é, ao mesmo tempo, investigação científica e energia pura.

Richie Hawtin é, sem dúvida, um dos DJs e produtores mais admirados do mundo. Este ano Hawtin junta-se a celebração dos 20 anos do festival apresentando ENTER., o seu novo conceito de club que revolucionou as noites de Ibiza com sua residência semanal na ilha. Hawtin vai transladar as noites de ENTER. ao palco do SonarPub, sexta-feira, 14 de junho, acompanhado por dois dos seus cúmplices usuais: o veterano e respeitado Dj espanhol Paco Osuna e a nova rainha do house britânico, já está presente no Sónar 2012, Maya Jane Coles.

Temos assim mais que muitas razões para festejar. É ir.

FIM/ Miguel Carneiro

“As Estranhas e fantásticas histórias de Jolon” na biblioteca Municipal de Castelo Branco

No próximo dia 18 de Abril, pelas 18:00, será apresentado em Castelo Branco, no auditório da biblioteca municipal, o livro Imagem102 pela professora Maria Adelaide Salvado. No mesmo dia, às 14:00 o autor estará na USALBi,Universidade Sénior, para falar sobre as histórias que foi recolhendo ao longo dos anos.
“As Estranhas e Fantásticas Histórias de Jolon”, do jornalista e contador de estórias José Lopes Nunes, Volume I, é editado pela A23 EDIÇÕES e reúne uma antologia de textos publicados na imprensa regional.

São mais de 300 páginas de quase 40 anos de histórias recolhidas nas freguesias do concelho de Penamacor, mas também noutros concelhos da região: tradições, profissões em vias de extinção e histórias fantásticas de velhotes que povoam a paisagem humana da raia.

O livro é um memorial a todos os personagens reais que Jolon entrevistou ao longo das últimas décadas e está dividido em oito núcleos temáticos: Ofícios, Raia, A aldeia e os dias, Curiosidades e lendas das terras da raia, Terras, Festas feiras e romarias, Sabores e Ouvi agora, senhores.

No prefácio assinado por Fernando Paulouro Neves, pode ler-se: Ponho-me a olhar para antigamente e não consigo fixar o dia em que o Jolon (José Lopes Nunes, de seu nome) subiu pela primeira vez à Redacção do “Jornal do Fundão”, armado dos seus papéis e das suas fotografias. (…) Descobri, então, de surpresa em surpresa, de página em página, alguém que tinha dentro de si um talento inato de repórter, que sabia olhar a realidade e, nesse olhar, era capaz de distinguir o essencial do acessório, valorizar o detalhe e o particular, sem ceder à facilidade do cliché. O Jolon, sempre com a sua máquina fotográfica ao alcance da mão, por onde quer que andasse, fossem quais fossem os caminhos ocasionais das suas andanças, captava a realidade, tanto quanto ela se deixa captar, com os ângulos da sua visão sobre as pessoas, as coisas, os lugares, as paisagens. Nesse aspecto, poderíamos falar dele como “repórter do instante”, magnífico conceito de jornalismo que Camus foi capaz de definir como exigência de observação rigorosa do mundo à nossa volta. Então, o Jolon foi, de certo modo, no seu persistente registo dos dias, o cronista atento de Penamacor, fugindo sempre – ou quase – à maneira burocrática e rotineira de fazer informação. No seu caso, há outra virtude a acrescentar à sua aventura de palavras: o trabalho em louvor da memória que, ao longo dos anos, o Jolon vem realizando, como contador de “estórias”. Há, nessa procura de dar visibilidade a histórias de vida esquecidas, uma relação profunda de afecto com as pessoas. O Jolon trouxe ao nosso convívio a emergência de quotidianos excluídos da galeria da informação e falou deles iluminando rostos, registando nomes, dando a histórias de vida, tantas vezes marcadas por fundos silêncios, um conteúdo de humanidade e de pertença. Ele percorreu esses territórios, foi ao encontro de mundos aparentemente perdidos no silêncio e deles retirou rostos, vidas, pequenas e grandes “estórias” que ajudam a identificar socialmente, à sua escala, um lugar, muitas vezes uma aldeia, um concelho, uma região. E, no centro desses microcosmos pontuados de diversidades, um coração: Penamacor. “As Estranhas e Fantásticas Histórias de Jolon” são esse coração a bater um pouco mais depressa. Como se fosse a terra a respirar.”

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