Um fotógrafo italiano freelancer, Pietro Masturzo, venceu o prémio máximo do World Press Photo com a imagem de uma mulher, captada durante os protestos originados pela reeleição do Presidente iraniano, anunciou hoje a organização do concurso.
Segundo o júri do World Press Photo, a imagem captada por Pietro Masturzo, “além de ser bela, capta a tensão e a emoção do momento em que os protestos começaram a intensificar-se”.
“A imagem mostra o começo de algo, o começo de uma grande história. Isso passa uma perspetiva e informações importantes, tanto visual como emocionalmente”, refere o presidente do júri, Ayperi Karabuda Eser num comunicado hoje divulgado.
A fotografia vencedora foi difundida pela estação de televisão italiana RAI e publicada na revista Loop.
Veja aqui a galeria dos vencedores do World Press Photo 2010:
Tem por título “md13″ e é a mais recente exposição da fotógrafa Margarida Dias que expõe, entre 26 de Janeiro e 9 de Março, na Galeria Diferença, em Lisboa. A inauguração tem lugar no dia 26, das 18h às 21h.
Considerada pela crítica uma das melhores fotógrafas portuguesas da sua geração, Margarida Dias tem tido um papel de relevo na fotografia em Portugal. Com mais de 20 exposições individuais e várias colectivas, está representada em colecções tanto públicas como privadas, quer no estrangeiro (Fondazione Italiana per la Fotografia – Turim, Itália), quer em Portugal (Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa; Encontros de Imagem – Braga; Colecção Culturgest; Colecção PLMJ – Sociedade de Advogados). Para além da sua colaboração com vários orgãos de comunicação, agências de publicidade, ateliers de design e de arquitectura, tem ainda um extenso currículo na fotografia de cena. Fotógrafa, desde 2003, do Teatro Nacional D. Maria II, tem colaborado com diversos teatros, entre os quais a Escola de Mulheres, o Teatro Maria Matos e o Teatro Meridional. Margarida Dias tem publicado, desde 2000, um calendário temático com as suas fotografias, apresentando, recentemente, o calendário de 2010 “Palavras de Papel”, com texto de Jorge Silva Melo. Publicou igualmente o livro “O Segredo”, sobre o Atelier do escultor Lagoa Henriques, edição do Arquivo Fotográfico de Lisboa, CML, 2001.
Uma exposição a não perder, de 3ª a sáb., das 15h às 20h.
Renato Roque fotografou 439 pessoas para encontrar um rosto médio. O resultado são 339 rostos sobrepostos
No próximo sábado, dia 16 de Janeiro, às 18 horas o fotógrafo Renato Roque apresentará na Casa da Esquina, em Coimbra, a conferência fotográfica “O arquivo de Babel” a partir do seu projecto fotográfico de retrato “Espelhos Matriciais”. Cruzando ciência e arte o projecto de Renato Roque gera “um confronto com a percepção dos retratos que reproduzem, descaracterizando-os e recaracterizando-os em operações que nos confrontam com a própria natureza da percepção inerente a qualquer operação de identificação visual”.
A iniciativa, gratuita e aberta ao público em geral, é da responsabilidade do THE PORTFOLIO PROJECT e insere-se na programação fotográfica da referida plataforma na Casa da Esquina durante o ano de 2010.
Chama-se “Polaroid Portraits” e é uma das mais recentes séries de fotografia de Manuel Luís Cochofel que, desta vez, expõe na Sala da Nora, em Castelo Branco, a partir de 16 de Janeiro, às 18h. Na inauguração, serão lidos textos de um dos maiores argumentistas do cinema italiano, Tonino Guerra, bem como de Tarkovsky. Uma leitura que estará a cargo de um dos actores dos Artistas Unidos.
A exposição é constituída por um conjunto de retratos a preto e branco, captados, como revela o autor, através do “já extinto Polaroid 55″. Amigo e familiares posaram, ao longo de dois anos, para Manuel Luís Cochofel, dando origem a uma série de retratos muito interessantes onde, para além da pose de cada modelo, cada fotografia tem uma particularidade distintiva, quer em termos de objectos utilizados, da performance de cada retratado, ou mesmo ao nível da intervenção na própria fotografia através de uma técnica de solarização.
Licenciado em Música e autodidata em Fotografia, Manuel Luís Cochofel conseguiu já impôr um registo próprio e distintivo no campo da fotografia. A sua obra tem sido diversas vezes premiada em concursos de fotografia (BES, Bienal de Vila Franca de Xira, entre outros), publicada e exposta um pouco por todo o país.
Para ver até 14 de Fevereiro, de 3ª a dom., das 14h às 19h.
O Museu Judaico de Belmonte expõe durante um mês a exposição de fotografia “Shoah” da autoria de Mário Raposo e António Nunes Faria. Ao todo são vinte testemunhos, vinte imagens diferentes com conteúdos e enquadramentos pedagógicos. SHOAH é o nome hebraico para definir Holocausto, Extermínio, Genocídio. (more…)
O Banco Espírito Santo Angola e a World Press Photo promovem uma mostra inédita de cinco fotógrafos africanos na Cimeira Internacional do Planeta Terra, de 19 a 22 de Novembro, no Parque das Nações, Lisboa. Em exposição estarão os trabalhos de fotógrafos oriundos de cinco países africanos – Angola, Gana, Zimbabué, Quénia e Tanzânia – que, durante o mês de Outubro, percorreram províncias de Angola para retratar temáticas relacionadas com o Desenvolvimento Sustentável, nomeadamente “águas profundas”, “terra e saúde”, “recursos energéticos”, “solos” e “megacities”.
Manuel Luís Cochofel tem-se afirmado como um dos fotógrafos mais promissores do panorama artístico português. Premiado em diversos concursos de fotografia, entre os quais se destaca a IX Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira em 2006, Manuel Luís Cochofel está representado em diversas colecções públicas e privadas, nomeadamente: Optimus, Thyssen, Universidade Católica Portuguesa, Tubus, Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e Câmara Municipal da Moita. The Inner World of VALENTINA 170167 é a sua mais recente exposição, a ser inagurada no dia 27 de Janeiro, na Galeria Pente 10. A A.23 reproduz aqui o texto de Mário Verino Rosado que acompanha o catálogo. 31 imagens a cores e uma imagem a preto e branco, obtidas entre 2005 e 2006, podem ser vistas e apreciadas até 21 de Março, de 3ª a Sábado (15h00-20h00).
Texto de Mário Verino Rosado
(Texto inserido no catálogo da exposição)
I – Valentina 170167
Não se lembra de quando começou a construir a arquitectura fragmentária de si. Encontrou na Fotografia a própria definição da existência. Inscrevia, recorrentemente, a sua vida na sensibilidade da película fotográfica, desenhando-se com luz sobre o papel; fixando-se para sempre em alquimias químicas. O seu retrato de mil fragmentos ganhava forma, muitas vezes, no lugar da ausência dos corpos. Limitava-se a ser o vestígio de sua passagem; a imagem espectral de um percurso. Guardava, assim, a imagem da sua memória em álbuns de recordações. Escondia mil lusco-fuscos em cadernos fotográficos. Por vezes, mantinha apertadas junto ao peito as fotografias de corpos com quem partilhara uma cama ou uma escova de dentes. Nas suas gavetas habitava um etéreo material emulsionado de infinito.
Dos pequenos fragmentos de vida que se dedicava a fotografar, preservava a memória dos sítios onde comeu, dormiu, pensou, amou ou existiu. Consumia através da luz todas as sombras e é era esse o combustível da sua imaginação. Encerrava estórias, segredos e breves sussurros na imaterialidade do fotográfico… aprisionava, assim, o “ser” que lhe aconteceu e fotografava, todos os dias, o local onde as nossas mãos se tocaram pela primeira vez.
…O seu retrato não se esgotou nunca numa única imagem de si…
II – Um Retrato-Fragmento
A lógica evidenciada por Manuel Luís Cochofel na conceptualização de The Inner World of Valentina 170167 parte do discutível pressuposto de que um retrato não se esgota na imagem única de um “si”; podendo, pelo contrário, ser realizado através de um conjunto de imagens que evocam e, de certo modo, definem uma dada existência. Através desta exposição/instalação, Cochofel efectua a (re) criação de uma intimidade e propõe a estruturação de uma dinâmica ficcional em torno das possibilidades que constituem a Identidade e o “Ser”.
A dimensão discursiva inerente a este projecto implica, portanto, que o conjunto fragmentário e “aleatório” de fotografias que o constituem (originais do autor e apropriações trabalhadas de imagens pré-existentes) deva ser apreendido como algo que detém uma dimensão estrutural bem mais ampla do que à primeira vista poderíamos supor. Não estamos perante o retrato de Valentina, mas na presença de “um” potencial retrato composto por fragmentos que procuram evocar a vida interior de uma “personagem”.
O que sabemos, realmente, sobre Valentina? Sabemos, apenas, que não é uma ficção (de facto Valentina existe e responde pelo número 170167 de um serviço on-line onde mulheres e homens colocam anúncios em busca de um parceiro para casar). Este conjunto de fotografias lança, assim, o desafio de se produzirem múltiplos jogos narrativos em torno de uma existência. Em última análise, e permitindo, enfim, que as próprias imagens se façam “ouvir”, resta alertar para o facto de que o desenrolar desta ficção depende apenas e unicamente da interpretação de quem se detiver nas imagens e se permitir a alguns momentos de imaginação…
“Have you ever been on an adventure that goes on and on and on? With every breath you take the problems melt away and your deepest dreams desires and fantasies become more and more yours. Welcome to my reality”.
O Pavilhão 28 do complexo hospitalar Júlio de Matos, espaço já conotado com algumas iniciativas artísticas contemporâneas, tem sido considerado uma plataforma intermédia de divulgação da prática artística emergente em Portugal. A relação do espaço interior com o espaço exterior está novamente presente através da exposição “land-scape”, uma mostra de vários artistas – Andreia Quelhas Lima, Margarida Dias, Margarida Palma, Martinha Maia, Raquel Feliciano, Joana Consiglieri, Esther Villalobos, Tiago Margaça, José Ribeiro, Patrícia Barbosa e Marta Ramos – que, através de representações em diversos materiais (pintura, escultura, fotografia), reflectem sobre temas como a ecologia, o ambiente ou a paisagem natural e esculpida pelo Homem.
Para Isabel Vaz Lopes, é importante salientar o papel de relevo da paisagem na arte “após a ocupação selvática do território que, ao longo dos séculos, o Homem tem vindo a fazer”. Esta é, por isso, uma “auto-reflexão” que nos leva ao “questionamento da nossa relação com a ‘Natureza’ e com o nosso ’ser animal’”. Interessante será também observar não só as diferentes perspectivas sobre a Natureza e a sua representação, mas também a inscrição do sujeito na paisagem, revelando-nos diferentes formas de envolvimento.
Margarida Dias, colaboradora da A.23, integra esta mostra com quatro fotografias às quais deixa regressar um vestígio de cor. Um aspecto interessante na sua obra, quase feita, na totalidade, em tons de preto e branco, e que revela também a evolução técnica da própria fotografia: “Hoje, é a mágica luz do ecrã do computador que me mantem ‘enfeitiçada’… mesmo depois de, sem pedir licença, me ter substituído os sais de prata por ‘pixels’… Para grande surpresa minha, perdi um medo e comecei a deixar um vestígio de cor, no meu preto e branco. Ao ’sabor do vento’ sigo viagem e, embora de forma inconsciente, continuo fiel a pequenos nadas que sempre estiveram à minha volta”, explica Margarida Dias.
Para ver de 13 Dezembro a 30 Janeiro, das 10.00 às 19.30, de Segunda a Domingo.
Depois de ter apresentado, recentemente, em Madrid, “Malas Maneras”, Jorge Molder tem agora uma nova exposição na Galeria Pedro Oliveira, no Porto. “De todas as formas e feitios” reúne duas séries de fotografias deste ano – “Tangram” (2004/08) e “Ocultações” (2008).
“Tangram” “recupera a ideia do quebra-cabeças de origem chinesa, em que a partir de sete figuras que subdividem um quadrado é possível construir uma infinidade de novas formas”. Partindo de um grupo de polaróides, tiradas pelo autor em 2004, que mostram a interacção da mão humana com uma caixa de luz, Jorge Molder explora as possibilidades combinatórias que existem e que podem ser captadas através da fotografia. Mais uma vez, como vem sendo habitual na sua obra, Jorge Molder recorre à presença da mão na sua fotografia. A mão que, ao se desdobrar em posições e movimentos, acaba por ser um dos objectos privilegiados de Molder.
É também da contemplação, do ver e ser visto ou do ver e ocultar que fala Jorge Molder em “Ocultações”. “Entre ver e ocultar, desvendam-se infinitas modulações, mostrar e fingir, olhar disfarçadamente e fugir com o olhar, mostrar tudo o que há por dentro e produzir uma separação inultrapassável”, diz Jorge Molder a propósito desta série de 12 fotografias. De algum modo, a própria fotografia, que proporciona um jogo de visões com o espectador, descreve a expressividade dos órgãos do corpo, olhos e mãos, neste caso. O movimento de ocultação/desocultação, sempre no limite da evidência e da não evidência, dá à obra de Molder os contornos de um jogo que tem sempre subjacentes as ideias de repetição e possibilidade.
Jorge Molder (n.1947, Lisboa) é um dos nomes incontornáveis da sua geração. Começou a expor com regularidade no final dos anos 70. Está representado em várias colecções públicas, em Portugal, Espanha, França, Bélgica, Suíça, Brasil e EUA.
Para ver até 31 de Janeiro, na Galeria Pedro Oliveira, no Porto.
No dia 8, abre ao público a 10.ª Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, retomando assim aquela que é uma das mais antigas e reputadas iniciativas do seu género no nosso País. Esta exposição estará patente ao público no Celeiro da Patriarcal até ao dia 7 de Dezembro e decorre em paralelo com um extenso programa de exposições dentro e fora do Concelho. Destaque para a dos vencedores da 9.ª Bienal, Hélder Macedo e Manuel Luís Cochofel, patente na Galeria de Exposições da Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira, de 6 Novembro a 7 de Dezembro. Manuel Luís Cochofel está ainda representado na Bienal de V. Franca com seis ‘Polaroid Portraits’.
A obra de Manuel Luís Cochofel tem-se revelado mestra na criação de envolvimentos, de elos imediatos com o mundo, com corpos e com sensações. Ela desenvolve a riqueza das nossas percepções, passando pelo tecido da nossa vida quotidiana e pela necessidade da sua representação. Pormenores arquitectónicos, símbolos da obra humana, pernas sem um corpo, anónimas mas por isso mesmo universais, ou a redução de uma paisagem a traços simples e dominantes, como se a escrita se sobrepusesse à imagem são, sobretudo, vestígios de uma forma de escrita que resulta da apreensão da essência do que é representado. Ver e dizer dão-nos aqui uma descrição pormenorizada de uma porção do mundo.
A viagem de Manuel Luís Cochofel é exactamente a de fixar proporções para as desconstruir em seguida. É o que tem lugar, ora quando comparamos a escala de um edifício com a de uma pessoa, ora quando podemos imaginar uma nuvem que quase toca um telhado.
Alguns dos elementos captados funcionam também como a imagem da sua ausência. Vestígios, traços inscritos num vidro (como se por momentos nos fizessem crer que estão inscritos na própria lente), manchas, apagadas, sem singularidade, que ocultam o que está para lá dessa fronteira e lhe retiram o papel de protagonista. Apenas coisas que nos mostram o quanto existe da condição humana na fotografia. Talvez porque as imagens dizem (-nos) mas também nos ocultam. E o mundo continua a existir. Pode ser fixado, descrito ou reinventado. Através da obra de Manuel Luís Cochofel, nas suas várias abordagens do real, ora utilizando a cor, ora rendendo-se ao preto e branco, o tempo existe. Essa é a grande condição do fotógrafo: existir no tempo e nele fazer-nos existir.
IMAGEM DO DIA
A Barbie fez 51 anos. Com mais de meio século de vida, a Barbie continua a ser a boneca mais vendida do mundo, a mais famosa entre as crianças e está aí para as curvas.