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Precariedade

As manifestações do 1 de Maio de 2010, na Beira Interior, em cinco localidades: Covilhã, Castelo Branco, Tortosendo, Unhais da Serra e Minas da Panasqueira decorreram sob o lema “Mais emprego, mais salário e mais direitos”.  Como é natural, a grave situação económica, social e laboral do distrito e as dificuldades crescentes estiveram no centro das preocupações da central sindical. Lui­s Garra, da União de Sindicatos de Castelo Branco, pediu novamente ao governo um plano para salvar empregos na Beira Interior, onde o desemprego está acima da média nacional. Estima-se que, em Março, existiam no distrito de Castelo Branco 10.000 desempregados. Nada é mais justo do que o pedido dos sindicatos de um plano para salvar empregos, pois se se aceita a necessidade de salvar várias entidades financeiras, bancos especuladores e várias empresas, tem também o governo a obrigação de preparar medidas que invertam a situação económica da Beira Interior. Governos, oposições e actores sociais têm a obrigação de seguir uma caminho de cooperação e centrarem-se no essencial. E o essencial, neste momento, é salvar  o emprego. Porque só o emprego permitirá ao distrito de Castelo Branco crescer e desenvolver-se de maneira sustentável.
2- Não foram só os trabalhadores que saíram à rua neste 1 de Maio. No final das manifestações (Lisboa e Porto), um grupo bem representativo de manifestantes também se fez ouvir: falamos do May Day.  No centro das suas preocupações está a precariedade que invadiu de uma forma brutal todos os trabalhadores hoje com 30 e 40 anos. Constitui, certamente, um fenómeno de discriminação em termos laborais, caracterizando a condição de cerca de 41,8% da população activa – desempregados, trabalhadores a recibo verde, contratados-a-prazo ou inscritos em empresas de trabalho temporário –, e de todos os trabalhadores não contabilizados nestes dados – estagiários ou imigrantes ilegais. Perante este facto, a resposta governamental não podia ser mais inócua: impor ao patronato o pagamento de 5% dos custos de segurança social pagos pelo trabalhador a recibo verde, reconhecendo assim o recurso generalizado (e ilegal) do recrutamento de “empresários em nome individual” por parte das empresas. Este é um fenómeno novo em Portugal e merece atenção por parte do Governo e dos sindicatos.

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