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A hipocrisia dos cotas que se comovem com a música dos Deolinda

Gente lixada pela vida há em todas as gerações. Mas, verdadeiramente lixado é a hipocrisia, a desonestidade e a trafulhice intelectual. E disso, todas as gerações estão bem servidas.

Texto Rui Pelejão Marques
Por este dias não há colunista, comentador, analista, calista, ou industrial da panificação que não cite copiosamente a música dos Deolinda, que faz o retrato amargo da geração Nem Nem, dos 500 euros ou, se quisermos, a geração lixada.
Em geral, todos estes cronistas pop-de-sociedade são da geração açambarcadora, a que alegadamente espoliou as oportunidades dos jovens e os remeteu ao beco sem esperança, mas todos moralizam e escrevem como se não tivessem o bedelho no calduço.
Estes novos e improváveis ouvintes do Deolinda comovem-se até ao carpido de crocodilo com esta singela letra “Sou da geração sem remuneração/e não me incomoda esta condição./ Que parva que eu sou/Porque isto está mal e vai continuar,/já é uma sorte eu poder estagiar./Que parva que eu sou!/E fico a pensar,/que mundo tão parvo/onde para ser escravo é preciso estudar”. Ora, se esta é a música de intervenção desta geração, acho que se calhar esta geração tem o que merece (felizmente não é).
Esta é a música que tempera o sentimento de culpa das gerações bem instaladas na gamela dos direitos adquiridos. Os mesmos que, quando eram novos, escutaram e conspiraram por um mundo melhor ao som do José Mário Branco e do Zeca Afonso, e que passaram o resto da vida a trair as canções da sua juventude.
A pueril letra dos Deolinda é o pouco que eles conhecem da geração sobre quem escrevem com aquela sabichice insuportável da senilidade precoce. Eles não sabem nada, mas mesmo nada sobre a geração que agora lamentam nos seus editoriais lamechas. Quando muito conhecem os filhos e os amigos dos filhos, e como falamos de uma casta relativamente privilegiada e bem relacionada, o mais provável é os seus filhos até se estarem a safar, graças a um empurrãozinho, uma palavrinha ao amigo, um favorzinho inocente.
Se há uma geração lixada, a maior parte destes articulistas chorosos contribuiu para a lixar. Perguntem lá ao José Manuel Fernandes, se quando era director do “Público” alguma vez se preocupou com a distribuição equitativa da massa salarial? Se alguma vez se opôs a estágios não remunerados, ou a inacreditáveis fossos salariais na redacção? E, quando falo do José Manuel Fernandes, falo de todos os outros directores, directores-adjuntos, editores ou políticos de lágrima fácil que por este dias andam a lamentar o destino trágico da geração lixada. Alguma vez algum deles abdicou dos seus direitos adquiridos? Dos seus salários principescos (quando comparados com a base da pirâmide salarial)? E mais. Quantas vezes vêm anúncios e processos de recrutamento para meios de comunicação social?
É que os “lugares” que vai havendo, vão sendo traficados, negociados entre amigos, “afilhados” ou mesmo filhos. Se fizerem a árvore genealógica do jornalismo português vão perceber o que nepotismo e a consanguinidade não são fenómenos só imputáveis ao PS e ao caciquismo das empresas públicas e das autarquias. A maior parte do que se escreve nos jornais sobre ética, mérito e justiça no mercado de trabalho é apenas simples e crua hipocrisia.
É natural que este tipo de hipocrisia (ainda que cega, acredito) se identifique com a letra dos Deolinda, porque nunca na vida vão entender que esta letra também está a falar deles. Por isso espero que a geração lixada saiba escolher os seus arautos e fazer o seu caminho e a sua luta sem se deixar enganar pelas lágrimas de crocodilo.
A voz da geração lixada não é a dos Josés Manuéis Fernandes, dos inacreditáveis Cavacos (o coveiro a falar aos mortos) e nem sequer dos Deolindas do mundo. É a sua própria. O melhor e mais cru retrato que li da geração lixada é o livro “Operador de Call Center” de um jovem autor chamado Hugo Pereira uma viagem bukowskiana ao quotidiano de um operador de call center que mantém a ácida lucidez do sonho com a realização de curtas metragens.
Ironicamente, o mais poderoso retrato que eu vi desta geração enjaulada não encontrou editora capaz e minimamente atenta. Teve de imprimir o livro em Espanha e vendeu algumas dezenas a amigos e familiares. É o trágico destino do génio. Talvez se fosse jornalista ou médium tivesse melhor sorte…
É que reduzir esta geração à dialéctica meterialista que nos move ou à cultura programada, oficial e comercial é desconhecer o imenso mundo de criatividade e energia que pulsa na geração lixada. É simplesmente não os conhecer.
Eu que pertenço à geração rasca do Vicente Jorge Silva, e que cá nos vamos desenrascando com um quinhão dos “direitos adquiridos” também não dou para o peditório do coitadismo da geração lixada.
Compreendo que a crise económica, o desemprego, os recibos verdes, a falta de proteção social e a eternização na casa dos pais são a dura realidade. Mas essa realidade não admite o conformismo ou a histeria, por exemplo, dessa eminência parava de serviço ao liberalismo betucho  chamado Henrique Raposo e os seus queixumes dondocas de bem instalado na coluna normalmente bem remunerada do “Expresso”.
Esse rapaz está longe de ser um bom arauto para vocês, caros camaradas da geração lixada. É mais um intrujão. Porque se entramos na lógica do confronto de gerações, de espoliados e espoliadores, estamos bem mal. Esses jovens liberais de pacotilha acreditam que o problema está nos “direitos adquiridos” pelos trabalhadores, que se alapam aos postos de trabalho que deviam estar destinados por direito divino aos jovens que saem da faculdade. Portanto, a solução seria desalojar os “velhos” dos seus trabalhos e ragalias, para os poder passar a uma geração mais preparada e bem formada, e disponível para ser remunerada de forma mais competitiva… para as empresas.
Ora, a formação universitária pode conferir legítimas expectativas, mas não dá um direito divino ao emprego, pelo menos aos bons empregos, sobretudo quando não os há, ou há poucos. Alguém se parece esquecer que o mercado de trabalho português não é propriamente o alemão, e que os empregos que a geração lixada pretende ter acesso por decreto não são propriamente de cantoneiro, padeiro ou portageiro.
O que a histeria dos Raposões do mundo defende é uma permanente competição pelos “bons empregos”, como se fosse líquido que um qualquer recém-licenciado fizesse melhor o meu trabalho. Uma fotógrafa amiga um dia disse-me que um cliente ficou espantado com a rapidez com que ela fez uma sessão. – Só demorou uma hora?, perguntou ele – Não, demorei vinte anos e uma hora – respondeu ela.
Se entrarmos numa lógica de confronto geracional no mercado de trabalho vamos todos sair a perder a curto prazo e as empresas também (a médio prazo). Desproteger o trabalho não é um bom negócio para ninguém, porque daqui a algum tempo não estaríamos a discutir os problemas dos recém-licenciados, mas sim a falência e miséria dos velhos licenciados. Se encararmos este grave problema social com preconceitos de classe, casta, ideológicos ou mesmo de geração, estaremos a atear o rastilho de um barril de pólvora.
Temos todos de encontrar a melhor forma de sermos uma sociedade solidária e mobilizada para o bem comum, uma sociedade de valores, de mérito, de cooperação (melhor que competição), e se para isso for preciso abdicar de alguns “direitos adquiridos”, que aliás pago ao Estado (e não é pouco) seja. Eu estou disposto a fazê-lo.
Mas só cedo esses “direitos adquiridos” (um ordenado, seguro de saúde e direito de indemnização caso seja despedido), a troco da inovação, da iniciativa e da solidariedade social. Não os dou de barato a um jovem recém-licenciado que acomoda a peidola ao sofá dos pais, ao carro em segunda mão, aos copos no Bairro Alto, às tertúlias da lamentação, ao conformismo e à espera eterna de um emprego compatível com a sua condição. Querem uma vida melhor? Lutar por ela também ajuda.
Pelo menos, ajuda mais do que aplaudir os artigos de José Manuel Fernandes ou as músicas da Deolinda.
É que uma parte da geração lixada também é uma geração acomodada que vai azedando. E azedar é acabar com o sonho, o deles, e o nosso, num país mais justo e mais feliz.

119 Respostas a “A hipocrisia dos cotas que se comovem com a música dos Deolinda”

  1. Xano says:

    Querida Ana Frade, com que então muitos amigos seus emigraram e tiveram de voltar porque não encontraram o ” El Dorado” que estavam á espera? Esse é precizamente o problema… esperarem um El Dorado! Posso dizer-lhe por experiencia própria que emigrar não é fácil: 1 – Deixar a família e um círculo social onde se está integrado é mesmo muito difícil. 2 – Mesmo tendo qualificações profissionais não quer dizer que se comecem a exercer logo de início pois a adaptação social e linguística leva o seu tempo. 3 – Eu tambem já vi muitos portugueses chegarem e partirem porque estavam á espera de um El Dorado. Os que ficaram estão a vingar porque o sistema é mais meritocrático e acredite que os portugueses que se conseguem adaptar são óptimos profissionais onde quer que estejam.
    Infelizmente parece-me que não acertou na sua escolha de curso. Os media estão saturados de “wannabes” com todas as qualificações possíveis e imaginárias e depois temos os filhos dos apresentadores e os netos dos actores e os modelos e por aí fora… Continuo a achar que isto não é uma guerra de gerações e espero que esta geração de portugueses que se encontra numa situação bastante grave consiga de uma vez por todas lutar contra o sistema de uma maneira mais incisiva mudando assim o que deve ser mudado: A legislação laboral e a precariedade laboral. Portugal é o paraíso do empregador e tem de passar a ser um país no qual os direitos e oportunidades de todos sejam respeitados. Fazer com que os filhos desta geração não tenham de lutar contra os pais e avós da próxima, etc. Na minha singela opinião acho que o problema é mesmo este ultra-liberalismo de coveniencia implantado no mundo inteiro. Culpa de um Bill Clinton, os Bushes e neo-liberais, Tony Blair (que por acaso o fã nr 1 é o Sócrates) e todos os que vivem á mama deste sistema dito capitalista liberal que só o é com o intuito de proteger os mais afortunados e que tem como polícia de intervenção FMI. Por isto e por muito mais façam o favor de dirigir a vossa raiva a um sistema injusto estabelecido globalmente.

  2. Cinza Coelho says:

    Xano… és um demagogo e um Lambe botas….

  3. Teresa Zoto says:

    Vamos todos manifestarmo-nos dia 12 de março, por todo o país, ACTIVAMENTE, porque isto não é uma luta entre gerações mas uma luta de classes! venham todos os que estão a ser injustiçados por um punhado de pessoas (que tem um nome e uma cara) que ganham milhoes, sejam politicos ou empresários! venham os desempregados, os reformados e os licenciados! os dos “direitos adquiridos” e os dos “direitos exigidos”! enfim, todos os oprimidos, que foram explorados e enganados! vamos acabar com sectarismos (dividir para reinar, já se sabe) e unir-nos contra aqueles que realmente têm demais e que manipulam factos para nos por uns contra os outros! por uma sociedade mais justa, equilibrada e sobretudo solidária! A União Faz a Força! (veja-se o caso da tunísia e do egipto)

  4. Xano says:

    ó Coelhinho, isso deve ser dislexia ou tens algum défice mental grave! Tu és uma injúria saltitona… Eu limparía as botas na tua cabeça já que não serve para mais nada mas não sem antes ter escarrado na ponta da sola para puxar o lustro! Vai comer cenouras por trás e salta…Salta bem!

  5. Cinza Coelho says:

    Xano… lambe Botas… pensas que eu tenho os teus Vícios???
    Julgas que por teres visto, sabe Deus onde, o termo “dislexia” que o sabes aplicar com propriedade… hooooó ignorante!!!!
    Ficas a saber que aqui o cinza Coelho, está farto de saltar… se não acreditas pergunta à tua mulher!!!

  6. Xano says:

    Injúria saltitona, acabei de ver o teu blog: Mas que ganda caca! Não sabes escrever e certamente mal sabes falar e…cúmulo dos cúmulos: tens como identificação uma foto do Che Guevara! LOL. Para alem de disléxico és mesmo ignorante!! Tive de parar de ler a segunda palavra antes que vomitasse. Já estou melhor, obrigado. Tentas insultar gratuitamente mas não tens arcaboiço intelectual que chegue para fazer uma bola de plasticina. Vai brincar com os outros meninos lá do parque e senta-te outra vez na cenoura até ficares com os olhos bem branquinhos!

  7. Xano says:

    Já agora coelhinho… Imola-te por favor! Eu levo o arroz!

  8. Cinza Coelho says:

    Xano… grande bajulador… lambe botas… Gaipeiro (presumo que o termo te seja familiar)… vai apanhar cenouras com as beiças (nalgas) do Cu.

    P.S. Traz a Tua mulher que aqui o coelho saltitão (martelo pneumático) faz o jeito a ti e a tua mulher.

  9. xano says:

    Foi esta última frase a tua singela tentativa de insulto? Tenta o teu pior puto… Queres aprender uns insultositos? Aqui vai: – Querida injúria saltitona, a tua insignificancia de puto maquilhado faz chorar de pena um ex-casapiano ! Vai pedir á tua mãe que te pague umas aulinhas de português e continua a tentar crescer (o dinheiro que ela ganha no Entendente deve chegar mas vai ter de te cortar no lubrificante)! Já te pisei várias vezes mas como és grunho continuas pegado á sola da bota mas deixa lá… mesmo que te imoles na manif ninguem vai notar. A tua verborreia é tão infantil que cheira a cócó e leite bolsado… Vai continuando a tentar insultar daí de baixo enquanto eu continuo a obrar para ti d’alto e de repuxo. :-) Gostaste? Se quizeres mais basta pedir…

  10. xano says:

    Foi esta última frase a tua singela tentativa de insulto? Tenta o teu pior puto… Queres aprender uns insultositos? Aqui vai: – Querida injúria saltitona, a tua insignificancia de puto maquilhado faz chorar de pena um ex-casapiano ! Vai pedir á tua mãe que te pague umas aulinhas de português e continua a tentar crescer (o dinheiro que ela ganha no Entendente deve chegar mas vai ter de te cortar no lubrificante)! Já te pisei várias vezes mas como és grunho continuas pegado á sola da bota mas deixa lá… mesmo que te imoles na manif ninguem vai notar. A tua verborreia é tão infantil que cheira a cócó e leite bolsado… Vai continuando a tentar insultar daí de baixo enquanto eu continuo a obrar para ti d’alto e de repuxo. Gostaste? Se quizeres mais basta pedir…

  11. jtsilva says:

    Vim parar a esta critica por um blogue qualquer e continuei a ler as restantes opiniões. Irra, que isto precisava de ser dito!
    Muito em concordância com ‘o país das faquinhas de manteiga’, ainda há pouco li no ”de rerum natura”.
    Nada que alguém que com um bocado de decência já não tenha pensado. Pena é que parece que parece que pessoas com decência sejam um punhado delas e muito espalhado…
    Quanto á rubrica, excelente!

  12. DM d' CB says:

    Comentei ha uma semana em tom de provocaçao, como o artigo em si,

    no mesmo tom divulguei no Facebokas:

    “Mt Bom.. e Bom Bom para descobrir o meu coment – Vá lá meninos do Hi5 nao é o que fala dos Clash esse foi escrito sem erros”

    e depois de alguns comentarios vejo que ainda faz sentido a genuina “Liberdade de Expressao” contra o sistema da comodice… (de mentalidades)

    Merito para o autor

  13. Cinza Coelho says:

    Onde anda esse G’anda maluco do pelejão? A comer queijos emborcar whisky..? ou andará com o Xano a jogar às “ESPADINHAS”?

  14. Xano says:

    Querido Grunho Coelho, tavas com saudades hein?! Vai mas é ter com o teu primo Passos que tá farto de perguntar por ti… A Páscoa deve fazer-vos mal tá visto.

  15. Cinza Coelho says:

    Xano… traveco esperava mais…era suposto roçar o insulto!?
    Para a comédia não tens jeito… vai jogar às “espadinhas” com o teu amigo das “nalgas” Pelejão.

  16. Xano says:

    Ahahahahaha… Grunho malinoso, depois de esfolado ainda pias?! Ainda acabas a rolar decima de uma fogueira com um pauzinho da boca ao cu ao som do banjo dum hillbilly… Tipo um western de uma fábula de La Fontaine realizado pelo Tarantino. Capice?!

  17. Cinza Coelho says:

    Meu… deves ter a puta da mania que és chique e engraçado !!!

  18. tito corleone says:

    Caro Rui,
    apesar de concordar com o seu texto acho que lhe falta tocar em 2 ou 3 pontos que considero importantes, dada a minha experiência pessoal como “college drop-out”. Por acaso sou industrial de panificação de 3ª geração. Não foi vida que algum dia quisesse até ter entrado para a Faculdade e me ter apercebido que é verdade que para ter o conforto de receber 14 ordenados e regalias como subsídio de desemprego ou baixa teria que andar sempre a esticar a palma da mão a alguém. Ora, tendo um sério problema em lidar com autoridades e um agudo défice de atenção, ter patrão ou acabar o curso foram coisas que nunca se vislumbraram no meu horizonte.
    O que me faz mais confusão na minha geração, não vou falar das outras, é a facilidade com que saiu para a rua a apregoar, indignada, que apenas recebe 500€ por mês ou que ninguém lhe dá emprego. Acho uma falta de auto-estima e de, pardon my french, tomates, reclamar algo que nunca foi nosso. O direito ao trabalho é coisa que não existe, é uma balela igual a tantas outras transmitidas ao povinho a seguir ao 25 de Abril. Existe o direito inegável à procura de trabalho ou criação do próprio, e aí ninguém vai pôr entraves. Irrita-me a arrogância com que os licenciados gritam que “merecem” um trabalho digno, e por digno entenda-se bem pago. É muito simples… Para terem um trabalho digno é preciso que haja um patrão (essas bestas) que o providencie. E de patrões ninguém gosta. Eu não, pelo menos. Por isso optei por uma vida em que tenho obrigatoriamente que tomar banho todos os dias, não posso folgar ou ficar em casa quando estou doente, ou de ressaca vá, porque do meu trabalho depende a alimentação básica de idosos e crianças. Se ganho bem? Ganho o suficiente para pagar a minha independência e um carro em segunda-mão ao banco e ir jantar fora 2 vezes por mês. Se podia estar em casa dos meus pais? Podia, mas não quero, o meu orgulho não permite. E devo acrescentar que me custa bastante ouvir os meus colegas geracionais queixar-se da vida quando, pura e simplesmente, não sabem o que ela é… E como eles não entendem o meu modo de vida eu não respeito as usas queixas.
    “Que fazes tu na vida?
    -Sou engenheiro à procura do primeiro emprego?
    -E já tentaste outras coisas?
    -Não vou trabalhar fora da minha área, não tirei um curso para ir fazer outra coisa…”
    É legítimo? Claro que sim, a vida é feita das escolhas de cada um… E escolha é a palavra chave aqui. Estão em casa dos pais a lamentar-se porque… Assim escolheram! Trabalho há muito, não é à medida dos sonhos de cada um, claro, mas isso dos sonhos é para meninos e doentes mentais. Se não querem ir ganhar o ordenado mínimo, não vão! Mas parem de chatear a cabeça aos outros… Um curso é um papel e mais nada. E o trabalho é um meio de ganhar dinheiro, que é um meio para ter coisas… Tão simples quanto isso. Estar à espera que os senhores governantes inventem riqueza para o patrão pagar ordenados é como enfiar um cagalhão numa gaiola à espera que ele cante…

    Obrigadinho pela atenção, caro Rui. Ganhou um leitor.

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