Sobe ao palco no dia 11, na Sala Estúdio do TNDM II, e é a estreia da obra do dramaturgo americano John Kolvenbach nos palcos portugueses. Encenada por Marco Martins, a peça não poderia ser melhor interpretada por Gonçalo Waddington e Nuno Lopes. Dois irmãos, separados abruptamente na adolescência, reencontram-se após 15 anos e descobrem a verdade sobre o seu passado.
No espaço fechado de uma divisão, entregam-se a uma viagem sobre as suas vidas, onde recordam uma história negra sobre o misterioso desaparecimento do pai. John Kolvenbach assina este drama psicológico onde se traça o retrato de uma família disfuncional à procura da redenção.
Para o encenador Marco Martins, o desejo de encenar esta peça é antigo, tendo mesmo chegado a inserir um excerto da peça no filme “Alice”. Esta história psicologicamente forte sobre um passado de abandono e isolamento é agora levada à cena numa tradução do encenador com os actores e com Miguel Castro Caldas.
É já no dia 10 de Março, a partir das 21h30, que o Coliseu dos Recreios pode assistir a um concerto de uma das maiores vozes da história da música que está de volta a Portugal – Joan Baez. Cantora e activista política (conhecida pela sua posição contra a Guerra do Vietnam), Baez é considerada a principal representante da música folk norte-americana. Com mais de 30 discos editados, Joan Baez lançou em 2008 o álbum “Day After Tomorrow” – produzido por Steve Earle e que inclui canções de Tom Waits, Elvis Costelo, Patty Griffin, entre outros – e completou meio século de carreira. No Porto, onde se apresenta na Casa da Música no dia 8, e em Lisboa, Joan Baez apresentará este seu recente trabalho, bem como alguns clássicos da sua carreira como ‘Diamonds & Rust’, ‘We Shall Overcome’ e ‘It Ain’t Me, Babe’, de Bob Dylan.
Aliar a Educação à Natureza e à Arte é o objectivo da mais recente iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian. A Festa do Desenho e da Paisagem, no dia 20 de Março, é destinada a pequenos e graúdos. Promovida pelo Descobrir – Programa Gulbenkian Educação para a Cultura, esta será uma festa no Jardim Gulbenkian com diversas actividades, entre jogos e oficinas, visitas e algumas surpresas. Desenhar, experimentar ou descobrir novas formas de ver e representar são os motes de uma iniciativa que começa às 10h30 e se prolonga até ao fim da tarde. Seis oficinas decorrem ao mesmo tempo em diferentes locais do jardim. Nuno Neves e Susana Vilela, Helena Zália e Mafalda Milhões, Leonor Pego e Pedro Pires, Margarida Prieto e Paula Prates, João Simões e Leonor Morais, Bernardo Carvalho e Madalena Matoso e Ana Ferreira, Filipa Moura, Paula Ribeiro e Susana Guerreiro são os orientadores das oficinas onde serão utilizados materiais tão diversos como as tintas, papéis vários, barro, entre outros.
As inscrições podem ser feitas no próprio dia, nos locais das actividades, com um máximo de 20 participantes por oficina.
sessões 10:30-11:45 / 11:45-13:00 / 15:00-16:15 / 16:15-17:30
tel. 217 823 800 / no próprio dia ligar para 217 823 627 / 474
Podem o sacrifício e a honra ser menos valorizados do que o sucesso ou o poder pragmático do dinheiro ? Pode a bondade ser considerada uma tendência suspeita e o sonho uma natural catástrofe ? Durante décadas e décadas, contrabandistas e emigrantes foram assinalados como celerados e uns toscos arrivistas desprezados em Portugal.
Este romance que repõe a dignidade de um contrabandista no seu verdadeiro lugar, que também dá um relevo especial a um homem bondoso e crístico e que relata a ascensão fulgurante de um fabricante de sonhos cinematográficos, começa por um atropelamento de uma cadela numa estrada francesa e termina com um brinde de amizade diante de um rio espanhol cheio de produtos tóxicos onde tantos portugueses pereceram ao tentar a travessia que os conduzia ao eldorado.
São três histórias interligadas que têm com pano de fundo os forros da nossa História mais recente onde o savoir-faire, a imaginação prodigiosa e a poesia surreal de Manuel da Silva Ramos produzem mil centelhas de prazer e emoção.
O leitor atento vai abrir, durante horas e horas, fervorosamente, este retábulo regenerador e humano e não esquecerá tão cedo Brigas, Alves e Da Silva, três heróis anónimos do nosso tempo.
Primavera 2004
Une hirondelle fait le printemps.
Uma só andorinha faz a primavera.
Jordi Nadal, aliás Monsieur Pierre Salvat, aliás Juan de Vilamos, mais conhecido em 1936 pelo Rojo da Maladeta, apoiou a sua mão magra sobre o bocal do poço que servia para regar a sua mini-hortinha e olhou o pássaro de arribação. Era o primeiro que chegava a uma velocidade estonteante.
- Olá ! disse.
Gostava das andorinhas. Eram a bondade em movimento. E nunca ninguém as capturava. Livres andavam pelo mundo lucrativo sempre com um chilreio gratuito atrás de si. Pousavam pouco. Deviam com toda a certeza pensar que os homens eram buracos insatisfeitos. Tinham toda a razão. Os homens (totoditos) agiam sob impulsos de vingança. Outros debaixo de impulsões mórbidas envergonhavam o género humano. Aqueloutros impelidos por forças cegas eram menos que bostume. Conhecera poucas pessoas que tinham direito a chamarem-se homens. Eram só indivíduos, indivíduos permanentemente cansados. As andorinhas, essas sim, tinham dignidade. O voo delas era um abraço largo ao mundo. Mas vistas num pessoal espelhinho convexo de bolso ( onde a fotografia gravada representava a saída dos operários da fábrica de La Ciotat em Marselha tirada pelos irmãos Lumière, recordação do primo Javier perecido no campo de concentração francês de ) que misturava a História repulsiva e o destino individual que gostava de premeditar tudo, elas também lembravam a falência da Humanidade.
O velho anarquista olhou o leirão que esperava já que o andorinhão- preto se pousasse. E fizesse um ninho de pêlos, penas e saliva na obscuridade da sua garagem no capô do seu hirto citroën- quinze cavalos. Para lhe saltar em cima como fizeram falangistas, nacionalistas, franquistas, tantos carabineiros consigo próprio — mas ele tinha escapado milagrosamente mais a Regina de Toulouse. Que escondera o passaporte falso na sua larga cona republicana que servira para consolar tantos e tantos irmãos de combate. Agora morta. Mas grande figura típica da cidade de Toulouse. Baixou-se e pegando numa pedra que bordejava o repuxo constante de nenúfares lançou-a à bitola do cabrão. Não lhe acertou mas o rabanadão fugiu. Foi nesse preciso instante em que a longa cauda se artepirou que ouviu o choque e o trangido dos pneus a travarem como uma companhia faminta de leirões.
Ao encaminhar-se para o desastre na estrada nacional 20, pensou em Regina. No passaporte molhado. Que a salvara. Salvara-se também ele e fora por causa disso que se pusera esse nome. Regina que durante muitos anos vendera nas ruas de Toulouse o France-Soir e o Fígaro , jornais da direita capitalista. Com um carrinho de mão enquanto fumava cigarrilhas pretas. Fumo no ar e óculos pretos. E sotaque rolante. Rainha dos aflitos testiculares. Rainha dos deserdados da terra. Rainha dos esperançosos da terra. Rainha dos carcomidos da terra. Tinham caído tantos. Ficavam a apodrecer ao sol. Ele quase. E de repente diante da Libertad, a sua cadela morta desfeita em sangue, viu o Canário.
Primavera 1938
O que era de Vilaflor apontou a sua arma às cabeças dos fugitivos.
Era o povo mais alto das Canárias. Pum ! Bastava um só tiro em cada tolice de movimento. E depois cairiam. Visou o da mão preta e viu um pino gordo, o maior, quase oitenta metros de altura. Quando era miúdo vinha para o pé dele e tentava abraçá-lo pensando no seu pai ausente. Visou a rapariga pequena, mais rapaz, que se deslocava de calças, cabelos ao vento, fúria republicana. Pum ! Bastava um só tiro também para acabar com a sua fuga. Nunca matara uma mulher. Agora tinha que ser ! Apontava agora ao buraco do cu da fugente. Gozo infinito ( em pintura ). Viu a areia negra da praia da Viúva, na Candelaria. Gostaria de estar ali, soldado de um pelotão de execução. Com anarquistas vendados, comunistas cegos, republicanos constapados/constipados. Ver o sangue misturar-se com a areia preta. Viva a morte – um oblíquo paraíso ! Abraçou o pino gordo em sonhos e pôs-se depois a voar. Parou por cima de um quartel em Santa Cruz. O pai estava de serviço à entrada. Desceu…
O tiro partiu quando viu que o fachina não era o seu pai. O teu pai foi transferido para Lanzarote. Pensión España , Gran Canaria,1. Telefone 190. O anarquista caiu com o impacto da bala que lhe atravessou o ombro. Mas rapidamente se soergueu. A camisa preta ensopada de sangue fugia agora por uma vereda — no final da vereda estava o País da Liberdade. Canário, que saía ao pai pela profissão e por uma teimosia exsicante, correu para se maravilhar com o tiro de misericórdia. Era mal contar com a força polida e indomável do anarquista que tinha dos cimos das montanhas uma grande opinião. O vermelho, que via todas as manhãs da sua aldeia do Val d´ Aran o pico da Maladeta, a sua poderosa e sombria força, granjeara nessa vista imparável a inflexibilidade do seu carácter.
- Cabrão ! Filho da puta ! gritou o de Vilamos, já do outro lado da fronteira.
Canário olhou-o com um sinistro ódio no olhar, capaz de matar cem guanches ao mesmo tempo. Nunca mais esquecera esse momento. Nem essa cara escurassa. Nem essa desprezoeira de filho de paincógnito. Porque era, e procurava o sexerrante. Que pelara a sua mãe no interior do pino gordo, na toca de uma noite de verão. Uma vez diante do mar, na praia da Candelaria, cheia de pedrinhas redondas, arbitrando à civil uma luta canária, quase lhe falara…
Voltou-lhe as costas e o anarquista ficara ali plantado até que a Regina, sempre molhadíssima, lhe pegara na mão e o conduzira para trás de uns arbustos. Tirara o passaporte molhado da cona e abria-se para ele. Viva a Liberdade ! Te quiero, cariño ! Amor ¡ Vive La France ¡
Uma andorinha arabesconverteu-se ao céu…
Logo viu que o condutor não era francês. Choraminguava agarrado ao cadáver da sua brancadela — bemorta. A camisa ensanguentada levantou-se e enfrentou-o humildementemente:
- Pas vu…Vite fait …Freiner trop tard…Pardon!
Depois em inconsciências de suor apadrinhado:
- Perdão ! Mil vezes perdão !
A culpa não era dele. Com a idade a cadela tornara-se rabugenta e ladrava a vagabundos, a carteiros, a amigos, Agora era a vez dos carros. Gangania contra os travarões que iam chegar a Montauban e ladrava contra os impotentes que voavam para Toulouse.
O escorralhas continuou em português, muito próximo da sua língua maternal :
- Chamo-me Reis. Vivo em Brive. Venho de Portugal, da Bismula, que é a minha terra… Onde é que eu posso lavar as mãos ? perguntou fazendo o gesto.
- Venha comigo a minha casa …Já que temos que preencher um constat, para o seguro… – falou o outro em francês.
Reis seguiu o homem idoso que lhe pareceu dono de uma saúde de ferro. Morava à beira da estrada, tinha uma hortinha onde cultivava o seu físico, tivera uma cadela, uma mulher, ou talvez não, pelo escrupuloso andar via-se que frequentava putas enlatadas nas cercanias de estações de caminho de ferro. As francesas, escoavam líquidos de amor, por diante e por detrás. Seria isso ?
O outro adivinhou.
_-Sempre fui contra o capitalismo cansativo das mulheres. Os homens, esses enclavagistas praticantes, adoram sacrificar o belo sexo fraco na pira da conveniência. A minha amiga Regina tinha razão que mostrava o passaporte caducado na sua cona a todos os homens: alguns adoravam-no…Vi muitos empalidecerem diante dele !
Reis engoliu o cuspo da atrapalhação…
O anarquista continuou:
- A fronteira entre o sexo e a amizade é tão ténue que mal se vê ! Exactamente como a baba de caracol num muro de Bosost numa manhã de inverno.
Bosost ? Onde era ? pensou Reis que tinha da geografia uma noção chapada: a Terra era redonda e boa lá onde se trabalhava e ganhava melhor, parada e vil lá onde não havia trabalho e onde a exploração deixara fábricas com vidros partidos. Ruínas de homens e ruínas de pedra. O pior era encontrar Deus. Quando o encontrava vestido de trolha e com as unhas manchadas de tinta branca as lágrimas vinham-lhe aos olhos.
_ Onde é ? perguntou Reis para fugir à emoção.
O dono da cadela morta não era de planetas secundários.
- É uma vila no Val d´Aran onde passa um rio caudaloso, o Garona, e onde matei um fascista com um tiro no cu ! Um sacana que até quando cagava nos campos fazia a saudação franquista !
Reis lembrou-se de repente da sua raia. Também lá a violência fora total. Já não tinha pressa de partir.
David Miguel viu uma das suas obras seleccionadas por Emmanuel Nunes, Luís Pereira Leal e Joana Carneiro
David Miguel, compositor natural do Fundão, viu uma das suas obras seleccionadas no 8º Workshop da Orquestra Gulbenkian para Jovens Compositores Portugueses. A selecção foi feita por uma comissão de leitura integrada por Emmanuel Nunes, Luís Pereira Leal e Joana Carneiro.
Com a realização do 8º Workshop da Orquestra Gulbenkian para Jovens Compositores Portugueses, o Serviço de Música da Fundação Calouste Gulbenkian dá continuidade à iniciativa lançada em 2003 e que, ao longo dos últimos anos, incrementou o incentivo à criação musical em Portugal. Desde que o Workshop passou a integrar o plano de trabalho da Orquestra Gulbenkian, com periodicidade anual, foram já 29 os jovens compositores até hoje apresentados ao público nos concertos de encerramento, após uma a duas semanas de trabalho exclusivamente dedicadas à leitura das suas obras, abrindo o leque de opções inclusivamente aos compositores que não têm ainda antecedentes de carreira profissional. As primeiras cinco edições foram dirigidas pelo maestro Guillaume Bourgogne, sendo este o terceiro ano em que o Workshop é dirigido pela maestrina Joana Carneiro. No concerto de encerramento deste 8º Workshop são dadas a ouvir, em estreia absoluta, obras de sete compositores seleccionados de entre os catorze que se candidataram para este efeito no âmbito do concurso público aberto a compositores nascidos desde 1 de Janeiro de 1975. O concerto está marcado para o próximo sábado, na Culturgest, com entrada livre e direcção da maestrina Joana Carneiro
Enviados especiais a Londres: Jorge Penha e Miguel Carneiro
A Decked Out, agência e braço editorial da Bugged Out!, promotora de algumas das mais vibrantes e “hypeadas” festas itinerantes pelas principais metrópoles das Ilhas Britânicas, comemorou no passado dia 5 de Fevereiro, dez anos de existência, tendo reservado para as festividades, um autêntico banquete sonoro de alto nível ao longo de nove intensas horas… Elephant & Castle. “Please mind the gap”, o habitual aviso à saída da carruagem de metro, subidas as escadas rolantes, eis-nos à porta da estação, em busca do The Coronet Theatre… Nada mais simples, vira-se à direita e deparamo-nos com ele. Entramos e cumpridas as formalidades, estamos já na posse dos passaportes para nove intensas horas de destruição sonora…
Ainda com a sala a menos de meio gás, Justin Robertson na sala principal e Rory Philips na sala 2 dão-nos as boas-vindas musicais, optámos por fazer um reconhecimento da nossa “casa emprestada” por uma noite. O The Coronet, é uma sala de espectáculos semelhante, em maior dimensão, ao Cinema Mundial, em que a plateia se viu transformada numa enorme pista de dança, onde iriam actuar os principais nomes da noite, a sala 2, com um lineup também bastante interessante, sendo de destacar nomes como os The Glimmers, Aeroplane e The Vicarious Bliss. Espaço ainda para uma outra pequena sala por onde passaram vários dj’s da “scene” londrina denominada por Ten Years Of Rubbish, ante-câmera do balcão do teatro, local de priveligiada vista para a sala principal.
Reconhecimento feito, tempo para beber uma cervejinha, conhecer a zona de fumadores e a sensação de que os minutos passaram a uma rapidez alucinante. Justin Robertson está a finalizar a sua missão de “aquecimento”, eis que entra em cena Pedro Winter, de nome artístico Busy-P. Dono da parisiense Ed-Banger e antigo manager dos Daft Punk, Busy-P, brinda-nos com um set especial “French Touch”, misturando inevitáveis clássicos do movimento como “Da Funk” dos Daft Punk ou o quase esquecido e recuperado “Music Sounds Better With You” de Stardust, com nomes actuais como Justice, Digitalism e do próprio Busy-P. Sem duvida, o primeiro momento alto da noite, em jeito de profecia do que a noite nos reservaria…
Os senhores que se seguiram, Feadz & Brodinski, sagrada aliança francesa em terras de Sua Majestade. Acalmaram um pouco a rotação dos motores já um pouco acelerada com a prestação de Busy-P. Mistura de ítalo-disco, algum house old-school, com alguma mais acutilante produção electrónica actual. Destaque para a prestação de Feadz como B-Boy na excelente “MC’S Can Kiss” de Uffie.
Tendo em conta que a noite ainda se adivinhava longa, tempo para recuperar energias e acompanhar a prestação de Dave Clarke confortavelmente sentados no balcão do The Coronet. Com um set baseado nas linguagens electro-tecno, teve o dom de não deixar que a já numerosa assistência não deixasse de abanar o pé, apesar de ter sido sem duvida alguma a prestação mais aborrecida de toda a noite… Esperávamos ansiosamente pelo momento mais aguardado da noite, o britânico Erol Alkan & Xavier de Rosnay dos franceses Justice. Imaginam Leo Messi e o nosso Cristiano Ronaldo a jogar na mesma equipa?
Pois bem, esta dupla propositadamente formada para o aniversário da Decked Out tem o mesmo efeito que Messi e CR9, mas aplicado ao “djing”. Como estes senhores não são de cerimonias, resolveram abrir as hostilidades com a eléctrica mistura de Erol Alkan para “Mommy” de Sebastian, dando inicio a uma inesquecível e intensa hora digna da mais maquiavélica botãozada, “subidon” atrás de “subidon”, um abanar de pá constante! Destaque para momentos épicos como a remistura de A-Trak de “Heads Will Roll” dos Yeah Yeahs Yeahs, com direito a lançamento de mconfettis pela pista (vídeo já documentado na a23tv), ou o mais que provável novo tema dos Justice, que promete não baixar as expectativas ao que deles se esperava… Efectivamente, um momento grandioso, a prova de que dois dj’s de excelência conseguem levar uma multidão ao rubro, qual subida aos céus!
Após tamanha devastação sonora, entrada em cena de Boyz Noise & DJ Mehdi, junção de forças franco-germânicas, com um set especial “vinyl only”. Tecnicamente perfeitos e com as características batidas maximal,desenharam uma actuação poderosa, mais próxima de um registo live que propriamente de um dj-set. Sem duvida um dos momentos mais entusiasmantes da festa, ficando a vontade de que esta aliança se repita e possa dar frutos em disco.
Com o final desta longa noite a aproximar-se vertiginosamente, tempo ainda para a actuação dos italianos Crookers, com uma performance regular, seguidos de Sir Bob Cornelius dos The Bloody Beetroots, encarregado defechar as hostilidades, conseguindo-o de forma magistral. Destaque nesta actuação para a aparição de Steve Aoki em palco, numa gritaria desenfreada no hit “Warp 1977” dos The Bloody Beetroots. Com toda esta agitação, passou-se o equivalente a mais que um dia de trabalho, num abanar de pá constante, despedindo-nos do The Coronet com um até já… Fica o conselho, dia 5 de Março Ed Banger Anniversary Party com toda a pandilha Ed Banger. Não se vão arrepender!
Um fotógrafo italiano freelancer, Pietro Masturzo, venceu o prémio máximo do World Press Photo com a imagem de uma mulher, captada durante os protestos originados pela reeleição do Presidente iraniano, anunciou hoje a organização do concurso.
Segundo o júri do World Press Photo, a imagem captada por Pietro Masturzo, “além de ser bela, capta a tensão e a emoção do momento em que os protestos começaram a intensificar-se”.
“A imagem mostra o começo de algo, o começo de uma grande história. Isso passa uma perspetiva e informações importantes, tanto visual como emocionalmente”, refere o presidente do júri, Ayperi Karabuda Eser num comunicado hoje divulgado.
A fotografia vencedora foi difundida pela estação de televisão italiana RAI e publicada na revista Loop.
Veja aqui a galeria dos vencedores do World Press Photo 2010:
No dia 6 de Fevereiro de 2010 o Teatro Municipal da Guarda assistiu a um momento histórico, numa digressão por Portugal, os Tindersticks deram aquele que foi, para mim, o melhor concerto que já houve na chamada Beira Interior. A banda encabeçada por Stuart Staples ofereceu ao cheio auditório uma viagem pelos seus oito álbuns, com particular destaque para o último Falling Down a Mountain. Nesta viagem não faltaram My Sister, A Night In, City Sickness, Bathtime, Marbles. Para os mais apreciadores… talvez tenham faltado outros grandes temas, claro, depois de um concerto triunfal e com uma discografia recheada de canções que tocam de perto na perfeição, a noite poderia não ter terminado. O grande auditório do Teatro Municipal da Guarda aplaudiu de pé estes novos Tindersticks, que sofreram uma mutação da sua formação e que apenas restam três dos elementos da sua formação original. O concerto foi, se assim se pode dizer, bastante orientado para um lado mais rock, sem aquela estética de cabaret decadente que os identificava noutros tempos, mas não faltaram os momentos mais doces em que a música quase aquática e a voz de Stuart Staples levavam o público para um ponto mais elevado na sensibilidade.
Foi uma noite histórica. É sempre um prazer viajar à Guarda e entrar naquela que é, para mim, uma das melhores salas de espectáculos de Portugal. Tudo parecia perfeito, aquele auditório, o som óptimo, o ambiente que o público criou. Uma aposta claramente ganha e mais uns pontos marcados na programação de um Teatro que já não serve só a Guarda, um Teatro que serve todo o interior do país.
Estes novos Tindersticks provaram que, apesar do peso da sua história, ainda têm muitas cartas para dar e um longo caminho para percorrer. Eu, que sou um dos seus muitos seguidores, achei que faltou Tiny Tears… mas isso sou eu… e também não se pode ter tudo!!! E já agora, vale a pena dizer, ainda bem para todos os habitantes do centro interior deste país que existe um homem chamado Américo Rodrigues, que tem um teatro para as pessoas. Aqui fica a merecida vénia e a promessa de muitos regressos. Obrigado por uma noite mágica, quem foi não pode ter ficado indiferente.
Texto Pedro Fiuza
6 de fevereiro de 2010 pode muito bem ficar como um dia histórico na vida das beiras. Uma das bandas mais marcantes na cena alternativa dos tempos modernos e dos tempos já não tão modernos, numa pequena digressão pelo país, vai apresentar-se no Teatro Municipal da Guarda. Estamos a falar dos Tindersticks. Uma banda em que a beleza da canção pop é atingida num dos seus mais elevados patamares de intensidade. Este seu último álbum (Falling down a mountain) promete ser um dos mais marcantes do início da nova década. Aguarda-se com ansiedade este concerto. Aqui fica a vénia a um Teatro Municipal que cada vez apresenta mais cartas dadas na qualidade da sua programação. Lá estaremos uma vez mais. O interior do país recebe pela primeira vez aquela que é, para muitos, um marco na história da música actual, que atingiu com o seu álbum Curtains um ponto sublime do qual é muito difícil escapar neste momento. Aguarda-se com ansiedade. Aguarda-se com muita ansiedade... Vemo-nos lá!!!
IMAGEM DO DIA
Pjanic comemora o golo que elimina o Real de Madrid.O futebol não tem preço e o galáctico Madrid de Florentino Peres que custou 250 milhões de euros cai pelo sexto ano consecutivo nos oitavos -de-final.