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Ricardo PaulouroEditorial
Ricardo Paulouro







2 de março

Foi um gesto sobretudo simbólico, que o poder decerto subvaloriza, como faz em relação a tudo o que cheire a discordância, mas o grito dos portugueses, lançado em quarenta cidades, tem um significado bem mais profundo do que alguns julgam. O protesto contra a política do Governo face aos problemas dos portugueses não é apenas a continuação de uma retórica protestatária, com queixumes antigos, mas a exteriorização de um estado de espírito que, no quadro presente, tem razões objectivas de agravamento e de ostensiva penalização à situação em que milhares de portugueses vivem. Onde chegámos.
A manifestação “Que se lixe a troika” foi um epifenómeno. Mas ela deve ser vista como a continuidade de uma mobilização que tem tido larga expressão no último ano. Que faz correr os portugueses, cuja apatia cívica e viver interiorizado já lhes valeu a designação de Miguel Torga  de “colectividade pacífica de revoltados”?. Que os faz levantar a voz e protestar de forma veemente contra uma política de austeridade, que lhes está a impor a pobreza, a reduzir drasticamnete os direitos, a esvaziar as conquistas de décadas?
Digamo-lo, sem peias, frontalmente: os portugueses estão fartos e cansados de serem objecto de uma retórica que se apropria deles na festa da promessa, no folclore patrioteiro para uso externo e interno. À beira da ruptura social, a sensação dos portugueses, na sua esmagadora maioria, é que este é o Governo mais destrutivo para Portugal de que há memória. Foi isso que muitos milhares de portugueses exprimiram no ultimo fim de semana, um pouco por todo o país. Costuma-se dizer, para contrariar certas manipulações: pode-se enganar um homem uma vez, não se pode enganar o homem todas as vezes. Pensar que sim é pura idiotia.

RP

Clientelas

Em poucos países, como em Portugal, a cunha se transformou numa instituição com tantas e tão fundas raízes. Não há nada que a supere. Nem o talento. Nem o profissionalismo, Nem a capacidade. Nem a seriedade. Quem tem cunhas trepa nas várias escalas em que se resume a vida social; quem as não tem pode muito bem ficar aviado para o resto da vidinha.

A cunha tomou-se, de tal forma, essencial à mobilidade do cidadão comum que arregimenta à sua volta verdadeiras multidões. A grande ambição, na maior parte dos casos, é estacionar no mercado do emprego, se possível à sombra do Estado. Mas aí pia mais fino! Quando essas legiões logram alcançar os patamares da política ou do Poder, necessitam” antes, de fazer prova da sua condição de clientes. É assim que o Poder arranja as suas clientelas. Nesses casos, é bem provável que, antes da cunha, peticionário \candidato ao lugar tenha de mudar de emblema,isto é, de clube politico. Depois, feita a prova de fidelidade, abrem-se as portas do presente ou do futuro, consoante o escalão social e, às vezes, a curvatura dorsal do pretendente.

E não se trata de fenómeno novo na sociedade portuguesa, embora nos últimos anos os clientelismos tenham alastrado como a pior das marés negras.
Almada Negreiros, em 1933, já detectava a cunha como um dos males endémicos da vida portuguesa. Escreveu, então, o autor de «Nome de Guerra»:
« Declaramos guerra ao emprenho, à cunha, à apresentação, ao salamaleque, à porta travessa, à côterie, às amizades e às inimizades pessoais, e a toda essa gama de pechotice que medra e faz medrar a marmefada nacional».
Perfeitamente.
As palavras de Almada têm perfeita actualidade. Mas acontece que, para fazer guerra à cunha, é preciso fazer uma autentica revolução. Porque o Poder instalado necessita da cunha para se manter. E, claro, para manter as suas clientelas e os seus caciques.

Da arte de mamar

Tamanhos são os vícios do clientelismo na sociedade portuguesa, que o Primeiro-Ministro, Passos Coelho, não se coíbiu de afirmar (e citamos o Diário de Notícias): “Não é nenhum crime ser militante de um partido”. A frase vale toda uma filosofia da acção política. E, sabida a procissão de devotos atrelados ao carro triunfal do poder, na mira de um lugarzito, de uma boleia para governar a vidinha, imaginamos a legião de candidatos (tantos autarcas que não se podem recandidatar) com o dedo na boca, a chuchar. Já fizemos 600 nomeações em seis meses… A maioria não dá para todos, tenham paciência!

Não é novidade para ninguém que os aparelhos dos partidos tomaram conta do estado e a nomeações, para cargos públicos, obedecer a critérios meramente partidários. Tantas vezes foi o facto trazido ao domínio público, que já não causa espanto ou quase admiração, Não temos a ingenuidade de pensar que o sistema será modificado. Pelo contrário. Denunciadas as escandalosas nomeações para as Águas de Portugal e EDP, tudo ficou na mesma. Neste país, os interesses partidários têm sempre mais força do que as públicas virtudes. Somos um país porreirinho!

De como a CP trata o interior do país

O interior do país vai sendo, com pezinhos de lã, subalternizado no seu quotidiano urbano, perante a indiferença geral. Em vários sectores da vida social e económica, há serviços que têm sido esvaziados, quando, pura e simplesmente, não desaparecem de todo. Há muito que assim é, numa lógica de perda que nos caiu em cima como um destino fatal. Ainda esta semana, o Jornal do Fundão denunciava o que é, comprovadamente, mais um caso de subalternidade urbana, que só os tolos não perceberão. Desta vez, é a CP – que tanto martirizou esta região com atrasos e percursos ao ritmo do início do século passado – a dar-nos o sinal de que o interior do país é, para os insondáveis crâneos dos seus dirigentes, uma realidade urbana perdida, coisa de apeadeiro ou lá o que é a hierarquia da portentosa companhia dos Caminhos de Ferro. Depois do investimento de milhões de euros com a electrificação da linha da beira baixa, a crise traz de volta “ velhas” automotoras recauchutadas para serviço Intercidades entre a Covilhã e Lisboa, com o argumento se poupar 1,5 milhões. Dirão que que se poupam milhões, mas a verdade é, com esta alteração, a qualidade do serviço de comboio vai diminuir. A CP corta-nos com esta decisão a hipótese de uma melhoria da ligação de caminho de ferro do interior do país à capital. Podemos nós cortar alguma coisa à CP?

Da política, cá por baixo

Quem diria que uma “Moção de Repúdio” de Baltazar Lopes contra o cidadão Américo Rodrigues (por textos escritos num blogue pessoal) proposta à Assembleia Municipal da Guarda (discutida, votada e aprovada) esta sexta-feira, iria pôr a nu, de forma tão clara, a mentalidade dominante em sectores adjacentes ao poder instalado na cidade da Guarda.

Não se trata do salutar exercício da discordância, que deve ser sempre saudada, com palmas e foguetes, nos partidos onde reina o unanimismo, mas de comportamentos que traduzem um entendimento atávico e provinciano da política.

Sabemos todos, menos os que fingem ignorar, que nestes anos de democracia as clientelas sentadas à volta da mesa do poder se refinaram na gestão das influências na gestão, no tráfico de levar e trazer recados, no caciquismo da projecção pessoal.

A maturidade de uma região mede-se mais pela capacidade de saber equacionar os grandes problemas que condicionam o desenvolvimento do que pela expressão de serôdios bairrismos locais. Nessas capelinhas onde se rezam missas de outros tempos, vem às vezes à surprefície um conceito caceteiro da política, que neste início de novo século se julgava apenas memória de tempos idos. Então confunde-se tudo. Chega-se ao ponto de a Assembleia Municipal da Guarda votar e aprovar uma “Moção de Repúdio” contra o cidadão Américo Rodrigues, director do Teatro Municipal da Guarda, por opiniões expressas no blogue pessoal Café Mondego.

Quando uma situação destas acontece é como se o espaço democrático de uma Assembleia Municipal tivesse sido expropriado e fosse já, e apenas, uma coutada dos idiotas úteis dos partidos. É isso que significa o seu comportamento quando, publicamente, vota uma imbecilidade de uma proposta, que inclui textos que nada têm a ver com presidentes da junta , deputados ou Assembleia.

Mais grave, contudo, a Assembleia Municipal da Guarda aprovou a moção de repúdio de textos de Américo Rodrigues em blogue pessoal, como se fosse um procedimento natural. Assim vai a política, cá por baixo.

Ricardo Paulouro

Histórias do Portugal profundo

Fotografia de Pedro Martins

Seja no fim da rua ou na outra ponta do mundo, há sempre uma boa história pronta a ser contada. Esta semana a A23, foi à procura destas histórias, as de um Portugal profundo, autêntico e desconhecido da maioria, mas também as de outras partes do mundo, cuja tensão narrativa nos faz rapidamente viajar.

Primeira paragem: a zona do interior do país, mais precisamente Covas do Monte. Captada pela objectiva de Pedro Martins, esta aldeia perdida no meio de uma imensa montanha de xisto, num vale da Serra de São Macário, tem 58 habitantes que vivem quase exclusivamente da pastorícia – mais de 2000 cabras constituem aquele que será talvez o maior rebanho do país.

No plano internacional, destaque para a reportagem de Paulo Nunes dos Santos. Cidade Património da Humanidade, Essaouira, na costa marroquina, mantém o charme e a autenticidade de uma terra perdida no tempo. Sob a protecção dos ventos do Atlântico, a sua medina encanta viajantes do mundo inteiro que aqui chegam à procura de um refúgio mágico e de ondas perfeitas.

Ninguém sabe ao certo de onde vem o fascínio que Essaouira exerce sobre os viajantes, mas há quem diga que se trata de um encantamento provocado pelo vento que sopra forte por entre as ruas e as vielas da medina desta pequena cidade piscatória, situada a duas horas de viagem da estância balnear de Agadir e a cerca de 180 quilómetros da imperial Marraquexe.

Daqui, viajámos novamente para Portugal, para a mítica Estrada Nacional 18, que liga o Fundão à Covilhã e que viu passar o Alves Barbosa, o Ribeiro da Silva, o Joaquim Agostinho, ciclistas do sonho puro. Ali encontrámos  um restaurante que pela sua história pessoal e pela sua evolução surpreendente se projecta como o templo gastronómico da nossa Beira. Fomos lá comer um dia destes em que um frio glacial nos atravessava o corpo e os nossos olhos pediam um auxílio e um reconforto. E o tempo fortificou-nos, encheu-nos de uma alegria e de uma plenitude espantosas.  No cruzamento de Alçaria, o Mário proporcionou-nos tudo, nessa noite hostil, o que um homem de gosto e de sensibilidade espera e mais: deu-nos a certeza de estarmos no local certo.

Manuel da Silva Ramos (o melhor escritor português vivo) revela-nos numa surpreendente crónica, o restaurante O Mário, o templo da cozinha regional da nossa Beira. Um restaurante acolhedor hospitaleiro gerido familiarmente, que começando por uma humilde taberna criou um maravilhoso reino de sabores na nossa fria mas comovente região.

Que seja mais um contributo para olhar para o Portugal profundo ou, quanto muito, uma forma aprofundada de ver Portugal.

Ricardo Paulouro

Sahara Ocidental escreve-se com sangue

Fotografia de Paulo Nunes dos Santos/A23

O novo protesto no Sahaara Ocidental veio lembrar a existência de um problema que, além das suas estritas dimensões políticas e diplomáticas, afeta de maneira dramática milhares de pessoas. A situação dos acampamentos não é só insustentável pelas carências que padecem os seus habitantes, mas pelo facto de que pouco ou nada teram melhorado em décadas.
A A23 esteve na Sahara Ocidental e traz esta semana um trabalho jornalístico que documenta um dos conflitos mais antigos da história pós-colonialista em África. Durante a visita aos campos de refugiados, na província Argelina de Tindouf, e ao território liberado do Sahara Ocidental, a A23 teve a oportunidade de ver e documentar a vida de milhares de pessoas que, devido à invasão levada a cabo por Marrocos, há 34 anos atrás, se viram forçadas a abandonar o seu território em busca de uma vida mais segura no país vizinho. Esta é a primeira de uma série de reportagens exclusivas que A23 vai publicar sobre um conflito e um povo esquecido pelo mundo ocidental. Poderá o mundo fechar os olhos a uma realidade de mais de 200.000 pessoas que vivem nos campos de refugiados do Sahara Ocidental? Poderá o mundo fechar os olhos à notícia inquietante das mortes esta semana no Sahara Ocidental?  Um povo que só quer ter direito a uma vida normal.

Ricardo Paulouro

De olhos postos no futuro

MAHJONG DANCEBERLINSHANGHAI. ©Ana Trincão e João Bento / TANZ IM AUGOST

Carl Schmitt afirmou um dia: “O estado, enquanto um todo, com corpo e alma, é uma máquina. Trata-se de uma obra feita por seres humanos, na qual a matéria e os artistas, a máquina e o construtor são idênticos, isto é, os seres humanos”. Já de olhos postos no novo ano, o tempo torna-se novamente um enigma. Como será o futuro e o que podemos saber dele? Se é lá que vivem as nossas esperanças, nele depositamos também os nossos receios e as nossas desilusões. Não o conseguimos adivinhar, dificilmente prever, mas nessa imprevisibilidade reconhecemo-lo tão fascinante quanto esperançoso.
E se cada vez mais a liberdade parece ser uma missão sem esperança, fruto da opressão de forças de poder disseminadas e escondidas na sociedade, ela deve ser o território em que nos movemos. Hanna Arendt já o havia dito: “A raison d’être da política é a liberdade, e o seu campo de experiências é a acção”. Mas quando essa liberdade se torna a exacta antítese da «liberdade interior», a arte e o pensamento são as melhores formas de restabelecer uma condição perdida.

E de novo de olhos postos no futuro perguntamos: Qual será o futuro destes jovens que a ela se dedicam por inteiro? Estaremos à altura de os acolher na sociedade? Como será viver numa Europa verdadeiramente multicultural? E que papel terá nela a cultura?

Por isso, esta semana viajámos até Berlim, onde através dos olhos de João Bento e Ana Trincão mergulhamos num dos mais importantes festivais de dança da Europa: Tanz im Augost. Como o nome do festival indica é um mês dedicado à dança em Berlim, à dança e a toda a actividade cultural que a cidade acolhe incessantemente. “Na edição de 2010 os curadores Ulrike Becker, Pirkko Husemann e André Theriault, propuseram como foco orientador “A ética na existência humana” e a “Historia da Dança” dando especial atenção aos jovens criadores. Existiu um cuidado por parte da equipa em afirmar que a temática surge da observação das questões com que os artistas se ocupam actualmente. A Dança hoje não se cinge apenas à produção de experiências estéticas, os trabalhos cada vez mais reflectem a consciência social e politica dos seus criadores”. Sabemos que o olhar prospectivo comporta consigo necessariamente um olhar retrospectivo, que seja, sobretudo, a consciência do tempo em que vivemos. Quem tem a consciência do tempo em que vive está também aberto ao futuro. Talvez a grande questão que se coloca seja não apenas saber de onde vimos, mas também para onde vamos.
Ricardo Paulouro

Um sítio chamado Portugal

1 – Acabou o psicodrama do Orçamento. A  entrega do Orçamento de 2011 teve um epílogo paradoxal. Os portugueses não vão perdoar ao PS a aprovação deste orçamento, mas os portugueses também não vão perdoar o PSD se não aprovar este orçamento. Num quadro de falência alternativa, as eleições antecipadas constituíam uma lâmina apontada ao coração da oposição Passos Coelho, cuja a debilidade nunca tinha sido tão evidente. Entre o dramatismo da retórica, tão necessário à narrativa dos media, e o pavor de eleições antecipadas tão visível no PSD, era notória a duplicidade parlamentar, mais apostada, por ausência de soluções reais, em gerir a continuidade do que operar qualquer ruptura no tecido concreto da actualidade política. As debilidades da oposição (sobretudo o grupo que rodeia Passos Coelho) enfraqueceram o horizonte alternativo e o governo, tal como está, parece estar condenado a meter a cabeça debaixo da areia e viver no fio da navalha.

2- Por estes dias, uma petição surgiu na Internet a exigir o pluralismo de opinião na televisão em temas político-económicos, a petição ultrapassou as mil assinaturas em menos de uma semana, anunciaram os responsáveis. Muito ganhariam as populações do interior, sempre ausentes do discurso economês. Portugal está mais desigual. O rendimento “per capita” tem-se vindo a acentuar nestes últimos anos entre as demais regiões e Lisboa. Portugal esta cada vez mais desigual. A escandalosa evolução da desigualdade  territorial é o resultado directo da falta de uma visão de país e da falta de uma política de acção positiva em relação às regiões menos desenvolvidas , como é o caso da Beira Interior. Para os senhores economistas das tv`s e dos jornais de referência, o interior é apenas para passar fins de semanas, no turismo rural. A introdução de portagens na A23 (sem se ouvir um protesto dos deputados que representam o distrito de Castelo Branco, na Assembleia da República) é apenas mais um prego no caixão do interior. Siga o funeral.

3- De novo o fascínio das imagens. O documentário “wolfram a saliva do lobo” realizado por Rodolfo Pimenta e Joana Torgal estreia, esta terça-feira, às 19:00, no Doclisboa 2010, no Grande Auditório da Culturgest. Filmado nas Minas da Panasqueiraentre durante os anos 2008/2009. A narrativa é criada em torno do processo de extracção de minério e surge como uma abordagem à matéria orgânica em constante mutação. Mais uma obra que fica, pela singularidade criadora que a atravessa. Vamos vê-lo, saboreando imagem a imagem, descobrindo outras histórias, refazendo a memória de um comunidade importante da Beira Interior, e do país, a única mina de volfrâmio da Europa, por onde já passámos e que lemos agora com outros olhos.

Futebol: Paixão à primeira vista

Texto Ricardo Paulouro
A partir de hoje dia 11 de Junho tem início o primeiro campeonato do Mundo de Futebol jogado em África. Outra vez o mundo inteiro reduzido a uma bola de futebol. Nos dias de hoje, poucos acontecimentos são tão globais como o são um campeonato do mundo ou um campeonato da Europa de futebol. Essa é a força do beautiful game. Um fenómeno que consegue transcender todas as clivagens, sejam elas de natureza racial, social, religiosa ou geracional. Um desporto/espectáculo que associado aos novos meios de comunicação adquire uma presença verdadeiramente global (a este propósito, é curioso perceber como a FIFA conta com mais membros do que a própria ONU).
Como alguém disse, o futebol é o mais importante entre aquilo que não é importante. O fascínio que um espectáculo como o futebol pode ter sobre multidões, contaminando cada indivíduo que, de uma forma ou de outra acaba por se elevar à categoria de adepto, justifica a retransmissão das competições nos mais diversos locais, seguindo formas de transmissão desde o emocionante directo até aos planos angulares que captam meticulosamente cada pormenor, cada ângulo do campo. Apaixonante é o desporto-rei que nos mobiliza mas que também nos oferece um espaço de afirmação de identidades individuais e colectivas. Porque “semana após semana o jogo recorda-nos, de modo lancinante, a verdade fundamental de um mundo incerto: o destino é doravante um eterno recomeço”.
Durante os últimos anos o futebol europeu tem sido dominado pelos clubes ingleses e espanhóis, com o seu poder económico a impôr a sua supremacia futubolística. As outras ligas passaram para um nível secundário. Mas para os amantes do futebol um Mundial é o culminar de um ano futubolistico, onde o mundo anseia por ver, sobressair o talento que vai marcar o futebol nos próximos anos. Cristiano Ronaldo ou Leonel Messi? Este é o momento mais esperado por milhões de amantes do futebol . Mais uma vez que o grande jogo nos dê uma lição que teimamos em esquecer: no futebol a lógica não existe.

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