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Utentes da A23 entregam hoje mais de 20 mil assinaturas de protesto

A Comissão de Utentes da Auto-estrada da Beira Interior (A23) vai entregar hoje, na residência oficial do primeiro-ministro, em Lisboa, mais de 20 mil assinaturas contra a introdução de portagens no interior do país.

A poucos dias do início da cobrança electrónica, marcada para as 00h00 de 8 de Dezembro, Marco Gabriel, porta-voz da comissão, recusa-se a encarar o acto como o culminar de um protesto, porque “a luta continua”. Para o responsável, “a entrega dos postais não é o culminar de um protesto: há mais acções em perspectiva, mesmo depois do dia 8 de Dezembro”.

O porta-voz da comissão acredita que “só a luta da população” tem permitido adiar a cobrança de portagens nas auto-estradas sem custos para o utilizador (SCUT) “desde que o assunto começou a ser falado, em 2006”. À luta faltou juntar, no seu entender, “a vontade política do Governo e do Presidente da República”.

Os postais assinados em protesto foram recolhidos em toda a região abrangida pela A23 em inúmeras iniciativas que decorreram durante os meses de Setembro e Outubro, em vários casos acompanhadas por buzinões nas principais cidades do interior. Segundo os organizadores da iniciativa, os números revelam “grande adesão e interesse na entrega de assinaturas: são mais de 20 mil, recolhidas tanto em aldeias como cidades”.

Além da comissão de utentes, o processo de cobrança de portagens da A23 motivou no início do ano a criação do movimento de Empresários pela Subsistência do Interior (ESI). De acordo com Luís Veiga, porta-voz do ESI, o núcleo duro do movimento engloba cerca de 50 empresários dos distritos de Castelo Branco e Guarda e respectivas associações de empresas, defendendo os interesses de cerca de 8000 firmas.

Um levantamento preliminar do movimento indicou que 50 empresas da Beira Interior prevêem despedir pessoal e cinco podem fechar portas ou mudar-se para Espanha.

Percorrer toda a auto-estrada da Beira Interior (A23), da Guarda a Torres Novas (214,5 quilómetros), vai custar 19,30 euros em portagens para a classe 1 a partir de 8 de Dezembro, disse à agência Lusa fonte ligada ao processo. A viagem vai custar nove cêntimos por quilómetro, dois cêntimos a mais do que na auto-estrada Lisboa – Porto (A1), onde os 271 quilómetros entre as portagens de Alverca e Grijó custam 19,95 euros. Ainda de acordo com a mesma fonte, haverá isenção para as dez primeiras viagens de cada mês para cidadãos e empresas locais.

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