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Pe. Mário de oliveira: “O Papa vem a Fátima porque está mal de finanças”


Por Tiago Salazar – Por falar em padres, a A23 estreia-se à conversa com um incorrupto homem de Deus. O Padre Mário de Oliveira, presbítero-menino, pecador, jornalista e escritor, autor de obras incontornáveis como “Fátima Nunca Mais”, “Quando a Fé Move Montanhas” ou o mais recente (e silenciado) “Novo Livro do Apocalipse ou da Revelação”, livro que diz na cara o que o exortado “Caim” de José Saramago apenas sugere, isto é, a grande farsa do Sagrado. Do Papa, o “mais medonho rosto do Poder Eclesiástico”, ao Bispo do Porto e Prémio Pessoa, do negócio de Fátima e do Vaticano aos modernos Amaros inspiradores do Eça , todas as vergonhas católicas vieram à liça do Padre Mário da Lixa.

Texto Tiago Salazar | fotografias de Ricardo Paulouro/A23

Eu, pecador me confesso

Este “habeas corpus” ao casamento homossexual reabre campo de discussão para outros temas espinhosos na sociedade e na Igreja Católica, caso dos padres procriadores ou do fim do celibato entre padres que praticam o ministério?

Deveria (re)abrir, mas, hoje, infelizmente, nada nas altas esferas da nossa Igreja católica nos diz que irá ser assim. E de certeza que não será assim. Para nossa vergonha católica. E para nosso mais completo descrédito. A Cúria Romana, com os seus cardeais sem entranhas de humanidade, todos eunucos à força (mai-la sua hierarquia episcopal e paroquial à frente de todas as dioceses e paróquias territoriais espalhadas pelo Mundo, toda, infantilmente, obediente e reverente às ordens emanadas de Roma; toda feita só de homens, e homens eunucos à força e prisioneiros de privilégios de que não querem abdicar; sem um pingo de espinha dorsal e cheia de medo do Núncio apostólico do Vaticano, a residir na capital de cada país da Cristandade, com a missão de controlar /registar ao pormenor tudo o que os bispos e os párocos possam dizer e fazer de dissonante da linha traçada pelo Papa), em lugar de saudar e acompanhar esta abertura da Sociedade civil, fecha-se demencialmente ainda mais no seu reduto moralista sem Moral. Como um náufrago no alto mar que, desesperado, se agarra a um qualquer resto da embarcação destroçada. Quando ela, como Igreja de Jesus que diz ser, deveria viver sempre na crista da onda e à cabeça do pelotão da História, a abrir caminhos ainda por andar pela Humanidade. Que para isto é que a Igreja existe: para ser a parcela mais ousada e mais libertária da Humanidade. Só que tanto a Cúria Romana, como a hierarquia que infantilmente se lhe submete, são Poder Eclesiástico puro e duro, não são Igreja, a de Jesus, o Crucificado pelo Poder Sacerdotal e pelo Império. Como tal, actuam ambas, em uníssono na História, precisamente nos antípodas de Jesus

A esterilidade dos eclesiásticos é a excepção ou a regra?

É a regra. Salta à vista de toda a gente. Falo, obviamente, de esterilidade no sentido mais lato, não apenas no sentido sexual-genital. De resto, a pior esterilidade dos eclesiásticos nem é a sexual-genital. É, sim, aquele seu esquizofrénico jeito clerical de ser-viver todos os dias. O templo e o altar que eles profissionalmente frequentam e onde são reis e senhores absolutos, nunca foram espaços e ambientes de fecundidade humana. São, até, o que há de mais estéril. Já era assim com os sacerdotes dos velhos cultos do Paganismo religioso. Até podiam ser casados e ter filhas, filhos, mas eram os mais estéreis dos seres humanos. Ocupavam-se exclusivamente das imagens das deusas e dos deuses, faziam todos aqueles ritos e rezas sem sentido e, com isso, não só alienavam as populações, como ainda lhes alimentavam os ancestrais medos com que elas andavam possessas e que as tornavam violentas umas para com as outras. Como hoje ainda sucede. E para pior. Não só com os cultos religiosos nos templos e nos altares, mas também e sobretudo com os cultos seculares /laicos, em honra do Senhor Deus Dinheiro, sem dúvida, o mais omnipotente, o mais omnipresente e o mais omnisciente dos deuses-ídolos deste nosso Século XXI.

Conhece padres que emprenharam já de votos assumidos e que não abdicaram da batina?

Não sou detective particular, nem polícia de costumes. Como presbítero da Igreja do Porto, toda a minha vida está centrada na missão de Evangelizar os pobres e os povos. Sou, ao mesmo tempo, jornalista de profissão (hoje, já na reforma, se bem que ainda mais activo do que nunca), mas nunca enveredei pelo jornalismo de investigação de costumes, muito menos dos meus irmãos padres /presbíteros. Sempre deixei isso aos clérigos juízes dos Tribunais eclesiásticos e aos moralistas laicos que, por vezes, em matéria de costumes, nomeadamente, no campo do exercício da sexualidade humana e clerical, conseguem ser ainda piores do que os juízes eclesiásticos. Eu sei que os meus camaradas jornalistas que enveredam por aí, pretendem saber se os padres são coerentes com o que prega a instituição que eles integram. Só que, em meu entender, os jornalistas deveriam ser os primeiros a denunciar como imoral o moralismo pregado pela instituição católica, em vez de correrem a acusar (não estou a referir-me aos casos de pedofilia, que sempre devem ser denunciados, seja quem for o abusador dos menores) os possíveis “prevaricadores” desse moralismo imoral. Porque o que é imoral nunca é para ser acatado e praticado, mas para ser denunciado e, até, infringido. Condenemos, sem rebuços, o Moralismo imoral. Não condenemos os “prevaricadores” que, com as suas práticas “prevaricadoras” (também não estou a pensar em casos de violações que devem ser denunciados), estão a deitar por terra o Moralismo imoral institucionalizado!

É histórico que os padres católicos sempre procriaram, sobretudo no Brasil, onde deram nomes ilustres à política, às letras, à diplomacia e por aí fora. Além de Papas pais, ou do nosso Aquilino Ribeiro, um acaso feliz de um romance de vigário. Esta tradição povoadora do clero e dos seus homens doutos não devia ser enobrecida ao invés de satirizada?

Em coerência com o que acabei de dizer, deveria responder sim, a esta sua pergunta. Entendo, inclusive, que a comunicação social e a literatura, assim como o cinema e as conversas de café deveriam enobrecer tais homens, em lugar de os satirizarem, como quase sempre fizeram /fazem. Satirizar esses homens é dar mais força ao Sistema eclesiástico moralista intrinsecamente perverso. É ser também perverso. Por mim, prefiro outra postura: nem enobrecer, nem satirizar, muito menos, humilhar. Prefiro a postura evangélica e jesuânica daqueles poucos presbíteros e bispos que, dentro da Igreja, denunciam, abertamente, uma e outra vez, como eu próprio faço, o Moralismo imoral da instituição eclesiástica, em todas as suas áreas, que não apenas na área da Lei do celibato obrigatório dos padres, mesmo que, por via disso, venham a ser canonicamente penalizados e, porventura, arbitrariamente afastados de funções. Porque, no tocante ao Moralismo imoral da Igreja católica, o mais grave nem chega a ser a Lei do celibato dos padres. Basta ver as aberrações que esse Moralismo imoral ensina e impõe, ainda hoje, aos casais católicos, aos adolescentes, aos homossexuais /lésbicas. É de bradar aos céus, melhor, à Terra. Tais doutrinas, neste campo da sexualidade praticada, são tão aberrantes, que eu nem sei como ainda há casais, adolescentes, homossexuais /lésbicas que continuam a dizer-se católicos, a frequentar as missas de domingo, a baptizar as filhas, os filhos, a “obrigá-los” a frequentar a catequese paroquial e a casarem-se canonicamente ou pela Igreja, como se diz. Só o podem fazer por força da inércia, da tradição, mas até isso é objectivamente imoral. Porque tudo o que se faz, sem convicção pessoal, apenas por rotina /inércia /tradição, ou apenas para agradar aos pais, é imoral, é pecado, um daqueles pecados que, embora não pareça, nos desumanizam e infantilizam.

Assumir esta deriva oficial de filhos de padres, vigários, presbíteros, párocos, priores ou afins seria uma forma de, por exemplo, arregimentar mais seminaristas e rejuvenescer a Igreja?

Não creio. Ninguém é padre /presbítero da Igreja por sucessão genealógica, como numa monarquia, em que o filho do rei, rei será. E, se rei não for, pelo menos, príncipe /princesa será. Se entrássemos por aí, a Igreja seria uma empresa mais, no universo das empresas. Uma espécie de transnacional da Religião. Por sinal, é isso que a Igreja católica, hoje, parece ser, uma transnacional do Religioso, da Idolatria religiosa. Porque os presbíteros, quase todos, desistiram de o ser e, em seu lugar, passaram a assumir-se como “sacerdotes”. Foi o Concílio de Trento (século XVI), de triste e má memória, que operou esta transubstanciação. Perversa, diga-se, com toda a força de que formos capazes. Foi também neste Concílio que a Lei do Celibato obrigatório deixou de ter mais escapatórias. Até então, muitos padres que as populações tinham por “amancebados”, na realidade, eram casados. Só que ninguém sabia, para lá dos próprios. Casavam-se clandestinamente. E foi para acabar com esta derradeira possibilidade, que o Concílio de Trento definiu como doutrina de Fé (uma aberração de todo o tamanho!), que o sacramento do matrimónio só seria válido, quando fosse realizado na presença do pároco da noiva ou do noivo. Até então, o sacramento acontecia, sempre que um homem, padre que fosse, e uma mulher se declarassem marido e mulher, nem que fosse apenas perante as estrelas numa noite de luar. Em meu entender, só haverá mais padres /presbíteros na Igreja, quando este modelo institucional de Igreja que hoje conhecemos desaparecer. O Poder Eclesiástico que está a fazer-se passar por Igreja, gera súbditos, é totalmente estéril no que respeita a gerar seres humanos-com-causas, pelas quais valha a pena dar a própria vida. Benditos, pois, os jovens que, enquanto permanecer este modelo clerical de Igreja, recusam dar-lhe corpo com os seus corpos, seja como ajudantes de altar /acólitos, seja como padres /sacerdotes. Presbítero da Igreja, só mesmo por vocação. Nunca por procriação! Nem sequer como profissão.

Há já uma associação de padres casados, a Associação Fraternitas Movimento. Fazia sentido abrir uma sucursal de padres pater famílias?

Conheço a Fraternitas Movimento, mas não tenho quaisquer ilusões a seu respeito. É uma associação com muito de beatice eclesiástica e clerical. Integra padres casados e respectivas esposas. Mas os seus associados continuam a ser padres que não perderam os tiques clericais, beatos. São uns tristes. Vivem com saudades do altar, que tiveram de deixar, por terem casado. A maior parte deles só se sentiu menos-mal consigo mesmo, depois que conseguiu a “dispensa” de Roma e pôde casar-se canonicamente. O processo de “dispensa” foi /é uma atroz humilhação de quem a ele recorre. E o casamento canónico que se realiza depois é outra humilhação igual ou pior. Melhor, muito melhor, será realizar o casamento civil, ou a simples união de facto, com os nubentes como protagonistas, bem longe de todo aquele Moralismo rançoso que se respira no interior dos templos paroquiais e em redor dos altares. Padres casados, sim, mas sem terem de andar, o resto da vida, a rastejar diante dos bispos e a mendigar os seus favores. E muito de tudo isto é o que se faz na Associação Fraternitas Movimento. Melhor fossem padres casados ateus ou agnósticos, do que assim tão lacaios dos bispos residenciais, senhores dons fulanos de tal. Uma vergonha que se aceita como eclesial, quando o que é eclesial é a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade. Instituir uma sucursal de padres pater famílias? Nem pensar. Seria somar mais Humilhação áquela que já existe. Só mesmo para sadomasoquistas que, pelos vistos, é do que mais há nos ambientes eclesiásticos e clericais!

O futuro da religião católica passa por esta abertura de espírito?

Por mim, não falo de “futuro da religião católica”. Falo de futuro da Igreja católica. Não! Não são a mesma coisa. Ao contrário do que se pensa e escreve, Igreja e religião não são sinónimos. São antónimos. É da natureza da Igreja ser anti-religiosa, ou, pelo menos, a-religiosa. A Igreja não é uma religião. Por isso é que tem presbíteros /bispos, não tem sacerdotes. Tem casas familiares, não tem templos. Tem mesas compartilhadas, não tem altares. Tudo o que por aí se vê e faz é herança e prossecução do Paganismo religioso do Império romano que acabou por ser integrado na Igreja e, com isso, a descaracterizou e a paganizou. Até hoje! O futuro da Igreja passa por um Novo Nascer. Ou a Igreja Nasce do mesmo Espírito /Sopro Maiêutico de Jesus, assassinado pelos da Religião e do Império, ou não tem futuro. E, se, tal como ela hoje está, conseguir manter-se na História, será apenas como um Museu, porventura, muito respeitável, mas Museu. Sem vida. Como que a dizer aos vindouros que o caminho do Humano não passa por ali. É preciso Nascer de Novo, do Sopro gerador de Liberdade e de Maioridade Humana. É por aqui o caminho, se a Igreja quiser ter futuro. Mas o mais importante, nem é a Igreja ter futuro. É a Humanidade ter futuro. E o Planeta Terra. Será que vamos ter? Fosse a Igreja o que deveria ser, e haveria muito mais garantias da Humanidade e o Planeta Terra terem futuro. Assim, podemos desaguar todas, todos, um dia destes, no Abismo, na Implosão! Entendam estas minhas palavras como um alerta de sentinela, que é, de resto, um dos principais aspectos da missão dos presbíteros /bispos da Igreja e da própria Igreja. A de Jesus, obviamente..

Acha que o Islão tem maior facilidade em cativar a juventude para a fé?

R. Mas há Fé, no Islão? Ou tirania? Ou fanatismo? Fé, como acto de Lucidez e de Liberdade, como fonte de Maioridade Humana, eu só conheço uma, a mesma de Jesus. É a única que é Maiêutica. É a única que não tem na sua génese o Medo, o Ídolo, a Idolatria. Toda Fé religiosa tem na sua génese o Ídolo, a Idolatria. Por isso é que todas as religiões são perversas. E a do Islão não é excepção, bem pelo contrário. Basta ver a vida do suposto fundador, praticamente, nos antípodas da de Jesus, o filho de Maria, que não fundou nenhuma religião e combateu duelicamente, ainda que sempre desarmado, a Religião oficial do seu país, o que foi tido como a máxima blasfémia, sancionada com a morte crucificada na Cruz do Império. Os jovens muçulmanos podem ser aliciados /recrutados /amestrados para o Islamismo. Podem “oferecer-se” como “homens-bomba”. Mas a troco de quê? Por favor, não sejamos ingénuos. Lá, onde não houver Liberdade /Maioridade Humana, não há seres humanos. Há mercenários, há recrutados, há prosélitos, há escravos, há máquinas-humanas-prontas-a-fazer-se-explodir. “Eu – diz Jesus, a quem crucificaram – nasci e vim ao Mundo, para dar testemunho da Verdade; e para que todas, todos tenham vida, e vida em abundância”. Conhecemos mais alguém assim?!

Já agora, como é que os padres resolvem os naturais ardores do desejo, a paixão, a tesão? Lêem Platão no lugar da Playboy ou da Gina?

Teria de perguntar a cada um deles, porque cada ser humano, também o ser humano que se tornou padre, é único e irrepetível. Não há dois casos iguais. E, depois, é importante que quem faz perguntas a alguém saiba onde deve parar. Para não devassar a intimidade da pessoa que aceita que lhe façam perguntas. O que queremos para nós, devemos querer para as outras, os outros como nós. E nem sempre os jornalistas têm sido capazes de respeitar esta fronteira. E devassam a intimidade dos demais, como se fossem uma espécie de Pide de costumes, o que, obviamente, não é deontológico. Outra coisa importante a ter em conta, quando lidamos com os seres humanos e a sua intimidade, é percebermos a dimensão de Mistério que cada um de nós, ser humano, é. E ninguém, nem mesmo o próprio, deve profanar o Mistério que cada ser humano é, que todas, todos somos. Que fique claro duma vez por todas: A sexualidade humana só é bem abordada num clima de afectos partilhados. Nunca num clima de Tribunal, muito menos, de Tribunal da Inquisição jornalística. Cuidemos, primeiro e sempre, em formarmos seres humanos em estado de Liberdade e de Maioridade, e tudo o mais virá por acréscimo. Sem necessidade de polícias de costumes, como os fariseus do tempo e do país de Jesus, que não largavam nunca o pé de Jesus, para ver se o apanhavam em falso. Os padres /presbíteros que o são por vocação, como é o meu caso pessoal, e não por profissão ou como modo de vida, não precisam de frequentar Platão, muito menos a Playboy ou a Gina. Não porque essas sejam áreas interditas a um padre /presbítero da Igreja. Não são. Nada é interdito a um ser humano constituído na Liberdade e na Maioridade. Mas basta-nos frequentar-escutar-ser-viver, todos os dias, o belíssimo Poema erótico bíblico, Cântico dos Cânticos. Porque, lá, onde abundam os afectos partilhados, na sua máxima expressão, que é a Gratuidade e não a lei, a sexualidade humana é sempre vivida com a mesma naturalidade com que se respira. Ao modo matrimonial, nuns casos; ao modo de celibato pelo Reino /Reinado de Deus, noutros casos. Celibato como castração, é coisa desconhecida nesses ambientes de Liberdade /Maioridade Humana e de afectos partilhados, ainda que possa ser essa obscena concepção que continua aí na cabeça, nem sempre moralmente pura, de muita gente que, da sexualidade humana, (quase) só conhece a pornografia e a prostituição. Precisava essa muita gente de assumir /praticar o celibato pelo Reino /Reinado de Deus, num enfrentamento duélico de todos os dias contra o anti-Reino /Reinado de Deus, que é hoje o Império Financeiro Global, para saber por experiência como se vive a sexualidade, na alegre e feliz condição de celibato opcional, que não tem nada a ver com o celibato imposto por uma perversa Lei eclesiástica!

Na pedagogia do seminário continua a induzir-se a masturbação para expiar a libertação do tirano?

Do que hoje sucede, nos seminários, não posso falar. Mas não creio plausível tal coisa. Os tempos são outros e até os últimos quatro anos de Teologia, antes da ordenação, são passados na Universidade Católica, numa grande mistura de cursos, de mulheres e de homens, da mesma idade. Quanto ao passado, posso testemunhar que eu próprio frequentei o seminário durante 12 anos, entre 1950-1962, em regime de internato, e nunca percebi que nos fosse induzida, por parte do chamado “director espiritual”, semelhante orientação. O que sempre percebi é que praticamente tudo o que dissesse respeito a sexo era pecado, inclusive, a masturbação, um termo que, entretanto, nunca chegava a ser sequer pronunciado! A pedagogia era outra: manter-nos ininterruptamente ocupados, sem intervalos para a ociosidade, então, referida como “a mãe de todos os vícios”. Todos os minutos estavam programados, até o tempo de brincar e de dormir. Era como se todos fôssemos seres assexuados, sem sexo! Importa, pois, conhecermos bem a realidade de então, para não nos deixarmos enganar pelas mentes mais ou menos perversas /neuróticas de certos escritores que faziam (ainda fazem?!) do próprio acto de escrever romances ou guiões de filmes, uma masturbação intelectual. A ideologia que, então, se respirava no seminário era manifestamente moralista, fazia ver pecado em tudo o que tivesse a ver com sexo, mas, entratanto, não deixava de cultivar sólidos valores, só que dentro dessa visão moralista. Pessoalmente, nunca me senti reprimido naqueles doze anos de internato, com férias de permeio. Foram anos, durante os quais, desenvolvi múltiplas capacidades, inclusive, desportivas, por sinal, nem sempre bem vistas, estas últimas, por parte dos padres superiores. Em algumas delas, cheguei mesmo a ser craque, por exemplo, no voleibol, no futebol, no ténis-de-mesa e até no hóquei em patins! Depois de ordenado, apenas tive de me afastar rapidamente daquele sopro moralista em que havia crescido. Foi o que fiz e passei a deixar-me conduzir progressivamente pelo Sopro /Espírito de Jesus, que é o da Graça e da Verdade, e que fez/faz de mim um homem constituído na Liberdade /Maioridade, por isso, uma dádiva viva para os demais, Pão Partido que se dá a Comer, Vinho Derramado que se dá a Beber. E é assim que, ainda hoje, prossigo, como presbítero da Igreja do Porto, felizmente sem qualquer ofício pastoral oficial e também sem qualquer benefício eclesiástico. Digo felizmente. E se alguma coisa eu tenho a lamentar, é que a Instituição-Igreja que integro não me tenha acompanhado neste meu Êxodo do universo opressor do Moralismo e da Lei para o universo jesuânico /maiêutico da Graça e da Liberdade /Maioridade. Problema dela. Felicidade minha!

O enredo d’ O Crime do Padre Amaro ainda se mantém contemporâneo?

Pode haver ainda um caso ou outro, mas não é hoje o comum entre os padres da Igreja católica. Pelo menos, entre nós. Não digo que esta mudança resulte da maturidade do padre. Acho, até, que é o contrário. É ainda o Moralismo, entranhado como um mítico demónio na consciência dos padres, a fazer das dele. Cumpre-se – ou, dito pela negativa, não se faz isto ou aquilo – porque a Lei manda ou proíbe. E o desrespeito da Lei, para estes homens que não saíram do Moralismo, é sempre pecado, mais ou menos grave. E o pecado é um risco de condenação. O pior do Moralismo eclesiástico é manter as pessoas, padres e bispos incluídos, em estado de menoridade, por toda a vida. Fossem adultos, e seriam eles próprios os primeiros a derrubar o Sistema que os oprime e amedronta. Porque, afinal, o Sistema Eclesiástico é criação humana, é criação do Poder ou da fome /sede de Poder Eclesiástico. Não vem de Deus. Só do Ídolo. Cresçam os padres /presbíteros no Humano, e o Moralismo que os infantiliza, cai como um baralho de cartas. Erguer-se-ão, em seu lugar, padres /presbíteros em estado de Liberdade e de Maioridade Humana. Criadores de Liberdade e de autonomias. A Cúria Romana não gostará de semelhante revolução, mas não terá outro remédio senão aguentar. Ou terá de fechar as portas, por falta de quadros qualificados. Assim, pobres homens clericais, não passam de eunucos à força, que nunca chegam a libertar-se definitivamente do medo do “pai”, da “Lei”, do “Pecado”. Até que a Morte, quando chegar, faça o que os próprios, há muito, haveriam de ter feito!

É um mito rural que os padres de vilas e aldeias se amigam com as suas devotas?

R. Acho que é um mito. Pode haver excepções a esta regra. Mas serão só isso: excepções. Como já disse, a “lei”, o “medo”, o “pecado”, o “castigo” ainda continuam a ter muito peso nos clérigos, formatados para obedecer à lei moralista e ao bispo-senhor. Pelo menos, os párocos mais velhos. Os das novas gerações, forma(ta)dos na Universidade Católica, em ambientes outros, poderão comportar-se de outro modo. Mesmo assim, o recente caso do Pe. Rui, obscenamente, mediatizado até à náusea, veio mostrar que, quando ele não foi mais capaz de resistir aos encantos da sua paroquiana, bem mais nova do que ele, pôs, de imediato, um ponto final no ofício de pároco e partiu para outra. O que só confirma o que comecei por responder: Hoje, é mais um mito rural, do que um facto.

A Igreja só teria a ganhar na sua modernização se acabasse com estes dogmas arcaicos?

Sim, só teria a ganhar. Mas não confunda as coisas. Não são dogmas. São meras leis eclesiásticas que, assim como foram criadas pelos próprios homens da Igreja, à revelia do Evangelho de Jesus e das práticas paradigmáticas das primeiras comunidades do Novo Testamento, também podem e devem ser banidas, a qualquer momento, por eles. Cabe às gerações deste nosso Século XXI abolir de vez o que nunca deveria ter sido institucionalizado na Igreja. Manter por mais tempo essas leis, é pecado. Acatá-las e respeitá-las, sem convicção pessoal, só porque são leis da Igreja, é pecado. E nem é preciso ser muito corajoso para se avançar nesta direcção. O Povo de Deus, na sua esmagadora maioria, não quer outra coisa. E como reza um velho ditado teológico-popular: Vox populi, vox Dei (= voz do povo, voz de Deus). Avance-se, então. Já. Saibam que há 16 séculos, já era tarde para avançarmos!

Acha que o Prémio Pessoa, o bispo do Porto D. Manuel Clemente, um homem com uma voz de largo espectro, devia desviar uns decibéis para estes temas espinhosos?

Devia, mas não é o que está a acontecer, nem acontecerá. Como eu próprio escrevo no meu mais recente livro, NOVO LIVRO DO APOCALIPSE OU DA REVELAÇÃO, edição AREIAS VIVAS (um livro que revela o que o romance Caim, de Saramago, esconde!), os caminhos que o Bispo Manuel Clemente tem trilhado, desde que aceitou ser Bispo do Porto, podem ser muito eclesiásticos-católicos, mas não são nada jesuânicos. E, se não são nada jesuânicos, são inevitavelmente caminhos desviados do Caminho, da Verdade e da Vida que é Jesus, o filho de Maria. E, por isso, desviados dos seres humanos de carne e osso, também dos padres e dos bispos, inclusive, dele próprio, de seu nome, meu /nosso irmão.

Quem é quemPadre Mário de Oliveira Nasceu a 8 de Março de 1937, em Lourosa, Feira. Foi ordenado padre/presbítero da Igreja do Porto, a 5 de Agosto de 1962. Desde então, até ficar, desde Março de 1973, por decisão pessoal unilateral do Bispo António Ferreira Gomes, na anómala situação canónica de padre sem ofício pastoral oficial, que é aquela em que ainda hoje se encontra, foi sucessivamente coadjutor da Paróquia das Antas, no Porto; professor de Religião e Moral nos Liceus Alexandre Herculano e D. Manuel II, também no Porto; capelão militar na Guiné-Bissau, de onde foi expulso, ao fim de quatro meses, por pregar o Evangelho da Paz aos que lá faziam a Guerra Colonial; pároco de Paredes de Viadores, Marco de Canaveses, onde, desassombradamente, levou a sério a sua missão de Evangelizar os pobres, o que lhe valeu a exoneração, ao fim de 14 meses, decidida pelo então Administrador Apostólico da Diocese, o Bispo Florentino de Andrade e Silva, esse mesmo que, ao ver-se, ele próprio, 15 dias depois, afastado do cargo, devido ao inesperado regresso do exílio de dez anos do Bispo do Porto, levou com ele, da Cúria diocesana, a prova do crime, concretamente, o decreto comprovativo da exoneração; pároco de Macieira da Lixa, concelho de Felgueiras, em cujo exercício foi duas vezes preso pela Pide em Caxias e outras tantas julgado no Tribunal Plenário do Porto. Em Maio de 1974, já sem qualquer título pastoral oficial, ainda integrou, a pedido dos próprios, a Equipa de Padres da Zona Ribeirinha do Porto. E, sem deixar esse serviço presbiteral, tornou-se, em Janeiro de 1975, jornalista-delegado no Porto do vespertino República (carteira profissional n.º 492). Quando, um mês depois do 25 de Novembro de 1975, este vespertino acabou, por decisão do novo Poder Político emergente, foi sucessivamente redactor principal dos jornais Página Um, Aqui e Correio do Minho. Ao completar 50 anos de idade e 25 anos de presbítero, decidiu passar a integrar a pequenina Comunidade Jesuânica de Base “Grão de Trigo” e, com ela, viver organicamente ligado ao povo marginalizado de S. Pedro da Cova. Fundou, aí, juntamente com outros cristãos e cristãs de base, a Associação Padre Maximino, da qual continua a ser presidente da Assembleia-Geral, e lançou o Jornal Fraternizar, de que é director e redactor principal, há 23 anos consecutivos. Desde Fevereiro de 2004, como quem faz jus ao nome – Padre Mário da Lixa – pelo qual continua a ser ainda hoje mais conhecido, passou a viver sozinho numa casinha arrendada, em Macieira da Lixa. Como autor, tem mais de 30 livros publicados, todos fecundamente polémicos (ver a lista completa dos títulos, nas páginas finais deste volume).

27 Respostas a “Pe. Mário de oliveira: “O Papa vem a Fátima porque está mal de finanças””

  1. Marcos says:

    Não entendi vc ainda continua Padre ligada a Igreja Romana?

  2. José Antonio says:

    +Ave Maria,nossa Senhora de Fátima!

    Respeito pe. Mário, mas não sei que base tem ele para questionar as aparições de Fátima e porque tem ele tanto ódio à Hierarquia da Igreja Católica; penso que, se um padre não encontra mais seu lugar na Igreja ele deve pedir despensa a Roma de sua condição de Presbítero, arrumar um emprego, casar-se e ter filhos e não ficar insatisfeito com a Igreja, atacando seus Irmãos no Clero e a fé católica com críticas através de entrevistas, palestras e escritos como faz pe. Mário. Se pe. Mário perdeu sua fé católica acho que o lugar dele não é mais como padre, mas como leigo. Ele causaria menos escândalo agindo do modo supracitado.

    Abraços!

    Att.

    José Antonio.

  3. José Antonio says:

    Será que pe. Mário não está tirando algum prveito financeiro às custas da Igreja e por isso não quer largar a batina?

  4. Ana Faria says:

    padre Mário isto é que são ideias inovadoras, pena tenho eu que ainda existam tantas cabeças que não conseguem questionar, agarradas a ensinamentos que de verdadeiro não têem nada… A religião católica está cheia de erros…

    Bem Aja e tudo de bom para si

  5. Conceição Ramos says:

    é um prazer ler e ouvir o padre Mário, sem duvida um homem muito á frente da igreja. parabéns esta entrevista é excelente.

  6. Teresa de Jesus says:

    Senhor!
    Como pode um “padre” ter tantas dúvidas sobre o poder do Espírito Santo? Como se negam as aparições da Virgem Maria? quando Ela já apareceu em tantos lugares e continua a aparecer tão frequentemente em Medjugorge e a pedir oração?
    Orar não pode ser idolatria e é isso que devemos fazer no dia a dia e em especial por este “homem”, para que o Senhor o acompanhe e o ilumine. Bem precisa.
    Por aquilo que eu entendi e ele afirmou: como padre começou muito mal, ao esconder a sua maneira de pensar e agir, pois se se revelasse como era sabia que seria expulso do seminário e nunca teria sido padre. Porquê tanto interesse na ordenação?… Vocação?!!!…

  7. Fernando Cruz says:

    Sou ateu. Não acredito na ressurreição, não acredito na igreja nem nos seus dez mandamentos e muito menos acredito na hierarquia católica e no seu chefe, Bento qualquer coisa. (não me lembro do número). Mas acredito em homens honestos como Mário de Oliveira, padres ou não!

  8. Hélder Armando Patrão Silva says:

    Viva a honestidade intelectual profunda de homens que ainda têm a coragem de Ser, acima do Ter.

  9. Daniele says:

    Nossssa… então a igreja católica é mesmo muiiitoo poderosa para inventar uma história e deixar que ela durar mais de 1000 anos. Acho que antes de dar crédito a isso precisamos refletir e pensar se o escritor está falando a verdade, como Nossa Senhora permitiu que a verdade não seja revelada? E se esse padre não acredita na igreja, também pode não acreditar em Nossa Senhora, e também pode não acreditar no próprio salvador JESUS! Será que ele acredita em sua própria existência? no seu passado e no seu futuro? Bom… cada um tem o livre arbítrio para escolher e divulgar o que acha real, resta pedirmos a DEUS o discernimento.

  10. Pedro Oliveira Campos says:

    Acho que não entendi! Achei que veria um padre defender a Igreja. Vejo alguém que discorda do magistério da Igreja. Isso é inaceitável! O referido ‘padre’ acima NÃO pode se colocar acima do Magistério da Igreja. Claro que como cidadão tem todo o direito de pensar diferente. Então vá para o protestantismo, lá você encontro algum lugar para defender suas idéias contrárias a fé católica. Se não aceita os ditames do Magistério então vá embora. Se ao entrar no seminário pensava diferente, como bem mencionou alguém aqui, porque o interesse na ordenação. Sabemos muito bem que houve um tempo em que muitos se tornaram padres porque não tinham condições de pagar os próprios estudos. Esse senhor bebeu nas tetas da Igreja e se formou, comeu no prato e agora está cuspindo nele. Por favor, tenha mais vergonha na cara e dignidade. Sai fora!

  11. José da Cruz Boavida says:

    Petrus
    Em nenhum evangelho existe uma referência de Cristo para a construção da Igreja! Quando Constantino no declínio do Império Romano levou alguns seguidores de Cristo para R, estes decidiram a edificação da Igreja e o seu organigrama foi baseado no do próprio Império e assim aparece no topo da pirâmide o Papa.Também não disse Cristo que devia ser dirigida por Homens.A Igreja católica Apostólica Romana desde os primórdios sempre esteve ao lado dos poderes e ela própria é Poder do Sistema Politico Mundial( O Capitalismo) e o seu magistério foi sempre o dogma e o paganismo,Isto não tem nada a haver com os Evangelhos, que são defendidos por algum clero, nem com o seu dogmático pensamento da infalibilidade do papa e do seu magistério. Por isso o seu comentário ao Padre Mário de Oliveira, é ignorante, imbecil,dogmático, agressivo (como a Igreja foi para com os judeus), insultuoso para Mário de Oliveira e para com todos os padres pobres que tiveram de ir para o seminário, para fazerem os seus estudos, que concerteza também não querem uma Igreja dos RIcos.Mário de Oliveira é defensor da Fé Cristã e não da Fe católica, o catolicismo é a Universalidade da Igreja, não é religião. Você em vez de ofender um Homem Digno, Impoluto e Verdadeiro, devia olhar para a sua ignorância e tacanharia publica! “Sai Fora”

  12. manuel ferreira says:

    reconheço que os conteúdos da entrevista ferem em muito o que nos foi ensinado, da mesma forma que nos impingiram na escola a virtude dos nossos reis.
    Sinceramente não posso crer no Espírito Santo quando leio a história da Igreja e os crimes horrendos que ela cometeu por força da ambição do poder temporal recusado por Jesus, chamado de rei dos judeus.
    A Igreja precisa de ser renovada e voltada para os pobres, para os que mais sofrem e não percebo as riquezas do vaticano, os luxos de Roma, as vestes caras e as mitras que contrariam a simplicidade e a imagem do Cristo crucificado.
    O Pdre Mário é um contestatário dessa nobreza déspota que contraria a doutrina de Jesus, é um homem crítico e por isso dispensado do sistema, é um espírito aberto que contraria o mercantilismo de Fátima e não a mãe de Jesus, é um homem que se libertou e vive para os pobres como Jesus viveu. O seu lugar é com eles e a Igreja como a percebemos é uma organização de poder, feita por homens ambiciosos e como Jesus apareceu para salvar a humanidade expulsando os vendilhões do templo, vejo o padre Mário como um seu emissário para tentar renovar o mundo. Outros proliferam com essa missão mas penso que Deus vai ter de reencarnar de novo pois o ser humano precisa de ser salvo.

  13. Luis Pereira de Sousa says:

    Caro Sr.
    Estou inteiramente de acordo consigo. Ouvi – o esta madrugada na RDP com o seu projecto O BARRACÃO DA CULTURA. Não duvide; só com a mobilização das pessoas para o crescimento interior, sem restrições de fé ou preconcetos, é que será possivel invertermos esta tendência organizada que quer transformar um país num mercado de gente submissa, piedosa e sobretudo, mendigante.
    Desde o PR ao Governo, a todos os fazedores de opinião, o futuro está na esmola, na caridade. Não sabem que a esmola tanto deve indignar quem a dá, como quem a recebe. As pessoas têm direitos. Esses escapam, passam para o rol do voluntariado piegas e duvidoso, do favor e dos corações bondosos que a nossa comunicação tanto enaltece.
    Estou consigo.
    Luis Pereira de Sousa
    (jornalista)

  14. Isabel Anjos says:

    Caro Padre Mário,

    O senhor é um fenómeno! Honesto, direto, com uma sabedoria imensa. Se todos os seus colegas pensassem com o senhor, a igreja estaria muito melhor. O senhor é o melhor Padre do Mundo. Quanto a Fátima estou inteiramente de acordo consigo, alías já li um livro com alguns anos de outro padre que defendia o mesmo que o senhor padre pensa. Estou consigo e que Deus o abençoe.

  15. padre Joaquim van Leeuwen says:

    Li, reli e estudei o livro Fátima nunca mais. Cada vez mais me identifico com o autor. Usei trechos e comentários do livro em homilias e conversas. O que o colega defende nos seus livros e entrevistas encontro de outra maneira, porém sistemática, no livro do teólogo belga Roger Lenaers SJ: Outro cristianismo é possível. A igreja no Brasil já teve voz profética. Hoje os profetas estão minguando. A mediocridade é a norma. Ainda existem as CEBs, mas dá pena de ver os bispos numa submissão total à Cúria Romana.
    Nós padres no Brasil vivemos sempre num constante sobresalto. a relativa liberdade pode acabar de repente com a transferência do bispo. Ruim com ele, pior sem ele! Que o Padre Mário continue com coragem a mostrar o novo caminho.

  16. domingos dias says:

    Admiro as pessoas de coragem que são capazes de enfrentar o PODER INSTITUIDO.
    Já agora convem informar as pessoas que se ofendem com as afirmações do padre MO, a Igreja Católica foi fundada pelo Imperador Constantino e não por Jesus de Nazaré.
    E para terminar CRISTO não era nem nunca foi o nome do homem histórico que tanto invocam. Cristo foi uma “alcunha” que as comunidades gregas adoptaram ao traduzir da lingua original a palavra profeta ( em grego antigo “cristo”.) e que os romanos adoptaram.
    Se o islamismo tivesse seguido o mesmo caminho, a famosa frase “Alá é grande e Maomé o seu profeta” seria: “Alá é grande e Maomé o seu cristo.

  17. Helena de Castro says:

    Reverendo Padre, não conhecia a sua obra até ler o seu livro ” Fátima Nunca Mais” Devo dizer-lhe o seguinte; Educada como foi pelas religiosas da Congregação do Bom Pastor deveria estar em desacordo com o Srº Padre mas não. Fiquei a admirar a sua coragem e, partilho da mesma opinião em tudo que li. Apercebi-me tardiamente e já fora da Instituição o quanto me podiam ensinar mais sobre a Bíblia e menos sobre Fátima onde cheguei a fazer peregrinações e retiros. Os meus respeitosos cumprimentos e votos para que continue por muito tempo com a sua missão

  18. a verdade says:

    o bezerro dos nossos dias os santuarios marianos e os homens comparados a cabritos são analfabetos cegos surdos pois todo que vá contra o sistema instalado é errado mesmo que vá contra Deus verdadeiro para esses homens é errado dizer a verdade dos mandamentos hebraicos Deus sabe que os homens preferam o modomais facil mesmo que seja adorar esse demonio o diabo um deus do pecado em toda a terra imaginai o tamanho do demonio imaginai o poder que tem sobre os homens o bezerro venceu o mundo e os homens e os jovens todos lhes pertencem .
    observem a vida de Jesus Cristo ao pormenos observem o povo hebraico os seus mandamentos e digam com honestidade quem está certo

  19. EDSON ALVES says:

    O Padre Mário está equivocado e tenta induzir todos ao erro, ora Nossa Senhora apareceu sim em Fátima, é só ver que tudo que ela previu aconteceu, é uma insanidade achar que uma das pastorinhas viveu 98 anos escondendo uma farsa? ora Padre Mário façame o favor, não negue a verdade, MARIA a mãe DO SALVADOR DA HUMANIDADE apareceu simem Portugal mas precisamente em FÁTIMA para JACINTA, FRANCISCO LÚCIA, seu livro é um engodo, mude enquanto é tempo, ainda há tempo para corrigir o seu GRANDE ERRO.

    PADRE MÁRIO, COMO AINDA ESTÁ NA IGREJA CATÓLICA?
    SAIA E VAI CRIAR MAIS UMA IGREJA, E CONDENE-SE.

  20. [...] que revela, Aparição de Fátima foi um teatro O padre Mario de Oliveira revelou que a aparição de Fátima foi uma farsa,ele afirmou que tudo não passou de um teatro e [...]

  21. martinho lopes says:

    Meu caro Padre Manuel de Oliveira.
    Parabéns pela coragem que tem em denunciar os donos do mundo que prometem no céu tudo aquilo que negam na Terra, deixando morrer de fome e na maior miséria milhões de criancinhas indefesas e agora a complicar a vida de milhões de pessoas a quem já começam a dominar pela via da economia mundial já nas mãos das religiões e em especial do vaticano.
    Sou um escritor combatente desde há 10 anos, denuncio as inverdades do mundo e a corrupção dos governos.
    quase diáriamente escrevo sem papas na lingua sobre os vigaristas que nos governam, enviando para 1000 endereços de cada artigo.
    Gostava de ter o seu email para enviar também para si.
    Quase nasci em Fátima, passei lá um terço da minhas vida, meus pais eram fabricantes de artigos religiosos, tinha uma loja na praceta s. jose, o nº 33. Por viver de perto aquela podridão,,logo que saí da alçada paternal, saí para o espiritismo de Alan Kardec. Hoje sou um aluno da Filosofia Hermética, adoro a teosofia, comecei a escrever e a enviar os meus trabalhos para: www,sabedoriaviva,ning.
    Tive um site com 2500 páginas com 80 textos diferentes e tenho 1000 páginas em powerpoint com um trabalho em que falo sobre o morecialismo de Fátima e da religião, bem como da sua parceria com os governos de quem sempre foram aliados inseparáveis em Portugal.
    Parabéns pelo Guerreiro do Universo que é.
    Abraços
    Martinho Lopes

  22. martinho lopes says:

    a revolta de um padre que não tem papas na lingua.
    ESTE GOVERNO NÃO PODE CONTINUAR.
    ESTE GOVERNO TEM QUE SER DERRUBADO.
    OS CRIMINOSOS DA PÁTRIA DEVEM SER TODOS JULGADOS
    ESTE GOVERNO NÃO TEM COMPETÊNCIA NEM VONTADE POLITICA PARA CORTAR NAS DESPESAS DO ESTADO, PORQUE OS GRANDES TACHOS ESTÃO A FAVORECER OS SEUS PRÓPRIOS FILIADOS.
    ESTE GOVERNO TEM MEDO DE MEXER NOS TACHOS DOS SOCIALISTAS, PORQUE SE TAPAM UNS AOS OUTROS E SABEM DEMAIS UNS DOS OUTROS

    PASSOS COELHO COM RELVAS E CAVACO SILVA SÃO A TROIKA QUE ESTÁ A ENVENENAR A ECONOMIA PORTUGUESA.
    ATÉ OS PADRES E OS BISPOS MAIS CONSCIENTES ESTÃO A PEDIR PARA DERRUBAR ESTE GOVERNO QUE NÃO PRESTA.
    COMO DIZEM OS ECONOMISTAS COMPETENTES, ESTE GOVERNO NÃO SABE, NÃO QUER E DEVE DEMITIR-SE DE IMEDIATO.
    PORTUGAL DEIXOU DE SER UMA DEMOCRACIA PARA SER GOVERNADO POR DITADURAS DE DIREITA.
    ESTE GOVERNO NÃO, ESTE DESGOVERNO É PARA ACABAR E CONDENAR PELAS ATROCIDADES AO PAÍS E AOS CIDADÃOS.

  23. Carina says:

    O senhor é padre da igreja católica?
    Diz não acreditar no segredo de Fátima? Afirma que crianças foram induzidas a mentirem pelo clero de Ourém… Quando existiu um milagre, no qual imensas pessoas estavam presentes (incluindo familiares meus), que caso não saiba foi comprovado cientificamente (para todos os descrentes).
    Depois diz que chega a ser mais grave do que a pedofilia na igreja, quando padres que acreditam em Deus e dizem ter fé, acabam com a vida de crianças, acabam com os seus sonhos. E basta um psicólogo para curar tudo isto?
    Não sou a favor do mediatismo de Fátima, nem creio que foi aquela dimensão exagerada que Nossa Senhora pedia. Creio em Deus, em Jesus Cristo, acho que Maria é um exemplo a seguir mas não o centro do Cristianismo. No entanto duvidar de um milagre da dimensão que realmente foi, peço desculpa pela minha ignorancia se for o caso, mas é ridiculo! Queria que Nossa Senhora curasse Jacinta e Francisco do nada? Já agora que salvasse toda a gente da peste! Acha que Lúcia aguentaria uma mentira a vida toda?
    Condeno sim algumas coisas na Igreja e como tal é constituida, mas creio que todos nós que fazemos parte dela, somos homens, e como tal pecamos e nem sempre seguimos os caminhos mais corretos!
    Ou acha que queimar pessoas na fogueira foi correto? Pagar para se livrar dos pecados era correto? Lutar em nome de Cristo foi correto?
    Obviamente os homens que geriram a instituição igreja tiveram ideias diferentes e erradas! Mas qual o homem que não erra! Só Cristo não pecou, só Deus é perfeito.
    Se acha isso tudo não sei realmente como não mete em questão se Cristo existiu, e que ao receber o sagramento de padre consegue tornar o corpo e sangue de Jesus Cristo?
    Realmente faz-me confusão os seus ideiais.
    Talvez esteja revoltado?
    De facto o mundo está em evolução e é necessário mudar certas e determinadas coisas, na instituição da igreja. É necessário perceber qual é o centro da fé e perceber porque somos cristãos e não procura-los iludindo-os e com mediatismos. Quem acredita acredita, quem não acredita não acredita! Cabe-nos a todos espalhar o Evangelho e a Boa Nova.
    Mas decerto não creio que seja difamando a instituição que faz parte! Talvez devesse começar por outro caminho… E desculpe que lhe diga a duvida não é um bom principio, por mais que todos por vezes a tenhamos…

  24. andre says:

    Ler alguns dos comentários é deitar as mãos à cabeça de tanta burrice! Você tem de pensar pela sua cabeça. Você tem de ler os evangelhos e deixar-se de tretas!

  25. Paulo Luís says:

    Padre Mário de Oliveira Obrigado por ser como é. Obrigado por escrever e dizer exactamente como vê as coisas.
    Obrigado por não perder a esperança. São pessoas como o Srº que fazem a diferença entre o verdade e a mentira.
    Jesus está consigo, está com todos q acreditam na verdade e na mentira. Mas tenhamos fé existe muita gente pelo mundo fora a acompanhar as verdades e são muitas essas pessoas.

  26. EFG says:

    maria ta la no ceu…(paraiso) descançando e o povo aqui ..enchendo o saco dela… deixa MARIA EM PAZ… vai pedir pra DEUS…

    FOI PRA ISSO QUE JESUS PASSOU TUDO AQUILO NA CRUZ… !!! PRA NADA..?? SE FOSSE ASSIM NAO PRECISAVA JESUS ERA SO A IGREJA CANONIZAR MARIA E TAVA RESOLVIDO .. JEUS NAO PRECISAVA MORRER…

    DEIXEMMARIA EM PAZ NO CÉU….

  27. Maria says:

    É maluco este “padre”.. é que só pode

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