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	<title>A23 Online &#187; Pedro Leal Salvado</title>
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	<description>Reportagens, Opinião e Notícias de Portugal e do Mundo</description>
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		<title>As ideias dominantes</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Oct 2011 20:24:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“As ideias dominantes numa época nunca passaram das ideias da classe dominante.” Karl Marx escreveu-o há mais de 100 anos. A História não o desactualizou. Ao contrário, a actual situação mundial confirma e reforça o seu pensamento. Nunca a teoria da luta de classes esteve tão actual como nos tempos que vivemos. Concedo que hoje, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“As ideias dominantes numa época nunca passaram das ideias da classe dominante.”</p>
<p>Karl Marx escreveu-o há mais de 100 anos. A História não o desactualizou. Ao contrário, a actual situação mundial confirma e reforça o seu pensamento.<br />
Nunca a teoria da luta de classes esteve tão actual como nos tempos que vivemos. Concedo que hoje, pelo menos no nosso País cujo sector produtivo é quase residual, que a classe “dominada” não seja já a classe operária. A classe “dominada” dos nossos dias é aquela faixa da população que é a maioria dos cidadãos portugueses cujos rendimentos se encontram entre os € 800,00 e os € 1.500,00, que se esforçam todos os meses para pagar a sua casa, a educação dos seus filhos, enfim, as suas contas.<br />
Aquele fenómeno de extinção da classe média que nos habituámos a ver em países terceiro mundistas da América do Sul ou de África está a chegar – e em grande velocidade – ao “velho continente” dos direitos sociais e da qualidade de vida.<br />
Quando da tomada de posse do novo Governo tivemos um primeiro sinal: a esmagadora maioria dos Ministros são, efectivamente, ricos, muito ricos. Não tenho nada contra quem é abastado. Move-me antes o sonho de um dia sermos todos assim, mais do que a inveja de quem já o é. No entanto, o facto de quem nos governa ser “super-rico” tem um problema: o desconhecimento ou sensibilidade para a realidade da maioria dos governados. É óbvio que será muito difícil explicar ao Ministro da Saúde – que em 2010 declarou só em sede de IRS mais de € 800.000,00, que pagar “apenas € 50,00” de taxa moderadora num Hospital, significa para muitas famílias uma grande parcela do seu rendimento mensal. Até acredito que o Ministro em causa não o faça por maldade, fá-lo por desconhecimento. A realidade dele é outra. “Como alguém poderá queixar-se de uma taxa moderadora que é menos que o que gasto todos os dias ao pequeno-almoço?”, pensará.<br />
A classe governante – e aqui incluo os actuais e os que nos governaram nos últimos 30 anos – há muito que se afastou da realidade do País que comanda. Vive numa realidade paralela de elevados rendimentos e luxo. Serve não um País mas um núcleo de interesses privados ligados à alta finança e ao sector privado, como quem retribui agora o bom trato que deles recebeu ao longo da vida. Não compreende a noção de serviço público básico, pois nunca teve de a ele recorrer: tem os filhos em colégios privados e a saúde fornecida por seguradoras. Não sabe o que é apanhar um autocarro. Não sabe quanto custa um pão ou um quilo de arroz.<br />
E são estas pessoas que, com a maior desfaçatez, nos dizem que falhámos. Que nos dizem que andámos a gastar acima das nossas possibilidades. Que somos privilegiados com direitos a mais. Nós, os portugueses contribuintes e anónimos, que sempre cumprimos com aquilo que nos pediram, agora é que teremos de sofrer sacrifícios, de pagar as facturas. Já eles, que se governaram, que jogaram os nossos milhões na Bolsa e que destruíram tudo o que ainda produzíamos, eles que realmente falharam, cumpre-lhes puxar-nos as orelhas e aplicar-nos austeridade como quem dá um castigo a um filho mal comportado.<br />
É verdade que o País chegou à bancarrota. É inegável que são necessárias medidas severas para voltar a equilibrar a economia – medidas que têm de passar por duros cortes. Mas o que não se compreende – ou melhor, compreende-se mas não é justo – é que os responsáveis por toda esta situação não sejam minimamente beliscados por elas. O que se compreende mas não é justo, é que ataquem precisamente quem ainda tinha umas moedas para consumir e assim animar a economia. O que se compreende mas não é justo, é que os verdadeiros responsáveis pela actual situação do nosso País, aqueles que realmente falharam, sejam os mesmos que hoje nos impõe a mesma fórmula, a mesma receita que precisamente nos trouxe até onde estamos.<br />
O Brasil – País desde sempre de grandes desigualdades sociais – viu a sua economia e a sua riqueza crescer nos últimos anos. Ali, o Estado aplicou uma receita em tudo oposta à que Portugal teimosamente insiste em seguir. O Estado Brasileiro resolver gastar mais com quem menos tinha. Resolver dar as tais moedas a quem não as tinha. O resultado foi o consumo, que alavancou a produção que, inevitavelmente, aumentou o emprego e gerou mais riqueza. Hoje, preocupam-se com a possibilidade da economia em 2012 crescer “apenas” entre 3% e 3,5%&#8230;As projecções mais optimistas para Portugal indicam uma recessão de 2,8%. Preconceito ideológico ou realidade factual?</p>
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		<title>Troikas</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Oct 2011 21:09:21 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Tenho ouvido e lido dos mais diversos quadrantes políticos, que o Governo tem sido um bom e esmerado aluno dos professores da “troika”, cumprindo integralmente aquilo que foi assinado com a Comissão Europeia, BCE e FMI, indo até por vezes mais além, o que já nos terá valido um “Satisfaz Bastante” e o correspondente afastamento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho ouvido e lido dos mais diversos quadrantes políticos, que o Governo tem sido um bom e esmerado aluno dos professores da “troika”, cumprindo integralmente aquilo que foi assinado com a Comissão Europeia, BCE e FMI, indo até por vezes mais além, o que já nos terá valido um “Satisfaz Bastante” e o correspondente afastamento do caso grego.<br />
Há aqui, desde logo, uma enorme incongruência neste raciocínio. A Grécia foi “resgatada” pela “troika” antes de Portugal. Para receber os milhões de ajuda externa, comprometeu-se a cumprir um “memorando” e aplicou austeridade em cima de austeridade. O resultado foi o inevitável colapso da economia grega e a impossibilidade de pagar o empréstimo. Ora, o Governo e os analistas de serviço defendem que o cumprir cegamente o acordo celebrado com a “troika” nos afasta do caso grego quando, foi exactamente o cumprimento cego desse mesmo acordo que levou a Grécia ao estado em que se encontra.<br />
Na verdade, o Governo faz do memorando uma coisa que ele não é: um Livro Sagrado, cujas Leis devem ser seguidas sob pena de condenação eterna; mais ou menos a visão que um “taliban” tem do Corão. Faz uma interpretação literal, sem qualquer ponderação ou raciocínio e, mais grave, sem qualquer preocupação do enquadramento com a realidade. E é aqui que reside o maior pecado deste Governo, não apenas quanto a este ponto específico, mas quanto a todo o documento.<br />
Na realidade, o documento assinado em Março entre PS, PSD, CDS e a “troika” é um “memorando de entendimento”, onde são estabelecidas linhas orientadoras tendentes ao tão ansiado equilíbrio orçamental. As linhas constantes do documento são genéricas, apontam objectivos mas – e isto é muito importante – deixam ao Governo a decisão do caminho a fazer para os atingir. A maior prova de que o Governo tem essa liberdade tivemo-la recentemente quanto à questão da Taxa Social Única: o Governo simplesmente disse que não iria efectuar a redução “significativa” defendida pelo FMI. Que me tenha apercebido, desde então o Céu não caiu, nem se abriram rios de fogo e lava.<br />
Admitir que os pressupostos que estiveram na base do acordo mudaram e que, naqueles termos, só teremos um desfecho que é recessão e incumprimento é ser verdadeiramente responsável. Só assim, damos o sinal aos nossos credores que queremos de facto cumprir os nossos compromissos e pagar a nossa dívida. Se ao invés, continuarmos a insistir que vamos cumprir este “memorando”, mesmo quando é já claro que tal será de todo impossível, perderemos de vez qualquer credibilidade que ainda nos reste, desde logo por termos – mais uma vez – falhado.</p>
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		<title>“Depois de mim o caos”</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Apr 2010 20:25:06 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Bem poderia ser este o slogan de José Sócrates para os (últimos) anos que lhe restam na ribalta do poder. E se o “slogan” já há muito se adivinha verdadeiro a nível da sucessão do José Sócrates secretário-geral do Partido Socialista, o Congresso do PSD de aclamação da nova liderança demonstrou que a frase terá [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bem poderia ser este o slogan de José Sócrates para os (últimos) anos que lhe restam na ribalta do poder. E se o “slogan” já há muito se adivinha verdadeiro a nível da sucessão do José Sócrates secretário-geral do Partido Socialista, o Congresso do PSD de aclamação da nova liderança demonstrou que a frase terá plena aplicação também a nível nacional, na sucessão do José Sócrates primeiro-ministro.<br />
De facto, quem seguiu atentamente o último congresso do maior partido da oposição, não pode auspiciar bons ventos. O congresso nada mais foi que uma reunião de gente a quem, passada quase uma década, começa a cheirar a poder e que, por causa disso, se apressa a “aparecer” e a mostrar-se.<br />
O que mais surpreende é que todo este acreditar e toda esta esperança é alicerçada apenas e só no facto de o líder ser, em termos de marketing falando, vendável. Há que admitir que o novo líder do PSD tem a postura e o aspecto de primeiro-ministro que sem dúvida faltava a Ferreira Leite. No entanto, a nível de conteúdo o novo líder é de um vazio confrangedor, e consegue apresentar uma visão ainda menos coerente e profunda para o País que a anterior líder.<br />
A nova cara do PSD é uma embalagem muito apelativa, mas vazia por dentro. Um discurso nada empolgante, mesmo chato em alguns momentos, com a apresentação de algumas medidas desgarradas que nenhuma novidade trazem – umas do CDS, outras do PS e outras já defendidas e implementadas sem sucesso por anteriores governos PSD – e, pior e mais grave, não demonstram qualquer visão de futuro ou rumo para o País.<br />
Depois a tentativa de Passos Coelho, até louvável, de criar a unidade do partido, chamando os derrotados e tentando reunir numa mesma lista todas as sensibilidades de um partido que mais não é que uma federação de sensibilidades. Peca por ingénua, e depressa se revelou apenas cosmética, com a ausência ensurdecedora de Santana Lopes, Marcelo Rebelo de Sousa e de Marques Mendes, assim como com a recusa de Morais Sarmento em ceder a quaisquer “unanimismos”; mas como se não bastassem aquelas ausências, ainda o congresso não tinha terminado e já éramos presenteados com as habituais incongruências internas do PSD, protagonizadas por dois candidatos às Finanças de um futuro governo PSD, com o deputado Miguel Frasquilho a dizer à comunicação social que o governo PSD teria inevitavelmente que baixar os salários e as pensões nacionais, logo a ser desmentido por Nogueira Leite que apelidou aquelas afirmações de “divagações académicas”. Mais uma vez, como tudo em Passos Coelho, apenas cosmética, uma unidade imposta e sem qualquer vontade dos unidos em estarem realmente juntos…<br />
Mas a falta de calo político e a falta de personalidade forte de Passos Coelho, ficou ainda bem patente e demonstrada no episódio caricato do “encontro com bloggers” promovido pelo líder do PSD no decorrer do congresso. Se esquecermos o facto de ser tal encontro uma cópia mal amanhada do que José Sócrates fez há quase um ano atrás, a verdade é que logo que a atitude de afastar a imprensa desse encontro foi criticada, apressou-se Passos Coelho a fazer uma conferência de imprensa tradicional, com a imprensa formal. Foi só mais uma prova da tal unidade utópica defendida pelo novo líder do PSD, que quer agradar a tudo e a todos. Se cedeu imediatamente a um reparo de um comentador jornalista, com que força irá implementar as tais medidas – que se desconhecem quase por completo – para salvar Portugal? Como manterá a unidade do partido, quando extinguir a nomeação política de gestores e deixar sem lugar os militantes “unidos”? É que a verdade é só uma: há hoje unidade, porque cheira a poder e, portanto, só perdurará se o poder for depois distribuído por todos…</p>
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		<title>Contra os canhões, bazar, bazar</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 13:25:57 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A nomeação de Vítor Constâncio para Vice-Presidente do Banco Central Europeu, entidade reguladora do sistema económico-financeiro da União Europeia, levanta várias questões. Por um lado, não deixa de ser estranho que alguém que tenha sido tão criticado internamente na questão de supervisão da Banca, que tenha sido apontado tantas e tantas vezes como um verdadeiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A nomeação de Vítor Constâncio para Vice-Presidente do Banco Central Europeu, entidade reguladora do sistema económico-financeiro da União Europeia, levanta várias questões.<br />
Por um lado, não deixa de ser estranho que alguém que tenha sido tão criticado internamente na questão de supervisão da Banca, que tenha sido apontado tantas e tantas vezes como um verdadeiro incompetente, seja agora agraciado com a mesma função para todo o espaço europeu. Das duas uma, ou Vítor Constâncio não é tão mau como a oposição portuguesa o pinta, ou então é mesmo mau e incompetente e os membros da União Europeia querem-no naquele lugar para fechar os olhos à actividade bancária europeia, deixando-a trabalhar desreguladamente.<br />
Mas politiquices à parte e uma vez que não possuo qualificações suficientes para avaliar tecnicamente Vítor Constâncio, o que realmente me parece chocante na nomeação do Governador do Banco de Portugal para a Vice Presidência do BCE, é a aceitação do cargo. O cenário não é novo, já em 2003 assistimos a um episódio semelhante, com a nomeação de Durão Barroso para a Presidência do Conselho Europeu e à consequente aceitação do cargo. É incrível como numa situação de grave crise nacional, os mais altos dirigentes da Nação não hesitam em deixar o País para assumirem cargos internacionais.<br />
O que situações deste tipo demonstram é que actualmente os nossos políticos estão preocupados em primeiro lugar com as suas carreiras individuais, sendo o “interesse público” apenas um meio para atingirem fins de progressão. O que se esperaria de Vítor Constâncio é que assumisse que a supervisão havia falhado e que agora corrigiria esses erros e falhas para a tornar melhor e, acima de tudo, que não voltassem a acontecer. Aquele que foi o Governador do Banco de Portugal que falhou na supervisão da Banca e na antevisão da crise, e que agora parecia estar a reformatar a Instituição para fazer face à crise, à primeira oportunidade vai-se embora, como se nada se passasse. É uma oportunidade única para Portugal estar representado nos mais altos órgãos da União Europeia, dirá como disse Durão Barroso. Mas na verdade, é uma oportunidade única de subir na carreira pessoal, ao mesmo tempo que é uma oportunidade para virar costas a um Portugal em profunda crise económica, numa altura em que o País mais precisa dos seus melhores especialistas.<br />
O heróico marchar contra os canhões inserto no hino nacional está cada vez mais desconforme com a nacional-cobardia dos actuais responsáveis da Nação…</p>
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		<title>P.P.P. (Pagos Para Prevaricar)</title>
		<link>http://www.a23online.com/2009/12/14/p-p-p-pagos-para-prevaricar/</link>
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		<pubDate>Mon, 14 Dec 2009 13:01:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[uma qualquer “mente brilhante” arquitectou um novo esquema, o das Parcerias Público-Privadas. Através deste expediente, e como o próprio nome indica, os Municípios criam uma nova figura, na qual têm apenas uma posição minoritária, sendo a maioria do capital privado. Em teoria, é um bom sistema, pois o grosso do investimento é privado. Acontece que na realidade apenas é uma parceria formalmente, na qual a participação privada é compensada por dinheiros públicos, quer através de transferências de capital, subsídios ou protocolos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Texto de Pedro Leal salvado</p>
<p>O modelo não é novo mas, como todas as obras do “engenho e arte” português é aplicado discretamente e em lume brando, como se quer, para que ninguém repare. Falo das P.P.P., as Parcerias Público-Privadas.</p>
<p>Com as Finanças Públicas no caos que se conhece, com um endividamento excessivo e incomportável já a curto prazo, andou bem o Governo em impor limites ao endividamento público, nomeadamente ao endividamento das autarquias locais, através da Lei das Finanças Locais. Sucede que, e como é já costume no nosso País, uma boa regra não tarda a gerar todo um leque de excepções. O princípio da citada Lei é bom: responsabilizar as Autarquias em termos financeiros, impondo-lhes limites de endividamento, de modo a não serem criar situações insustentáveis e que poderiam em muitos casos pôr em causa a viabilidade económica de muitos Municípios. Não tardaram no entanto as Autarquias a encontrar expedientes que permitissem excepcionar esses mesmos limites. O objectivo é claro: desorçamentar, ou seja, como a Lei impõe limites ao endividamento orçamentado, há que engendrar formas de obter empréstimos fora do orçamento. O caso mais flagrante, e sobre o qual já escrevi, é o das Empresas Municipais. Mas também as Empresas Municipais têm um limite: o da sua própria sustentabilidade, pelo menos em termos formais. Assim, uma qualquer “mente brilhante” arquitectou um novo esquema, o das Parcerias Público-Privadas. Através deste expediente, e como o próprio nome indica, os Municípios criam uma nova figura, na qual têm apenas uma posição minoritária, sendo a maioria do capital privado. Em teoria, é um bom sistema, pois o grosso do investimento é privado. Acontece que na realidade apenas é uma parceria formalmente, na qual a participação privada é compensada por dinheiros públicos, quer através de transferências de capital, subsídios ou protocolos. Estas P.P.P.s permitem, no entanto, que as Autarquias contraiam empréstimos indirectamente, através dos privados. No fim, são os dinheiros públicos que acabam por pagar toda a factura: os privados pedem o empréstimo, os Municípios transferem depois mensalmente as rendas para os privados pagarem tal empréstimo.</p>
<p>Tudo isto é feito com a complacência do Estado – ele próprio também useiro e vezeiro deste expediente. Temos de concordar com o Professor Doutor do I.S.E.G. João Cantiga Esteves: “temos um modelo de regras de boas práticas e de boa gestão importado dos melhores sistemas europeus, mas depois criamos Institutos Públicos, Empresas Públicas, Empresas Municipais, Parcerias Público Privadas, para fugirmos a essas mesmas regras”.</p>
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		<title>Parquímetros no Interior?</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Dec 2009 11:54:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A A23 analisou os parqueamentos pagos de quatro cidades do Interior – Castelo Branco, Covilhã, Fundão e Guarda – tentando responder à pergunta: “é realmente necessário pagar para parar no Interior?” Massificados nos finais da década de 80 e princípios de 90, nos grandes pólos urbanos do país, o chamado “estacionamento pago” apresentou-se como a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A A23 analisou os parqueamentos pagos de quatro cidades do Interior – Castelo Branco, Covilhã, Fundão e Guarda – tentando responder à pergunta: “é realmente necessário pagar para parar no Interior?” Massificados nos finais da década de 80 e princípios de 90, nos grandes pólos urbanos do país, o chamado “estacionamento pago” apresentou-se como a única via possível para disciplinar o trânsito cada vez mais caótico que tomava conta de cidades como Lisboa ou Porto. Inicialmente utilizados em empreendimentos privados rapidamente o uso dos parquimetros foi visto pelas autarquias para além de um elemento disciplinador do trânsito e dissuasor do uso descomedido do automóvel na cidade, como um meio gerador de receitas. No Interior, os parquímetros começaram por aparecer timidamente em meados da década de 90, em pequenas zonas, principalmente nas zonas históricas. No entanto, nos últimos anos, as autarquias do Interior adicionaram os parqueamentos subterrâneos à lista de obras indispensáveis, gastando milhões de euros na sua construção. Mas serão assim tão indispensáveis?</p>
<p><strong>Castelo Branco – um mal necessário</strong></p>
<p>Na capital de Distrito, o parqueamento subterrâneo encontra-se inserido no projecto que repensou e reconstruiu o centro da cidade e foi realizado ao abrigo do programa POLIS. No caso de Castelo Branco, o problema do estacionamento era um problema real, onde centenas de carros se amontoavam ao longo dos passeios e em estacionamentos improvisados constituídos em lotes por construir. “Às vezes era às meias horas que andávamos às voltas para encontrar um lugarzito”, referiu-nos um dono de um estabelecimento comercial. Com o programa POLIS a autarquia albicastrense retirou por completo os automóveis do centro, construindo uma ampla praça pedonal dotada de jardim e inúmeras infra-estruturas culturais, de recreação e de restauração. Para o estacionamento foi construído no subsolo daquelas infra-estruturas um silo auto com 386 lugares e para o trânsito foram abertos túneis, de modo a retirar por completo os automóveis da praça central.  O silo auto tem uma taxa de ocupação de cerca de 70% e contribuiu para disciplinar o trânsito outrora caótico do centro da cidade, ao mesmo tempo que revitalizou e requalificou esse mesmo centro.</p>
<p><strong>Covilhã – resolução de um problema com danos colaterais</strong></p>
<p>O centro da Covilhã encontrava-se também desde há muito estrangulado em termos de transito automóvel. Às dificuldades de estacionamento do quotidiano acresciam aquelas emergentes do enorme tráfego provocado pelo turismo de Inverno na Serra da Estrela, altura em que centenas de pessoas de todo o país acorrem à neve e às valências turísticas oferecidas pela Serra. O problema da disciplina do trânsito automóvel no centro da cidade foi inicialmente atenuado com a construção de um silo auto privado – no Shopping Sporting – mas depressa se, revelou insuficiente para o fluxo de novos automóveis que invadem a cidade durante todo o Inverno. Inserida também no programa POLIS, a Covilhã aproveitou os fundos destinados à requalificação e recuperação do centro para construir um projecto ambicioso de estacionamento subterrâneo com 250 lugares, que representa do ponto de vista da construção e de engenharia uma obra notável. Com a construção do silo auto ficaram resolvidos definitivamenteos problemas de estacionamento no centro da cidade. A autarquia dotou ainda toda a zona envolvente do centro de parquímetros, sendo hoje praticamente impossível estacionar sem pagar, embora segundo uma projecção avançada pela C.M. da Covilhã, o executivo camarário afirme que na cidade existem 559 lugares de estacionamento não tarifado, para 169 pagos. Já em fase de concessão encontra-se um novo silo auto construído na Estação, não se sabendo ainda se os estacionamentos até agora gratuitos na área envolvente passarão a ser tarifados. A taxa de ocupação situa-se próxima dos 70%, sendo superior durante o Inverno, principalmente devido ao turismo. De novo ao ouvirmos os utentes, o principal problema apontado foi o preço das tarifas e a falta de alternativas gratuitas. No entanto, se por um lado se resolveu o problema do estacionamento e se disciplinou o trânsito, na medida em que é possível fazê-lo numa cidade com as características físicas da Covilhã.</p>
<p><strong>Fundão – Um desastre para o comércio tradicional<br />
</strong></p>
<p>Também a cidade do Fundão se encontra dotada de um parque de estacionamento subterrâneo pago com capacidade para 300 veículos – desde há vários anos que é utilizado um outro silo auto sito no Pavilhão Multiusos, gratuitamente, embora de modo condicionado. A obra, finalizada em Agosto de 2005 e orçada em dois milhões de euros, fez parte do projecto de requalificação do centro do Fundão. Das cidades abordadas, o Fundão é a única onde a criação de uma zona de parqueamento pago se apresenta mais como um investimento de futuro do que solução para um problema actual.O que poderá indicia a desnecessidade actual de um parqueamento pago na cidade do Fundão encontra-se na taxa de ocupação daquela infra-estrutura: cerca de 2%. Mesmo perante tal evidência, o Município aprovou  a implementação de parquímetros na cidade. Estar-se-á a criar uma necessidade que na realidade não existe, ou essa implementação será condição sine qua non de concessão a privados? A obrigatoriedade de pagar para parar no centro da cidade teve um efeito colateral negativo no comércio desse mesmo centro: a menos de 5 minutos do centro da cidade existem várias grandes superfícies comerciais dotadas de parqueamento grátis, sendo uma delas dotada de estacionamento coberto, gratuito, o que afastou muitos consumidores do comércio tradicional, principalmente durante o Inverno.</p>
<p>De qualquer modo, é um facto que, pelo menos actualmente, a necessidade de pagar para parar ainda não se faz sentir de maneira a ser considerada uma opção pela grande maioria dos condutores fundanenses, sendo a única justificação possível para a implementação de parquímetros, e que resultará numa clara perda da qualidade de vida dos cidadãos, a simples criação de mais uma fonte de receitas, municipal ou não.</p>
<p><strong>Texto publicado na revista A23 Nº1</strong></p>
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		<title>Concurso sem público</title>
		<link>http://www.a23online.com/2009/11/16/do-concurso-publico/</link>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 20:41:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Leal Salvado]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Texto de <strong>Pedro Leal Salvado<br />
</strong></p>
<p>Um dos princípios basilares do Estado de Direito no que concerne à actuação da administração pública, assenta no facto de a lei obrigar a Administração a fazer uso do procedimento do concurso público na contratação com privados. O objectivo da lei na criação da regra dos concursos públicos é óbvia: assegurar a igualdade de tratamento entre todos os fornecedores privados, evitando possíveis favorecimentos, do mesmo modo que assegura através da aceitação de várias propostas que o fornecimento, obra ou prestação de serviços seja a menos onerosa para os dinheiros públicos. Trata-se de uma regra de transparência.<br />
Sucede que, tal regra é lesiva dos interesses particulares dos órgãos que compõem a Administração Pública, uma vez que, a politica depende muitas vezes de compromissos – eleitorais, partidários e outros –, que pela via dos concursos públicos tornam-se difíceis de cumprir.<br />
A verdade é que, é habitual – e cada vez mais, infelizmente –, o recurso a estratagemas jurídicos para uma fuga aos concursos públicos, de modo a conseguir apurar um vencedor de antemão ou, no mínimo, restringir ao mínimo o número de candidatos.<br />
Com a crise internacional como pano de fundo, e com a crescente necessidade de celeridade na execução de obras públicas que tentem compensar a escalada do desemprego, o Governo aprovou em Conselho Ministros, que todas as obras públicas até ao valor de 5 milhões de euros, passam a ser feitas por adjudicação directa, ou seja, sem necessidade de concurso público.<br />
Se é verdade que o processo de concurso público é moroso e que o País precisa de investimento já, não podemos concordar que com essa premissa se feche a porta da transparência da gestão de dinheiros públicos. Se o processo é moroso, simplifique-se, agilize-se o mesmo, mas não se substitua pela arbitrária adjudicação directa. A medida ainda que extraordinária e com um prazo de validade de 2 anos, permite à Administração “escolher” a quem vai atribuir as obras, não permitindo o livre acesso a todo e qualquer fornecedor.<br />
Mas a medida torna-se ainda mais gravosa e atentatória do interesse público quando estendida às autarquias locais em ano de eleições. Legitimará a corrupção, o favorecimento e deixará os construtores civis nas mãos dos presidentes de Câmara. Um presidente poderá a coberto da Lei, adjudicar directamente até 5 milhões de euros a um seu financiador de campanha, podendo ardilosamente financiar-se com dinheiros públicos.<br />
Vivemos uma das maiores crises económicas de que há memória, mas tempos difíceis exigem de quem administra maior rigor e transparência, e não o inverso…a ser aplicada esta medida governamental, serão 2 anos de adjudicações às Mota Engil e às Consequis deste País, enriquecendo meia dúzia e empurrando para a falência centenas, afastadas de inicio das “eleitas” para a adjudicação…</p>
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		<title>Falta de Credibilidade e Caciquismo</title>
		<link>http://www.a23online.com/2009/11/09/falta-de-credibilidade-e-caciquismo/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 11:49:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Leal Salvado]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara Municipal do Fundão ; Fundão Turismo ; Manuel Frexes ; Paulo Fernandes; Pinus Verde; Aldeias do Xisto]]></category>
		<category><![CDATA[“Pedro Leal Salvado” “A23″ “Fundão” “a23online.com”]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto de Pedro Leal Salvado Independentemente do apuramento da verdade dos factos, verdade essa que provavelmente nunca venha a ser descoberta ou, pelo menos, com consequências, o caso Freeport obteve quase de modo imediato e automático o estatuto de credível. De facto, é preocupante que a corrupção e o favorecimento de um grupo privado por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Texto de Pedro Leal Salvado<br />
Independentemente do apuramento da verdade dos factos, verdade essa que provavelmente nunca venha a ser descoberta ou, pelo menos, com consequências, o caso Freeport obteve quase de modo imediato e automático o estatuto de credível. De facto, é preocupante que a corrupção e o favorecimento de um grupo privado por um político, não cause nem espanto, nem sequer crie dúvidas da possibilidade de tal ter sucedido, pelo menos na maior parte dos portugueses.<br />
Uma democracia saudável e forte será aquela em que necessariamente os cidadãos acreditem, ou que, no mínimo, dêem o benefício da dúvida acerca da honestidade e credibilidade dos seus governantes.<br />
É um facto que a classe política dos últimos 30 anos se constituiu numa verdadeira teia de dependências e favores, povoada por verdadeiros profissionais, cujo sustento provém única e exclusivamente da política. Assistimos diariamente a verdadeiras transferências milionárias de ministros para instituições públicas e destas para grandes grupos privados e, de novo, de volta para os Ministérios… Se esta é uma realidade que acompanhamos pelos meios de comunicação social a nível nacional, sentimo-la no nosso dia a dia a nível do poder local: os “pequenos tiranetes” como já foram apelidados, mais vulgarmente conhecidos por “caciques” locais.<br />
A forma mais simples e directa de cimentar o poder é o emprego público. Contrariamente ao que seria de esperar os primeiros contemplados são todos aqueles que possam de algum modo representar um perigo ou um desafio ao poder instituído: eleitos e militantes de partidos da oposição, independentes e antigos governantes, bem como os seus familiares. São os conhecidos avençados: “coordenadores de freguesias”, “coordenadores de modernização de canil”, sociedades de advogados cuja função contratual é “definição e orientação politica”, adjuntos de adjuntos e assessores de assessores&#8230; Numa primeira fase é do interesse do poder mantê-los exactamente nesse estatuto de contrato precário, pois se por um lado não permite a segurança do posto de trabalho, por outro lado mantém o avençado motivado e leal na esperança do tão almejado lugar no quadro; ou seja, nas mãos do poder. Temos hoje a máquina do Administração, quer nacional quer local, hiper povoada de contratados que nada fazem, mas que por alguma razão interessa ao poder ter sob a sua folha de pagamentos. Uma vez passada a primeira fase, os leais entram para o ambicionado quadro. É um custo do erário público compensado de quatro em quatro anos em votos.<br />
Seguidamente, há que controlar e dominar todas as formas de expressão da sociedade civil, entrando em todos os órgãos sociais de todas as instituições, associações, clubes e colectividades em geral. Uma vez no poder dessas colectividades, há que aprovar transferências de capital, subsídios, ajudas, colaborações, cooperações e co-produções…mais uma vez, um custo elevado para o erário público mas com a compensação já referida. Esta verdadeira anulação da sociedade civil tem o seu expoente máximo na criação pelo próprio poder de associações, que depois preenche a seu bel-prazer e, de novo, com uma “linha de crédito” virtualmente ilimitado.<br />
Há que referir que todas as operações e metodologias descritas são, até ver, feitas com o beneplácito da Lei, ou seja, de modo totalmente legal. É o preço que pagamos por elegermos como legisladores, ex-autarcas, ex-assessores, ex-governantes…<br />
Concretizando, como poderei pedir a um concidadão que dê o beneficio da dúvida ao primeiro-ministro no caso Freeport, se esse mesmo concidadão viu nos últimos 8 anos, a empresa do director de campanha do seu presidente passar de falida para economicamente sólida e em crescimento?;  que viu a associação presidida por um vereador tornar-se a âncora do projecto politico do concelho, com milhares de euros de transferências de capital, subsídios e cooperações?; ou que viu os órgãos sociais de quase todas as instituições do seu concelho tomadas pelos seus vereadores, presidentes de junta, chefes de gabinete, adjuntos, assessores e demais correligionários políticos?&#8230;difícil, para não dizer mesmo impossível.<br />
A limitação de mandatos terá sido uma boa medida, mas insuficiente e demasiadamente tímida para acabar com o actual estado do exercício do poder. Continua a faltar um verdadeiro regime de incompatibilidades entre o exercício de funções públicas e actividade pessoal, que delineie clara e cabalmente a fronteira entre o poder e a sociedade civil.</p>
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		<title>Off-shores municipais</title>
		<link>http://www.a23online.com/2009/08/13/off-shores-municipais/</link>
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		<pubDate>Thu, 13 Aug 2009 09:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Leal Salvado]]></category>

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		<description><![CDATA[(...)em Portugal existe uma realidade a nível interno que, quer pelos métodos, quer pelo modo de funcionamento, em tudo se assemelha àquelas: dão pelo nome de Empresas Municipais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A presente crise mundial trouxe para a ribalta, pelos piores motivos, a realidade das off-shores. Hoje em dia poucas pessoas há que não conheçam esse famigerado termo e o seu significado: empresas fantasma sediadas em paraísos fiscais, para onde dinheiros e lucros de empresas nacionais vão e, como que por um passe de mágica, “desaparecem”; as off-shores compram propriedades, jogadores de futebol, bancos, pagam salários e enriquecem muita gente, tudo sem qualquer controlo fiscal ou estatal.<br />
Mas se a crise mundial despertou os Governos de todo o mundo para esta realidade, e estão agora na mira da legislação mundial com o intuito de progressivamente, lentamente diga-se, acabar com as off-shores, já em Portugal existe uma realidade a nível interno que, quer pelos métodos, quer pelo modo de funcionamento, em tudo se assemelha àquelas: dão pelo nome de Empresas Municipais.<br />
As Empresas Municipais são, nos termos da Lei, “empresas dotadas de capitais próprios (…) para exploração de actividades que prossigam fins de reconhecido interesse público cujo objecto se contenha no âmbito das respectivas atribuições”, ou seja, empresas autónomas financeiramente e com fins próprios, leia-se distintos dos do Município. Sucede que, e como infelizmente é usual no nosso País, muitos autarcas depressa se aperceberam de todo o potencial destas empresas municipais, potencial esse que aumentou exponencialmente com a entrada em vigor da Lei das Finanças Locais. Com o apertar das regras de fiscalização e controlo das contas dos municípios, as empresas municipais rapidamente se tornaram numa ferramenta de torneio da Lei e da transparência na gestão dos municípios.<br />
Os Municípios criaram Empresas Municipais que prosseguem fins que são da competência das Câmaras Municipais, quer a nível da Cultura ou do Turismo, quer a nível da gestão corrente do Município. Tudo isto com uma agravante, os próprios eleitos – Presidentes, Vice-Presidentes e Vereadores – passaram a integrar a Administração dessas mesmas Empresas. Ou seja, passámos a ter Empresas Municipais, compostas por capitais públicos e administradas pelos autarcas, tudo como se de um Paraíso Fiscal se tratasse, onde os autarcas continuam a exercer os seus pelouros, mas sem a fiscalização e as exigências financeiras que a Lei impõe aos Municípios e, mais importante, sem os entraves impostos aos Orçamentos das Câmaras Municipais.<br />
Existe ainda uma outra virtualidade nestes “off-shores” Municipais: a colocação de correligionários políticos, seus familiares e afins, sob a folha de pagamentos das Câmaras Municipais, indirectamente claro está, uma vez que se tem tornado cada vez mais difícil a colocação de pessoal nos quadros da Administração. E assistimos diariamente a tantos e tantos casos de quadros das Empresas Municipais que pese embora serem pagos por estas, prestam o seu trabalho nas Câmaras Municipais…<br />
O “modus operandi” é, portanto, o de verdadeiras “off-shores”, que, formalmente e apenas no papel, libertam as Câmaras Municipais de custos e permitem cumprir – ainda que apenas e só ficticiamente – os limites de endividamento impostos por Lei, assumindo as Empresas Municipais de ano para ano cada vez mais prejuízos, aliás como se tem verificado desde a sua criação.<br />
No fim, perdem os Municípios com gastos desnecessários, perdemos nós os munícipes que pagamos a factura.</p>
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