O presidente da Academia Nacional de Belas-Artes, António Valdemar, lamentou hoje a morte da artista plástica Maria Keil, aos 97 anos, descrevendo-a como uma artista que associou sempre a obra ao exercício da cidadania.
“Maria Keil associou a sua extensa e diversificada obra artística ao exercício da cidadania, na luta contra o salazarismo e, após o 25 de Abril, na consolidação do processo democrático”, disse hoje à Lusa António Valdemar, presidente daquela instituição, da qual Maria Keil fazia parte há várias décadas e que a distinguiu com os principais prémios.
“Apesar de natural do Algarve, Maria Keil, a partir dos anos 1930, identificou-se com Lisboa, com a vida da cidade, dos seus artistas e escritores, com os grandes testemunhos do património cultural”, indicou.
Por essa razão, prosseguiu António Valdemar, a artista “deixou a marca da sua criação em trabalhos integrados em numerosos espaços públicos como, por exemplo, painéis cerâmicos na avenida Infante Santo e em muitas estações do Metropolitano”.
E também “em ilustrações de obras de erudição e divulgação de olisipógrafos como Norberto de Araújo e Matos Sequeira”, bem como “em livros de poetas clássicos e contemporâneos”, acrescentou.
“Da relação íntima de Maria Keil com Lisboa, destaca–se – na opinião de António Valdemar – uma série de composições com pedras de calçada de Lisboa e motivos da cidade, nomeadamente, das tradicionais festas dos Santos Populares, que decoram uma das salas da Cervejaria da Trindade”.
Foi ali que a artista recebeu, em julho de 2008, o Grande Prémio da Academia Nacional de Belas Artes, recordou o presidente da instituição, acrescentando que “no decurso da homenagem, foi descerrada uma lápide com o seu nome que ficou juntamente com lápides evocativas de Columbano, Jorge Barradas, Luciano Freire e outros artistas e intelectuais que frequentaram a Cervejaria da Trindade”.













