Texto de Teresa Filipe Lopes – É a estreia dos “Diz Teresa Cinzenta”, uma companhia de teatro formada por 8 jovens actores. Jovens, mas só fora de palco. para lá do pano revelou-se uma obra de mestres que foi aplaudida de pé. Porque valeu a pena. porque estamos aqui, e no minuto seguinte…
Texto: Teresa Filipe Lopes | Fotos: Orlando J Rebelo
Escolhemos uma 5ª feira por ser a noite em que aparece menos gente. Ao fim de dez minutos de Jazz em frente à cortina vermelha constatei que “pouca gente” era mais de metade da sala. Estava curiosa por ver a tragédia de Shakespeare sob a perspectiva de quem nunca sai das muralhas do castelo.
O palco está ao nível do chão como se todos estivéssemos nele. O que não foge à verdade. É uma peça que também nos mostra, também nos conta.
À entrada foi-nos indicado que só seriam permitidas fotos nos primeiros dez minutos de espectáculo. Nesse momento tive a sensação de estar prestes a assistir a uma experiência intensa. E estava certa.
As luzes apagaram-se e do silêncio surgiu um canto hipnótico, iluminado por uma vela suspensa numa gaiola. Vera Feu e Marco Medeiros são a voz e a alma enigmática da peça. Com o crescendo da luz desenvolve-se todo um ambiente que nos envolve mais a cada acto. Graças à criatividade da cenografia, à encenação, ao figurino e a um corpo de actores que tomou a plateia de assalto. “Quem está aí?”
Francisco e Bernardo abrem a acção. Dois guardas cuja rotina os torna invisíveis aos olhos de quem passa, e que tomam contacto com os sonhos que todos os dias deixam por cumprir. Rodrigo Saraiva e Romeu Vala encarnam os dois personagens que nos prendem do princípio ao fim da peça.
Rodrigo foi uma verdadeira surpresa para mim. Não tinha expectativa acerca da prestação de ninguém em particular, mas estava habituada a vê-lo na televisão, em programas juvenis. Vê-lo ali foi ver um homem feito tomar conta do palco.
A história é colorida pela aparição de personagens ricos e disruptivos que nos arrancam suspiros ou gargalhadas com a mesma facilidade. A prestação de Laura Galvão e Alexandre Carvalho são bons exemplos dessa entrega.
Fico tentada a contar toda a história. Mas não seria justo nem suficiente. É preciso ir ver, sentir e tirar o chapéu perante toda a companhia. Em especial a Hugo Barreiros que, de pena leve, nos pergunta de que vale a vida se não for vivida, de facto.
As Muralhas de Elsinore
de 5ª a sábado às 21H30, de 30 Maio a 12 de Junho
Em cena no Teatro Independente de Oeiras
www.dizteresacinzenta.com














