O princípio que “o bem supremo é o amor” norteia a encenação da tragédia “Frei Luís de Sousa”, de Almeida Garrett, que se estreia quinta-feira na sala estúdio do Teatro Nacional D. Maria II (TNDM), em Lisboa.
“A linha geral que nos guia é que o bem supremo é o amor, esse amor que está além de qualquer contingência ou contrariedade e que é o que deverá sobreviver e pelo qual se deve lutar, independentemente se o final dessa luta for vencer ou perder”, explicou à Lusa Inês Vaz que, com Diogo Bento, encena e partilha o palco.
Esta é “uma justificação ultra-romântica”, argumentou Inês Vaz que acrescentou: “no fundo esse amor justifica qualquer ação”.
O projeto chega à sala estúdio a convite do atual diretor artístico do Nacional, João Mota e encerra uma trilogia iniciada em 2010, no Teatro Taborda, com a peça “Han Shot First”.
“Essa peça foi construída por nós [Inês Vaz e Diogo Bento] a partir de clássicos como ‘A Gaivota’, de Tchekov, ‘Prometeu agrilhoado’ [de Ésquilo], e de um excerto do episódio quatro da série ‘Guerra das Estrelas’”, contou a encenadora.
No palco estúdio do Nacional, além de Inês Vaz e Diogo Bento estará também Elisabete Fragoso e, em conjunto, os intérpretes desdobrar-se-ão pelas diferentes personagens de Garrett, cujo texto será “apenas encurtado até para acelerar os acontecimentos”.
“Os atores serão tanto os narradores como as diversas personagens: D. Manuel de Sousa Coutinho, D. Madalena Vilhena, Maria, Telmo e o Romeiro”, prosseguiu a encenadora.
“As palavras são de Garrett, mas em cena vestem-se como na atualidade, assim como os adereços, havendo apenas uma mesa e quatro cadeiras do século XIX que remetem para um período histórico”, contou à Lusa Inês Vaz.
No palco haverá tijolos, andaimes, pneus, “tudo remetendo para uma linguagem contemporânea”, adiantou.
A abrir o espetáculo, os atores lerão “uma carta de intenções” de sua autoria, disse a encenadora.
Inês Vaz chamou à atenção para a personagem “Maria” que “é uma incarnação desse amor puro, sem vícios, sem sentir ainda as contingências das normas sociais”.
À personagem, disse a encenadora, foram acrescentados “pormenores e houve alguma liberdade de acrescentar uma ou outra frase”.
À primeira peça da trilogia, “Han Shot First”, seguiu-se “I Love Broadway”, que juntou textos de musicais da Broadway, estreada o ano passado na Casa Conveniente, também em Lisboa.
“Nesta peça nós já referíamos que íamos ao Nacional e com o ‘Frei Luís de Sousa’, mas foi uma acaso que nos trouxe a esta sala estúdio. Nós víamos este clássico da Língua Portuguesa como uma consagração”, disse.
“Na altura, João Mota [atual diretor artístico do D. Maria II] viu-nos, por mero acaso, e gostou e agora convidou-nos, encerrando da melhor maneira esta trilogia”, disse a encenadora que chegou a candidatar a peça ao projeto “Emergentes” do TNDM, não tendo sido escolhidos.
“Uma questão que tem marcado a trilogia – explicou – é brincar com a fronteira entre a ficção e a realidade”, disse Inês Vaz que sublinhou o carácter “vanguardista” de Almeida Garrett de quem reivindicam a linhagem artística.
“Garrett foi o fundador do Conservatório onde andámos, deste teatro, foi uma figura proeminente, achamo-lo um ‘pater’”.














