
O director-geral das Artes, Jorge Barreto Xavier, demitiu-se ontem do cargo alegando “divergência” com a ministra da Cultura Gabriela Canavilhas, “sobre o modo de desenvolvimento das políticas de apoio às artes”, declarou à agência Lusa. A demissão acontece num momento de grande contestação por parte do sector cultural em relação à actuação do Ministério da Cultura. Em causa estão os cortes orçamentais de dez por cento nos apoios do Ministério da Cultura aos artistas independentes, às fundações e a outros agentes culturais.
A Direcção Geral das Artes (DGA) era um dos organismos mais prejudicado com os cortes orçamentais. Antes do anúncio dos cortes, já Jorge Barreto Xavier, havia afirmado que a DGA estava a funcionar com os mínimos.
A demissão do director-geral das Artes acontece numa altura em que os agentes culturais se têm organizado em plataformas, protestando contra as medidas governamentais. Na sua perspectiva os cortes orçamentais — que o ministério alega só terem efeito no segundo semestre de 2010 — vão ter um impacto negativo no frágil tecido cultural e colocar em risco a produção artística contemporânea portuguesa.
Na sequência desses protestos, esta semana, o Governo anunciou que os cortes nos orçamentos para institutos e direcções gerais do ministério vão baixar de 20 para 12,5 por cento. Jorge Barreto Xavier, de 44 anos, tinha sido nomeado para o cargo em Abril de 2008 pelo então ministro da Cultura José António Pinto Ribeiro.














