Escrever com a luz é uma das metas mais procuradas por quase todos os fotógrafos, mas são poucos os que a conseguem usar como suporte para a escrita da sua experiência. Numa só fotografia, une-se a energia do fotógrafo com outra energia abstracta e universal. Assim se expressa a fotografia de Jorge Valente que, neste portfolio, nos tenta explicar a essência do ofício do fotógrafo. Caçador de instantes, mas também da luz, Jorge Valente converte o enigma da luz em arte. Qual forma de escrita, a luz é utilizada como o meio mais apropriado, mais harmonioso e mais natural de expressão. Fazendo jus ao conceito de invenção da imagem, protagonizado por Niépce, Jorge Valente encontra na luz a forma única e diferenciada de escrever a realidade, na certeza de que a luz é também observar, compreender, analisar a sua leitura do mundo através da imagem. Texto | Ricardo Paulouro
Fotografias de Jorge Valente | Edição de Susana Paiva
Vários escritores se debruçaram sobre esta temática ou sobre a figura imponente do touro. Herberto Helder tem talvez uma das melhores descrições sobre este animal que, de cada vez que avança para o homem, tem à sua frente o destino ou a morte. “Um touro preto está inclinado para a fonte e repositório dos seus poderes, enquanto se abre, minúsculo, por cima dele, o orifício por onde todos esses poderes, desconjuntados, se escapariam. É assim também um homem: somente se apresenta mais claro o terreno das suas forças, e menos vasta a massa do corpo”. Esta comparação entre o touro e o homem mostra-nos a necessidade de o segundo mostrar a sua força ao primeiro. Como se a festa dos homens, esses que trabalham os campos e cuidam dos animais, atraísse o touro, grande e forte.
É certo que esta será a arte do espectáculo mais polémica do mundo. O trabalho fotográfico de Paula Almeida mostra-nos uma arte secular que exige ser vivida com intensidade. Na arena o toureiro baila com o touro, desafia-o e à morte também.
Em Portugal, uma coisa é certa: não se mata o touro na praça. Talvez porque o touro tenha também algo de divino, de secular, como a tradição. O apelo das raízes é sempre mais forte, terras de alma que engendraram a sua própria forma de culto. Texto de Ricardo Paulouro
Fotografias de Paula Almeida | Edição de Susana Paiva
O The Portfolio Project desta semana é dedicado a um tema quase etnográfico: encontrar, na cidade de Lisboa, os elos perdidos na nossa história comercial de usos, costumes e tradições. As Mãos do comércio lisboeta remetem-nos para memórias de outros tempos. Para além da função documental, a fotografia está também revestida de um valor emotivo que a torna um dos mais preciosos arquivos de vivências e memórias. Assim é a fotografia de João Cláudio Fernandes. Nestas imagens reconhecemos o velho comércio de Lisboa, sapateiros, alfarrabistas, entre outras profissões. Ofícios cada vez mais raros. É com a luz que João Cláudio Fernandes alimenta essa necessidade de fixar as coisas, melhor, de as arquivar em modo quase diarístico. João Cláudio Fernandes capta os instantes da vida de Lisboa, como se rodasse um filme. Texto| Ricardo Paulouro
Fotografia de João Cláudio Fernandes | Edição de Susana Paiva
“Antigos ofícios na Lisboa do século XXI”Texto | João Cláudio Fernandes(more…)
Manuel Ferreira Chaves publica esta semana na A23 um trabalho sobre a cidade que nunca dorme. No coração de Nova Iorque, surge um prazer contemplativo para os nossos olhos. Uma cidade que nos é dada a ver pelos olhos debruçados sobre um mundo onde o ruído se cruza com o silêncio. Inexplicavelmente, vemos Nova Iorque imbuída de uma espessa camada de silêncio. Uma sensação de captação do tempo que o fotógrafo lhes conseguiu imprimir. Nesses momentos, sem ontem ou amanhã, parece-nos ouvir, lá longe, o burburinho da cidade. E na espuma suja dos dias, a cidade ganha vida e o tempo corre. Texto|Ricardo Paulouro
Fotografia de Manuel Ferreira Chaves | Edição Susana Paiva
“Longing to stray”Texto | Manuel Ferreira Chaves (more…)
A fotógrafa Susana Paiva mostra-nos um trabalho único sobre os mineiros. Se identificássemos um tema neste trabalho de Susana Paiva, diríamos, sem dúvida, que esse tema é a alma humana, pois as fotografias parecem dotadas de uma linguagem única que nos falam da vida daqueles que construíram milhares de quilómetros debaixo de terra e desafiaram os limites da natureza, como nas Minas da Panasqueira. Texto Ricardo Paulouro