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As Muralhas de Elsinore – o outro lado de Hamlet.

Texto de Teresa Filipe Lopes – É a estreia dos “Diz Teresa Cinzenta”, uma companhia de teatro formada por 8 jovens actores. Jovens, mas só fora de palco. para lá do pano revelou-se uma obra de mestres que foi aplaudida de pé. Porque valeu a pena. porque estamos aqui, e no minuto seguinte… (more…)

“O que faz falta”: Um Hino à Liberdade no Teatro Villaret

Estreia hoje, no Teatro Villaret, “O que faz falta”, com encenação de Claudio Hochman. O espectáculo marca o início de uma nova programação para aquela que é uma das salas mais emblemáticas de Lisboa.
“O Que Faz Falta” conta a história da revolta do povo de Fuenteovejuna contra um comendador déspota e violador. Esta é a essência da história que Lope de Vega escreveu, uma história escrita no início do séc.XVII. Integramos as músicas de Chico Buarque de forma a sublinhar, agora numa leitura dos anos 60 e 70, um testemunho mais próximo de nós, da luta contra a prepotência e a ditadura. Tal como em 1600 o povo de Fuenteovejuna se revoltou contra o comendador, tal como nos anos 60 e 70 Chico Buarque lutou contra a ditadura, queremos que hoje cada um de nós tenha consciência do que faz falta para inventar um outro tempo.
“O Que Faz Falta” é o primeiro espectáculo de um novo projecto que está a ser  desenvolvido no Teatro Villaret, é um musical com canções de Chico Buarque, a partir da Fuenteovejuna de Lope de Vega e conta com um elenco de 11 actores e músicos portugueses e brasileiros. Este espectáculo propõe provocar uma reflexão em português sobre as múltiplas formas de se sair da crise e inventar um outro futuro.

Num Dia Igual aos Outros

Sobe ao palco no dia 11, na Sala Estúdio do TNDM II, e é a estreia da obra do dramaturgo americano John Kolvenbach nos palcos portugueses. Encenada por Marco Martins, a peça não poderia ser melhor interpretada por Gonçalo Waddington e Nuno Lopes. Dois irmãos, separados abruptamente na adolescência, reencontram-se após 15 anos e descobrem a verdade sobre o seu passado.
No espaço fechado de uma divisão, entregam-se a uma viagem sobre as suas vidas, onde recordam uma história negra sobre o misterioso desaparecimento do pai. John Kolvenbach assina este drama psicológico onde se traça o retrato de uma família disfuncional à procura da redenção.
Para o encenador Marco Martins, o desejo de encenar esta peça é antigo, tendo mesmo chegado a inserir um excerto da peça no filme “Alice”. Esta história psicologicamente forte sobre um passado de abandono e isolamento é agora levada à cena numa tradução do encenador com os actores e com Miguel Castro Caldas.

Teatro Reflexo estreia hoje em Sintra “Cock Tale – A Série”

'Cock Tale' estreia esta sexta-feira no Espaço Reflexo em Sintra.

O Teatro Reflexo estreia esta sexta-feira a sua mais recente produção “Cock Tale – A Série”. Um projecto que, segundo o criador da ideia, Michel Simeão, pode ser caracterizado como “Humor de Alto Risco”, por permitir aos actores um considerável espaço para o improviso.

Depois do inovador espectáculo “Crime na Casa Museu”, o Teatro Reflexo leva a cena um desafio ainda maior, “Cock Tale – A Série”

Um projecto singular num formato de série teatral, que dá vida a uma história que se conta por episódios. Uma série em que cada episódio tem princípio e fim, estando inserido num contexto de uma história global, onde existe uma evolução das personagens e continuidade da trama. (more…)

Blackbird no Teatro Nacional: uma história sobre o amor e o abuso

Estreia no dia 14, na Sala Estúdio do Teatro Nacional D. Maria II, “Blackbird”, uma história perturbante sobre a pedofilia e a obsessão sexual, do dramaturgo escocês David Harrower. Encenada e traduzida pelo também realizador Tiago Guedes, a peça é protagonizada por Isabel Abreu e Miguel Guilherme, numa co-produção com a produtora Take It Easy.
Produzida em 2005 para o Festival Internacional de Edimburgo e vencedora, em 2007, do Olivier Award para a melhor peça-revelação em Londres, “Blackbird” é uma história de amor e violência entre duas personagens.
Ray, 55 anos, é confrontado com o seu passado quando Una, 27 anos, aparece de surpresa no seu local de trabalho. Culpa, raiva, emoções fortes e cruas surgem enquanto eles relembram a relação apaixonada que ambos viveram há 15 anos atrás. “Blackbird” fala de um assunto delicado com sensibilidade e sem juízos morais, questiona os limites da nossa maneira de ver a vida, dos nossos tabus, das nossas concepções de amor e de abuso.
Para ver até 21 de Fevereiro, de 4ª a Sáb. às 21h45 e aos Dom. às 16h15.

Teatro Municipal da Guarda estreia peças de Vicente Sanches

São Francisco de Assis” e “Mundus Imaginalis num quadro de Van Gogh” são as duas peças da autoria de Vicente Sanches que o Projéc~ apresentará em estreia absoluta já no próximo dia 9 de Dezembro. Este é um espectáculo de regressos: o regresso de Américo Rodrigues ao trabalho enquanto actor, pois esteve mais dedicado à encenação e à escrita nos últimos anos e também o regresso do encenador Américo Rodrigues aos textos de Vicente Sanches, do qual se declara um profundo admirador. «Sou um profundo admirador da obra teatral de Vicente Sanches. Já tinha encenado “Van Gogh” e sempre tive vontade de encenar e interpretar as sucessivas peças que ele edita. Talvez por causa do humor desconcertante e, por vezes, do jogo de palavras. Surgiu agora a oportunidade de estrear duas pequenas peças de Vicente Sanches, escritas em 2006. Quando as li, sofregamente, pensei logo que deveria ser eu a representá-las», explica o actor e encenador.

Vicente Sanches nasceu em 1936. Vive em Castelo Branco. Publicou, através das edições Cotovia, vários títulos de teatro como: “Grupo de Vanguarda” (1998), “A Birra do Morto”, “Promissão do Quinto Império, Metáfora” (1998); “Quinto Império ou A Musa da Casa de Ser” (1999) e “Aforismos de Aforismos” (2001). Os seus textos foram encenados, entre outros por Ricardo Pais, António Augusto Barros, Mário Viegas e Américo Rodrigues. Viu também a obra “O Passado e o Presente” adaptada ao cinema por Manoel de Oliveira.

Em palco no TMG vão estar duas histórias do dramaturgo português: “São Francisco de Assis” e “Mundus Imaginalis num quadro de Van Gogh”; um actor: Américo Rodrigues e um músico: César Prata. No espectáculo, o actor interpreta «um São Francisco e um cão que quer ser… franciscano. E na outra história, um singular conferencista que vê num quadro de Van Gogh o rosto de um grande escritor português», explica Américo Rodrigues.

Trata-se da 8ª produção da estrutura de produção teatral do TMG, o Projéc~. A peça ficará em cena de 9 a 11 de Dezembro no Pequeno Auditório, às 21h30. Os textos são de Vicente Sanches, a música original com interpretação ao vivo é de César Prata, a cenografia é de Zigud, os figurinos são de Maria Lino e o Desenho de Luz é da autoria de António Freixo.

De referir ainda que esta produção tem o apoio da Câmara Municipal de Castelo Branco.

O Banqueiro Anarquista, no Teatro da Trindade

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Annalisa Biancho e Virginio Liberti encenam e Laura Nardi e Amândio Pinheiro interpretam um dos textos mais emblemáticos de Fernando Pessoa. Tudo se passa no fim de um jantar. Entre cadeiras já vazias, o Banqueiro conversa entusiasmado com uma jovem mulher, afinal há alguém que o ouve no fim de festa, com ela faz uma retrospectiva da sua vida e do que o levou a ser ainda Anarquista. Não percebe que é com a Morte que dialoga e esta confronta-o muitas vezes com palavras do Livro do Desassossego. Neste texto, Pessoa intuiu aquilo que seria o século XX. Não é por acaso que é um banqueiro o protagonista. Qual o seu inimigo número um? As ficções sociais. Qual o preço a pagar pela libertação: a solidão de um homem que nunca deixou de estar só na ascensão social. Fruto da crise e vivendo nós um momento social conturbado (tal como o Portugal de 1922 o era), havendo uma descredibilização generalizada da classe política e das suas soluções tradicionais à esquerda e à direita, o anarquismo aparece como “organismo ideológico” moldável a contextos complexos como o actual. Quando Pessoa escreve este texto a sua intenção é satirizar os movimentos anárquicos que despoletavam num momento histórico – económico que assiste à consolidação de uma sociedade baseada na acumulação do capital e em que o mercado da alta finança substitui a produção industrial e a tradicional transacção comercial.

Para ver de 10 a 13 de Dezembro, às 20h30 e ao Domingo às 16h, na Sala Principal do Teatro da Trindade

Desafiados por Shakespeare: “Otelo”

Fotografia de Ana Pereira

Fotografia de Ana Pereira

Texto de Ricardo Paulouro
A  ACE/Teatro do Bolhão apresenta a peça “Otelo” de Shakespeare, com encenação do conceituado encenador Kuniaki Ida, japonês que tirou o curso na Universidade de Teatro e Arte em Tóquio e fundou e dirigiu a Escola Internacional de Teatro Kuniaki Ida, em Milão. A representação da famosa peça de Shakespeare conta com um elenco que inclui nomes como António Capelo (Director do ACE), António Júlio, Carlos Peixoto, João Paulo Costa, José Moreira, Pedro Fiuza (um regresso aos palcos muito aguardado), Rita Lello, João Melo, entre outros. A peça conta a história de Otelo, o mouro de Veneza, que se assemelha à de Romeu e Julieta, devido ao amor cego e trágico entre o protagonista e Desdémona. Otelo foi induzido em erro por Iago, que pela sua sede de poder fez com que acreditasse que Cássio (um soldado de Otelo intermediário entre as suas relações com Desdêmona e que foi promovido a tenente no lugar de Iago) estaria a ter um caso com a sua esposa. Na história, Otelo asfixia Desdémona pouco tempo antes de saber que, na verdade, tudo não passou de um plano maquiavélico de Iago para ficar com o posto de Cássio. A produção está a cargo de Pedro Aparício e Glória Cheio e pode ser vista até dia 20 de Dezembro, às 21h30, no ACE/Teatro do Bolhão.

Um teatro para o Porto
Fundado em 2003 por um grupo de doze profissionais de várias áreas da criação e produção teatral associados à Academia Contemporânea do Espectáculo (ACE), o Teatro do Bolhão tem, nos últimos anos, procurado, com sucesso, implantar-se no tecido cultural do Porto. O êxito explica-se, dado o repertório acima de suspeita: para além dos clássicos, o grupo tem ainda levado à cena textos contemporâneos de pendor realista (como a peça “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?”, de Edward Albee, “Começar a Acabar”, de Beckett, entre muitas outras produções. E dada a sua estreita ligação à ACE, é-lhe relativamente fácil integrar, nos seus projectos, jovens profissionais que renovam os seus quadros artísticos e técnicos. Mas para a implantação do Teatro do Bolhão tem também sido fundamental o programa de itinerância da companhia, que circula sistematicamente por cerca de quinze teatros municipais.

Porque é impossível não gostar de Shakespeare
Pouco ficou documentado sobre a vida de Shakespeare mas, a julgar pelo seu registo de baptismo, acredita-se que terá nascido em 1564, no seio de uma família de comerciantes. Apesar de não ter chegado a ir à Universidade, frequentou a escola. Em 1582, com apenas 18 anos, casou-se com Anne Hathaway, oito anos mais velha, e desse casamento nasceram três filhos: Susanna (1582) e os gémeos Judith e Hamnet (1586). Hamnet morreu em 1587, sem que hoje se conheçam as causas. Entre 1586 e 1592, a vida de Shakespeare passou por um período menos claro. É muito possível que tenha deixado a terra natal, Stratford-upon-Avon, e a família, para se juntar a uma trupe de actores em digressão, embora haja quem defenda que, durante esse tempo, tenha trabalhado como preceptor ou mestre-escola. Certo é que, em 1592, já era conhecido nos teatros londrinos, como autor. A profissão teatral era, de resto, emergente na altura e havia procura de autores que escrevessem para a cena. Shakespeare vendia os seus escritos e era tão bem sucedido que, em 1594, tornou-se sócio da companhia de Lord Chamberlain’s Men, que tinha por mecenas Henry Wriothesley. Em 1594, já Shakespeare tinha escrito as comédias “The Comedy of Errors”, “The Two Gentlemen from Verona” e “The Taming of the Shrew”; e as tragédias “Titus Andronicus” e “Richard III”. Dividindo-se entre os palcos e a pena – para além de escrever, Shakespeare gostava também de representar – o autor assinará, a partir de 1594, uma média de duas peças por ano. Entre esse ano e 1598 escreveu “King John”, “Love’s Labour’s Lost”, “A Midsummer Night’s Dream”, “The Merchant of Venice”, “Romeo and Juliet”, “Richard II”, “Henry IV” e “Henry V”. Entretanto, o dinheiro ganho com a sua actividade era rapidamente investido: Shakespeare comprou uma casa imponente em Stratford, e investiu no negócio do malte. Em 1598, perante a ameaça de fecho do teatro (por parte do senhorio), a companhia mudou-se para a zona sul do rio Tamisa e aí construiu um novo teatro, baptizando-o como The Globe. E é aí que começa o período mais florescente da escrita de Shakespeare. Entre em 1599 e 1608, escreveu “Much Ado About Nothing”, “As You Like It”, “Twelfth Night”, “All’s Well That Ends Well”, “Troilus and Cressida”, “The Merry Wives of Windsor”. Escreveu, também, as grandes tragédias “Julius Caeser”, “Hamlet”, “Othello”, “Antony and Cleopatra”, “Coriolanus” e “Timon of Athens”. Neste período, a companhia adquiriu um novo estatuto: passaram a ser The King’s Men (os homens do rei). Shakespeare continuava a adquirir bens em Stratford, sobretudo terras, e a partir de 1608, já perseguido pela fama dos seus rivais mais jovens (os dramaturgos emergentes Beaumont e Fletcher), escreveu as suas últimas peças: “Péricles, Prince of Tyre, “Cymbeline”, “The Winter’s Tale”, “The Tempest”, “Henry VIII”, “The Two Noble Kinsmen” e “Cardenio” (hoje perdida). Em 1613, o Globe foi destruído pelo fogo e Shakespeare perdera o ascendente no panorama teatral londrino. É razoável supor que se terá retirado, passando os seus últimos anos em Stratford. Morreu em 1616.

Obras consultadas:
Cambridge Guide to the Theatre, Cambridge University Press, 1995, Dictionnaire Encyclopédique du Théâtre, Bordas, 1995

Principais Obras

Comédias
O Mercador de Veneza
Sonho de uma Noite de Verão
A Comédia dos Erros
Os Dois Cavalheiros de Verona
Muito Barulho por Nada
Noite de Reis
Medida por Medida
Conto do Inverno
Cimbelino
A Megera Domada
A Tempestade
Como Quiseres
Tudo está bem quando termina bem
As Alegres Comadres de Windsor
Trabalhos de Amor Perdidos
Péricles

Tragédias

Tito Andrónico
Romeu e Julieta
Júlio César
Macbeth
António e Cleópatra
Coriolano
Timão de Atenas
Rei Lear
Otelo, o Mouro de Veneza
Hamlet
Tróilo e Créssida
A Tempestade
Dramas Históricos
Rei João
Ricardo II
Ricardo III
Henrique IV, Parte 1
Henrique IV, Parte 2
Henrique V
Henrique VI, Parte 1
Henrique VI, Parte 2
Henrique VI, Parte 3
Henrique VIII
Eduardo III

“Vulcão” de Abel Neves no Teatro Nacional

João Grosso encena e Custódia Galego interpreta "Vulcão" de Abel Neves

João Grosso encena e Custódia Galego interpreta , "Vulcão", de Abel Neves. Fotografia de Margarida Dias

O TNDM II apresenta, no dia 26 de Novembro, na Sala Estúdio, Vulcão, de Abel Neves. Este é um monólogo com Custódia Gallego que aborda, de forma emocionante, temas como a violência física e psicológica, numa clara remissão para o extermínio alemão nazi. O dramaturgo, poeta e romancista Abel Neves tem publicadas várias obras para teatro, muitas delas representadas, traduzidas, publicadas e lidas em Portugal e no estrangeiro. Foi, recentemente, o vencedor da III edição do Prémio Luso-Brasileiro de Dramaturgia António José da Silva.  Submissa quanto pode, e deve ser, Valdete vive os seus dias nas garras de um monstro, o seu marido Samuel. Antes de casar, sonhou com ele um amor feliz, mas depois o nascimento de um filho cego revela a natureza bizarra do seu homem. Obcecado com a ideia do extermínio, de acabar com os fracos, Samuel recolhe todos os cães que encontra e atira-os à morte, construindo perto da casa um poço semelhante ao dos antigos fojos de lobo. Uma noite, entrega o seu pequeno filho à máfia do tráfico de órgãos e, muito provavelmente também, à morte. Prisioneira na sua própria casa, algemada, Valdete resiste ao martírio, à violação e, sempre na esperança de poder saber onde está o seu querido filho, aceita continuar a vida junto do homem que odeia. Até que ele, alcoolizado, sofre um ataque…

Eunice Muñoz no palco do Teatro Nacional nove anos depois

Foto de Margarida Dias

Foto de Margarida Dias

O monólogo “O ano do pensamento mágico” marcou  o regresso de Eunice Muñoz ao palco do Teatro Nacional D. Maria II de onde estava afastada desde há nove anos. Com a sala completamente cheia, Eunice Muñoz, foi aplaudida de pé durante vários minutos, no final da peça. “O ano do pensamento mágico”, de Joan Didion, conhecida escritora e argumentista norte-americana, inspira-se na experiência pessoal da dramaturga e surge no palco do TNDMII numa encenação de Diogo Infante. A estreia está marcada para as 21.30 horas.

Dossier Eunice Muñoz

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