
Graça Morais fala-nos de memórias, desejos e inquietações. Enraizada à terra, ao quotidiano movido por hábitos e regras, com marcas de um tempo que pode ser calmo mas que também sabe ser agreste, Graça Morais estende o seu olhar desde a aldeia até ao mundo. Porque pintar é, no fundo, como escrever: é saber ver para, em seguida, criar, metamorfosear, recriar. E, sobretudo, é existir no tempo que é próprio da Pintura. Um tempo que desafia o tempo do Mundo porque lhe permite voltar atrás, perder-se nas memórias, refugiar-se, como Torga, no ‘reino maravilhoso’ que é a sua aldeia ou simplesmente em cada tela em branco que pinta como se fosse a primeira vez. Entrevista de Ricardo Paulouro (more…)
Mário de Carvalho deixou o Direito pela Literatura. Partiu, em 1973, durante o serviço militar, para o exílio, mas regressou a Portugal após a revolução de 1974. Depois de se ter estreado como escritor no volume antológico Mar, publicando no ano seguinte o seu primeiro livro, Contos da Sétima Esfera, a vontade de contar histórias não mais o deixou. Cultivando um registo frequentemente irónico, e mesmo humorístico, com várias incursões pelo domínio do fantástico, Mário de Carvalho não se ficou pelo conto ou pelo romance. A sua obra como dramaturgo é igualmente uma das mais interessantes que surgiu na última década em Portuga, o percurso de Mário de Carvalho reflecte sobretudo o prazer lúdico e a permanente descoberta da escrita e da leitura. Texto e fotos de Ricardo Paulouro (more…)
A casa de infância marcou José Castanheira que ainda hoje se recorda desse espaço que já então considerava cenográfico e que lhe encheu gavetas de memórias. O teatro, no qual trabalha desde 1973 tem-lhe ajudado a povoar um imaginário do qual não se quer afastar. O palco é hoje para si esse espaço privilegiado onde cria universos, símbolos e metáforas e reinventa os mundos criados por dramaturgos. Após mais de 30 anos ligado às artes do espectáculo, José Castanheira, nascido em Castelo Branco, é professor de Arquitectura, equilibrando esta profissão com a actividade de cenógrafo. Acima de tudo, José Castanheira é incapaz de esquecer as suas raízes, as relações humanas que estão em jogo no palco, como na vida. Texto de Ricardo Paulouro (more…)

Jorge Palma tornou-se uma presença constante nos palcos portugueses. Voo Nocturno, o seu mais recente trabalho, é, sobretudo, um álbum de afectos, onde a viagem é a meta daquele que encontra na errância uma forma de estar na vida . O aclamado Bairro do Amor, em 1989, confirmou o sucesso de uma carreira que tem estado próxima de todas as gerações. Muitos foram os que o viram em 1971, em Vilar de Mouros, nos teclados dos Sindikato, outros assistiram à sua colaboração com outros músicos, tais como em Palma’s Gang, Cabeças no Ar e Rio Grande. Influenciado por tudo o que o rodeia, Jorge Palma reconhece que a sua preocupação sempre foi a de universalizar aquilo que escreve. O seu ‘bairro’ é o mundo, que o tem acolhido ao longo do seu percurso enquanto músico. Suiça, Itália, Dinamarca, Escandinávia, Inglaterra, Alemanha, mas, sobretudo, Paris, o ‘quartel-general’, onde foram muitos os concertos no metro, são algumas das cidades que o viram crescer como artista e o ouviram cantar o amor, a saudade, a tristeza, o medo, a denúncia. A entrega à musicalidade das palavras soma-se às histórias de uma vida escritas em cada canção.
Entrevista de Ricardo Paulouro
Fotos de Margarida Dias (more…)
Bruno Pais, já consagrado uma referência mundial, escolheu o Triatlo como carreira. Actualmente é um atleta abrangido pelo Estatuto de Alta Competição e vive no Centro de Alto Rendimento do Jamor, desde 2001. O que leva um jovem a seguir uma opção de vida onde a abnegação e a dedicação são lei? Este é o retrato de um jovem fundanense que optou por dedicar uma vida ao desporto, com o pódio mundial como objectivo. A A23 foi falar com ele (more…)