Escrito por Editor
Cultura, Livros, Últimas Notícias
16 - 01 - 2010

fotografia de Luísa Ferreira
É poeta, autor de livros para crianças, colunista e tradutor. Foi jornalista, professor e membro do Conselho de Imprensa. Manuel António Pina, 66 anos, nasceu no Sabugal. A Câmara Municipal da Guarda, o TMG e o CEI juntam-se agora para divulgar a obra de um dos maiores escritores da actualidade. A iniciativa incluirá exposições, seminários, teatro e poesia do autor em diversos espaços da Guarda entre 16 e 22 de Janeiro do próximo ano.
O ciclo tem início a 16 de Janeiro com a peça “O Escaravelho Contador” da Companhia de Teatro de Braga que actua no Pequeno Auditório do TMG, às 16.00h, no âmbito da iniciativa Famílias ao Teatro. «Como uma caixa dentro de uma caixa, dentro de uma caixa, dentro de uma caixa o escritor escreve as histórias que o escaravelho lhe contou e que o encenador transforma em imagens no teatro e de que por sua vez os
actores são os fazedores», explica o texto de apresentação do espectáculo. Trata-se de uma história baseada no livro “História que me contaste tu” de Manuel António Pina. É pois um livro «que se transforma em teatro para os mais novos que por sua vez levarão os mais crescidos a acompanhá-los nestas histórias vivas». A peça é para maiores de quatro anos e tem a encenação e dramaturgia de José Caldas, cenografia e figurinos de José António Cardoso, desenho de luz de Fred Rompante e conta ainda com a interpretação de Carlos Feio, Jaime Soares, Rogério Boane, Solange Sá, Teresa Chaves e Alexandre Sá.
A 18 de Janeiro é inaugurada na Galeria do Paço da Cultura uma exposição da autoria da artista plástica e ilustradora Ilda David’ que reúne as ilustrações do livro “O sábio fechado na sua biblioteca”, da autoria de Manuel António Pina. A exposição tem entrada livre e ficará patente até 27 de Fevereiro.
Sobre o mesmo livro é apresentada uma peça homónima, marcada para o dia 20 no Pequeno Auditório do TMG. A “História do sábio fechado na sua biblioteca” é apresentada pela companhia Pé de Vento em duas sessões. A primeira às 10h00 para o público das escolas e a segunda às 21h30 para o público em geral. A peça conta a história de um Sábio que vivia há muitos anos fechado na sua Biblioteca e sabia tudo. Nada do que existia, e até do que não existia, tinha para ele segredos. Sabia quantas estrelas há no céu e quantos dias tem o mundo, até ao dia que um estrangeiro lhe bate à porta. O espectáculo tem encenação de João Luiz, cenografia de João Calvário e Rui Azevedo, figurinos de Susanne Rösler, música original de Pedro Junqueira Maia, desenho de luz de Rui Damas e interpretação de Rui Spranger e Sara Paz.
Também no dia 20, mas às 18h00, na Sala Tempo e Poesia da Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, está marcada a inauguração da exposição “Manuel António Pina – Palavras, livros, registos, percursos, crónicas, lembranças…”. Trata-se de uma exposição bio-bibliográfica sobre o autor, que mostrará o percurso pessoal e profissional do multifacetado Manuel António Pina. A exposição ficará patente na BMEL até 27 de Fevereiro.
No dia seguinte, 21 de Janeiro, às 09h00 na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço decorre o Seminário Ibérico “Manuel António Pina – Palavras para além das Fronteiras”. A iniciativa estará dividida em três painéis: Poesia, Literatura Infanto-Juvenil e Jornalismo. Para o primeiro painel a organização convidou como oradores António Sáez Delgado da Universidade de Évora, Gabriel de la S. T. Sampol da Universidade das Islas Baleares e Inês Fonseca Santos, jornalista. Para o painel Literatura Infanto-Juvenil estão previstas as intervenções de Perfecto Quadrado da Universidade das Islas Baleares, Sara Reis da Silva da Universidade do Minho e Adelaide Lopes da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico da Guarda. No terceiro e último painel, sobre Jornalismo, intervirão José Carlos Vasconcelos (Jornal de Letras), Luís Miguel Queirós (Público), Viale Moutinho (Diário de Notícias), Fernando Paulouro (Jornal do Fundão) moderados pelo também jornalista da revista Visão Pedro Dias de Almeida. O Seminário Ibérico contará ainda com a conferência inaugural de Arnaldo Saraiva, professor universitário, investigador literário, ensaísta, cronista e poeta e ainda com a conferência de encerramento do ensaísta português Eduardo Lourenço.
Logo após o seminário e ainda na BMEL será apresentado, às 18h00, o prémio literário Manuel António Pina, a atribuir nas áreas da literatura para a infância e da poesia (alternadamente). Será também apresentado o regulamento e as condições de acesso a este galardão que passará a marcar anualmente o panorama cultural da cidade.
Ainda no dia 21, às 21h30, é apresentado no Pequeno Auditório do TMG o recital “Poesia Reunida”. Uma iniciativa que reunirá em palco gente conhecida e também alguns anónimos para recitar poesia da autoria de Manuel António Pina. Todos eles terão o acompanhamento ao piano de Élia Fernandes que assina também a autoria de todas as músicas, criadas propositadamente para cada um dos poemas.
Ainda na área da poesia destacamos a iniciativa “Poemas de Manuel António Pina na Rádio”. Numa colaboração com a Rádio Altitude (90.9 fm), serão divulgados de hora a hora entre as 07h e as 20h, poesia do autor lida por gente dás áreas do teatro e da rádio.
Entre 18 e 22 de Janeiro, será dinamizado pelo Serviço Educativo do TMG uma oficina que tem como destinatários os alunos das escolas do concelho. A oficina incide sobre a Matemática e a Música e consiste numa actividade didáctica com base num jogo de cartas original criado pela artista plástica Brígida Ribeiro, com ilustrações originais. Este jogo, baseado no “Livro da Desmatemática” de Manuel António Pina, tem como objectivo constituir famílias de múltiplos, ao mesmo tempo que as crianças descobrem os textos de Manuel António Pina. Paralelamente e de forma complementar a este jogo, a oficina conta também com uma componente musical que apela a jogos fonéticos que têm por base textos do autor.
Escrito por Editor
Cultura, Livros, Últimas Notícias
15 - 12 - 2009

Durante vários dias a Guarda reflecte sobre a obra de M.A.P. Fotografia de Ricardo Paulouro /A23
É poeta, autor de livros para crianças, colunista e tradutor. Foi jornalista, professor e membro do Conselho de Imprensa. Manuel António Pina, 66 anos, nasceu no Sabugal. A Câmara Municipal da Guarda, o TMG e o CEI juntam-se agora para divulgar a obra de um dos maiores escritores da actualidade. A iniciativa incluirá exposições, seminários, teatro e poesia do autor em diversos espaços da Guarda entre 16 e 22 de Janeiro do próximo ano.
O ciclo tem início a 16 de Janeiro com a peça “O Escaravelho Contador” da Companhia de Teatro de Braga que actua no Pequeno Auditório do TMG, às 16.00h, no âmbito da iniciativa Famílias ao Teatro. «Como uma caixa dentro de uma caixa, dentro de uma caixa, dentro de uma caixa o escritor escreve as histórias que o escaravelho lhe contou e que o encenador transforma em imagens no teatro e de que por sua vez os
actores são os fazedores», explica o texto de apresentação do espectáculo. Trata-se de uma história baseada no livro “História que me contaste tu” de Manuel António Pina. É pois um livro «que se transforma em teatro para os mais novos que por sua vez levarão os mais crescidos a acompanhá-los nestas histórias vivas». A peça é para maiores de quatro anos e tem a encenação e dramaturgia de José Caldas, cenografia e figurinos de José António Cardoso, desenho de luz de Fred Rompante e conta ainda com a interpretação de Carlos Feio, Jaime Soares, Rogério Boane, Solange Sá, Teresa Chaves e Alexandre Sá.
A 18 de Janeiro é inaugurada na Galeria do Paço da Cultura uma exposição da autoria da artista plástica e ilustradora Ilda David’ que reúne as ilustrações do livro “O sábio fechado na sua biblioteca”, da autoria de Manuel António Pina. A exposição tem entrada livre e ficará patente até 27 de Fevereiro.
Sobre o mesmo livro é apresentada uma peça homónima, marcada para o dia 20 no Pequeno Auditório do TMG. A “História do sábio fechado na sua biblioteca” é apresentada pela companhia Pé de Vento em duas sessões. A primeira às 10h00 para o público das escolas e a segunda às 21h30 para o público em geral. A peça conta a história de um Sábio que vivia há muitos anos fechado na sua Biblioteca e sabia tudo. Nada do que existia, e até do que não existia, tinha para ele segredos. Sabia quantas estrelas há no céu e quantos dias tem o mundo, até ao dia que um estrangeiro lhe bate à porta. O espectáculo tem encenação de João Luiz, cenografia de João Calvário e Rui Azevedo, figurinos de Susanne Rösler, música original de Pedro Junqueira Maia, desenho de luz de Rui Damas e interpretação de Rui Spranger e Sara Paz.
Também no dia 20, mas às 18h00, na Sala Tempo e Poesia da Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, está marcada a inauguração da exposição “Manuel António Pina – Palavras, livros, registos, percursos, crónicas, lembranças…”. Trata-se de uma exposição bio-bibliográfica sobre o autor, que mostrará o percurso pessoal e profissional do multifacetado Manuel António Pina. A exposição ficará patente na BMEL até 27 de Fevereiro.
No dia seguinte, 21 de Janeiro, às 09h00 na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço decorre o Seminário Ibérico “Manuel António Pina – Palavras para além das Fronteiras”. A iniciativa estará dividida em três painéis: Poesia, Literatura Infanto-Juvenil e Jornalismo. Para o primeiro painel a organização convidou como oradores António Sáez Delgado da Universidade de Évora, Gabriel de la S. T. Sampol da Universidade das Islas Baleares e Inês Fonseca Santos, jornalista. Para o painel Literatura Infanto-Juvenil estão previstas as intervenções de Perfecto Quadrado da Universidade das Islas Baleares, Sara Reis da Silva da Universidade do Minho e Adelaide Lopes da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico da Guarda. No terceiro e último painel, sobre Jornalismo, intervirão José Carlos Vasconcelos (Jornal de Letras), Luís Miguel Queirós (Público), Viale Moutinho (Diário de Notícias), Fernando Paulouro (Jornal do Fundão) moderados pelo também jornalista da revista Visão Pedro Dias de Almeida. O Seminário Ibérico contará ainda com a conferência inaugural de Arnaldo Saraiva, professor universitário, investigador literário, ensaísta, cronista e poeta e ainda com a conferência de encerramento do ensaísta português Eduardo Lourenço.
Logo após o seminário e ainda na BMEL será apresentado, às 18h00, o prémio literário Manuel António Pina, a atribuir nas áreas da literatura para a infância e da poesia (alternadamente). Será também apresentado o regulamento e as condições de acesso a este galardão que passará a marcar anualmente o panorama cultural da cidade.
Ainda no dia 21, às 21h30, é apresentado no Pequeno Auditório do TMG o recital “Poesia Reunida”. Uma iniciativa que reunirá em palco gente conhecida e também alguns anónimos para recitar poesia da autoria de Manuel António Pina. Todos eles terão o acompanhamento ao piano de Élia Fernandes que assina também a autoria de todas as músicas, criadas propositadamente para cada um dos poemas.
Ainda na área da poesia destacamos a iniciativa “Poemas de Manuel António Pina na Rádio”. Numa colaboração com a Rádio Altitude (90.9 fm), serão divulgados de hora a hora entre as 07h e as 20h, poesia do autor lida por gente dás áreas do teatro e da rádio.
Entre 18 e 22 de Janeiro, será dinamizado pelo Serviço Educativo do TMG uma oficina que tem como destinatários os alunos das escolas do concelho. A oficina incide sobre a Matemática e a Música e consiste numa actividade didáctica com base num jogo de cartas original criado pela artista plástica Brígida Ribeiro, com ilustrações originais. Este jogo, baseado no “Livro da Desmatemática” de Manuel António Pina, tem como objectivo constituir famílias de múltiplos, ao mesmo tempo que as crianças descobrem os textos de Manuel António Pina. Paralelamente e de forma complementar a este jogo, a oficina conta também com uma componente musical que apela a jogos fonéticos que têm por base textos do autor.
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Cultura, Livros
06 - 12 - 2009

A Porto Editora lançou a antologia Poemas Portugueses que reune mais de dois mil poemas portugueses de 267 autores. Organizada por Rui Lage e Jorge Reis-Sá, esta será a maior antologia de poesia portuguesa jamais reunida num só volume. Os antologiadores consideram que o elemento de distinção da obra, relativamente às organizadas no passado, é o facto de ela ser “a primeira antologia panorâmica que abarca a poesia portuguesa desde os seus alvores, na transição do século XII para o século XIII até ao ano de 2008″. A antologia está organizada por ordem cronológica do nascimento de cada poeta, abrindo com a “Cantiga de Garvaia”, de Pai Soares de Taveirós, trovador do primeiro decénio do século XIII, e fechando com um poema de Outubro de 2008, “Rasto”, de Luís Quintais. O prefácio de Poemas Portugueses é de Vasco Graça Moura.
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Cultura, Livros
23 - 11 - 2009

Américo Rodrigues, director do Teatro Municipal da Guarda
Américo Rodrigues, Fernando Mora Ramos, José Luís Ferreira e Manuel Portela encontram-se em Quatro ensaios à boca de cena – para uma política teatral e da programação, uma edição da Cotovia, com prefácio de José Gil, que reflecte sobre o teatro português e as novas políticas culturais. Os ensaios são diversificados. Fernando Mora Ramos, com um extenso currículo à frente do CENDREV, em projectos do TNSJ ou da programação de Coimbra – Capital da Cultura 2003 fala sobre “Teatro Português: Para uma superação da insignificância”, Américo Rodrigues, director do Teatro Municipal da Guarda desde 2005 reflecte sobre “A descentralização. A Rede. As políticas culturais.”. José Luís Ferreira, actual coordenador do Departamento de Relações Internacionais do Teatro Nacional São João, assina o ensaio “Não é fácil…”. Manuel Portela, director do Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra, entre 2005 e 2008, assina um texto sobre essa experiência, intitulado “TAGV 2005-2008: Uma Experiência Interrompida”. No prefácio, José Gil reforça a importância desta obra para a reflexão sobre as artes em Portugal: “Acredito que este livro abrirá a oportunidade para um vasto debate, a nível nacional, sobre o presente e o futuro do teatro no nosso país”.
Escrito por Editor
Cultura, Livros
18 - 11 - 2009

O Irão foi palco, nos últimos vinte e cinco anos, de vários eventos traumáticos. No ano em que se assinalam os 30 anos da Revolução de 1979, esta antologia mostra como está a ocorrer um verdadeiro renascimento cultural nas artes do país. Editado pela Nova Vega, este livro quebra a barreira que se tem colocado um pouco por todo o mundo de termos acesso aos novos rumos desta literatura. A ausência de traduções tem-nos privado de bons textos desde a Revolução e de uma cultura rica. A antologia reúne dois grupos de escritores iranianos – os escritores consagrados antes da Revolução e que continuaram a publicar após este período – Mahmud Dowlatabadi, Hushgang Golshiri, Simin Daneshvar (a primeira mulher romancista), Nassim Khaksar e Iraj Pezeshkad – e um segundo grupo de escritores que começaram a publicar após a Revolução e que abordam agora na sua obra alguns daqueles que são ainda considerados temas tabu (Reza Daneshavar, Farkondeh Aghai, Assghar Abdollahi, Seyyed Ebrahim Nabavi, Shahriyar Mandanipur, Ghazi Rabihavi e Goli Taraghi). Um livro a descobrir.
Escrito por Editor
Cultura, Livros
29 - 10 - 2009

O escritor chileno regressa ao romance com uma grande homenagem ao idealismo dos perdedores. Prémio Primavera de Romance 2009, A Sombra do que Fomos é um virtuoso exercício literário posto ao serviço de uma história carregada de memórias do exílio, de sonhos desfeitos e de ideais destruídos. Um romance escrito com o coração e o estômago, que comove o leitor, lhe arranca sorrisos e até gargalhadas, levando-o no fim a uma reflexão profunda sobre a vida.
Num velho armazém de um bairro popular de Santiago do Chile, três sexagenários esperam impacientes pela chegada de um quarto homem. Cacho Salinas, Lolo Garmendia e Lucho Arencibia, antigos militantes de esquerda derrotados pelo golpe de estado de Pinochet e condenados ao exílio, voltam a reunir-se trinta e cinco anos depois, convocados por Pedro Nolasco, um antigo camarada sob cujas ordens vão executar uma arrojada acção revolucionária. Mas quando Nolasco se dirige para o local do encontro é vítima de um golpe cego do destino e morre atingido por um gira-discos que insolitamente é lançado por uma janela, na sequência de uma desavença conjugal…
Luis Sepúlveda nasceu em Ovalle, no Chile, em 1949. Da sua vasta obra, toda ela traduzida em Portugal, destacam-se os romances O Velho que lia Romances de Amor e História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar, ambos já adaptados ao cinema. Mas Mundo do Fim do Mundo, Nome de Toureiro, Patagónia Express, Encontros de Amor num País em Guerra ou Diário de um Killer Sentimental, por exemplo, conquistaram também, em todo o mundo, a admiração de milhões de leitores.
Escrito por Editor
Cultura, Livros
26 - 10 - 2009

Existe, nos últimos romances de José Saramago, uma clara atracção pelos temas históricos. Desde os tribunais da Inquisição, passando pela construção do Convento de Mafra, o Nobel da Literatura regressa aqui a um dos dilemas que mais parece atormentar Saramago e, ao que parece, grande parte da critica: a fronteira entre o sagrado e o profano. Caim é a visão de Saramgo de um dos episódios bíblicos mais emblemáticos: em suma, Deus é considerado o autor moral do assassinato de Abel. Filho primogénito de Adão e Eva segundo o Antigo Testamento da Bíblia, Caim sentiu ciúmes por Deus ter preferido as ofertas feitas pelo irmão mais novo, Abel, e matou-o, cometendo o primeiro homicídio na história da Humanidade. Pilar del Rio já afirmou que, apesar do tema, este “não é um tratado de teologia, nem um ensaio, nem um ajuste de contas: é uma ficção em que Saramago põe à prova a sua capacidade narrativa ao contar, no seu peculiar estilo, uma história de que todos conhecemos a música e alguns fragmentos da letra”.
Relembre-se que, em 1991, O Evangelho Segundo Jesus Cristo causou acesa polémica em Portugal e viria a ser vetado pelo governo à época para concorrer ao Prémio Europeu de Literatura, iniciativa que pesou na decisão do escritor para abandonar o país e passar a residir em Lanzarote, Espanha.
Aos 86 anos, José Saramago edita agora um livro que parte de uma reflexão pessoal sobre Deus, mas também sobre a própria Humanidade. Caim estará à venda nas livrarias em Portugal, Espanha e América Latina.
Escrito por Editor
Cultura, Livros, País
16 - 10 - 2009

Na apresentação do seu livro “O Caderno” pela editora Bollati Boringhieri, José Saramago fez duras críticas a Berlusconi acusando-o de atitudes fascistas.
“Não é um fascismo como o dos anos trinta, feito de gestos ridículos como levantar o braço. Mas tem outros gestos igualmente ridículos. Não será um fascismo de camisas negras, mas sim de laços Armani”.
Saramago, que chegou esta semana a Roma, vindo de Alba (Piamonte), emocionou o público e fê-lo aplaudir estas afirmações: “Berlusconi diz que é ofensivo que uma prostituta vá à televisão. E ir para a cama do primeiro-ministro, não é?” Saramago fará 87 anos no próximo mês e admitiu que esta será a sua última viagem a Itália.
A forte recepção que teve até agora é para Saramago um sinal de que “já não há diferença entre a escrita num blog e a escrita literária”.
Escrito por Editor
Cultura, Livros
24 - 09 - 2009
31-01-2009 | Cultura: Livros
Texto de Margarida Gil dos Reis
Editado pela Tinta da China, “A Invenção do Cinema Português”, de Tiago Baptista, é uma excelente sugestão de leitura para quem quer compreender a evolução operada no cinema em Portugal. Por detrás das várias fotografias e sinopses de filmes, destaca-se uma reflexão sobre a dita cinematografia nacional que, de forma provocatória, começa com uma negação de uma famosa afirmação de Bénard da Costa: “O cinema português nunca existiu”, título da monografia publicada em 1996 (edições CTT) e tese por ele explorada no documentário de Manuel Mozos, “Cinema Português?” (1997).
Para Tiago Baptista, essa é justamente a tese desde livro, que acaba por ser uma rigorosa história do cinema em Portugal, que nos indica uma bibliografia composta sobretudo por artigos dispersos em livros ou em revistas.
A partir de uma selecção de meia centena de filmes, desde “Saída do Pessoal da Camisaria Confiança” (1896), de Aurélio Paz dos Reis, a “Aquele Querido Mês de Agosto” (2008), filme de Miguel Gomes, Tiago Baptista mostra-nos como o debate sobre esta temática é uma obsessão antiga que acabou por ser alvo de uma construção da própria ideia do cinema em Portugal.
A construção dessa ‘portugalidade’ é demonstrada através da reprodução de cartazes dos anos 30 e 40, incluídos no livro, tendo sido o último filme a publicitar-se como “português” “Os Verdes Anos” (1963). Para o autor, apesar de nos anos 60 ter existido uma ruptura relativamente ao cinema da década de 50, o esforço por representar uma ideia de Portugal mantém-se. Existe, por isso, neste livro a necessidade de demonstrar uma continuidade cronológica e um dinâmica que convergiam no objectivo de criar uma cinematografia nacional.
Tiago Batista (2008), A Invenção do Cinema Português. Lisboa: Tinta da China. 231 pp.
Escrito por Editor
Cultura, Livros
24 - 09 - 2009
18-01-2009 | Cultura: Livros
Texto de Margarida Gil dos Reis
Entre os melhores da poesia portuguesa contemporânea, Eugénio de Andrade tem um lugar enraizado em seis décadas de obra. Prestes a sair uma nova edição do livro “À Sombra da Memória”, com um texto inédito de Gonçalo M. Tavares, assim como outros textos de Eugénio de Andrade, relembramos aqui uma das últimas edições da Fundação Eugénio de Andrade. Poesia, revista e acrescentada por Arnaldo Saraiva e editada pela Fundação, comprova, por um lado, a grandeza do poeta e, por outro, o rigor e a lapidação da palavra de que Eugénio de Andrade era mestre.
Com o mesmo aspecto gráfico, o mesmo título, em tudo idêntica à edição de 2000, a segunda edição de Poesia mostra-nos o trabalho e rigor que sustentam a simplicidade do dizer que tem caracterizado a obra de Eugénio de Andrade. Os 41 poemas de Os Sulcos da Sede (2001) foram acrescentados a esta segunda edição, bem como pequenas correcções gramaticais, grafias e substituições pontuais feitas pelo poeta. Na «Nota Final», Arnaldo Saraiva legitima a opção de não incluir outros poemas posteriores a Os Sulcos da Sede, uma vontade expressa pelo próprio Eugénio. A esta reedição soma-se ainda a rigorosa bibliografia actualizada, para além da fixação do texto que, no espaço de cinco anos, foi reescrito, ou não fosse esse o ‘ofício’ do poeta. Arnaldo Saraiva chega mesmo a referir uma das alterações mais importantes: a “reposição da segunda estrofe do poema “Rente ao Chão”, de Rente ao Dizer, que o Poeta não incluíra em Poesia por sugestão de um amigo mas que disso se arrependera, como confessou a Dario Gonçalves”. Na saída da primeira edição de Poesia, Eugénio dedica-a a Arnaldo Saraiva da seguinte forma: “Você tem nas suas mãos quase a minha vida toda”. Talvez para a Eugénio de Andrade, a poesia fosse isso mesmo, um instrumento vivificador, tão simples como um “prato de figos”: “Também a poesia é filha/da necessidade – /fora do tempo / deixou de ser a sumarenta alegria / do sol sobre a boca; / esta, perdida a fresa / e nacarada pelo adolescente, / mais parece um desses figos / secos ao sol de muitos dias / que no Inverno sempre se encontram / postos num prato / para comeres junto ao fogo”.