
Texto e fotografias Isabel Cunha
O ar estava quente e a humidade também se encontrava presente. Não era de estranhar pois estava na Índia e no mês de Outubro. Recordando as temperaturas normais neste país até nem estava muito calor, mas para quem gosta do clima marítimo da zona oeste do nosso país pode considerar-se uma experiência pouco agradável, embora já a tivesse previsto, mas uma coisa é pensar, outra é experimentar e sentir.

Depois de 18 horas num comboio, com partida em Deli, tinha chegado a Varanasi, a cidade mais antiga do mundo, segundo os hindus. À espera do grupo estava o Gopal, o guia local, que ajudou o Inácio no negócio dos preços pelos auto-riquexós; a cada chegada a uma cidade era inevitável o regateio dos preços, a que se seguia a nossa distribuição por 3 ou 4 veículos juntamente com as mochilas entaladas nas nossas pernas ou sobre o colo! De novo, aquele frenesim que é andar neste meio de transporte típico no oriente, num jogo de escapadela ao toque em camionetas, carros, motorizadas, bicicletas, carroças, pessoas e animais com quem nos cruzávamos a escassos centímetros, sempre com o som constante das buzinas; de todos estes aqueles a quem os condutores dispensavam mais atenção e cuidados eram mesmo os animais e particularmente as vacas ou não estivéssemos na Índia! No caminho da estação ao hotel ainda tivemos que dar uma boleia a alguém o que já era também habitual; desta vez uns quantos policias saltaram para o lado dos condutores porque o nosso local de saída era mesmo ao pé de uma esquadra. Dali ao hotel, o Puja Guest House, tivemos que fazer o caminho a pé, por ruas estreitas e onde o sol mal entrava, sempre com as mochilas às costas, tentando por um lado não nos perdermos, por outro evitando pisar lixo ou dejectos de animais, essencialmente vacas, o que diga-se, foi uma empreitada complicada. 
Juntamente com mais meia dúzia de cidades na Índia, Varanasi anteriormente designada por Benares ou Kashi, é uma das cidades sagradas do hinduísmo, recebendo a visita de milhões de hindus que aqui acorrem de todo o país, em peregrinação para se banharem no Ganges e assim se libertarem dos pecados. Quando abri a janela do quarto vi logo o mítico Ganges mesmo uns metros abaixo do hotel, assim como alguns dos cerca de duzentos templos que existem na cidade dedicados a Shiva. Reparei que as janelas dos quartos eram gradeadas, e pensei que talvez houvesse assaltos mas depois percebi que devia ser pelos inúmeros macacos que andavam por ali, por cima dos pátios das casas, nas árvores e nos templos. No terraço do Puja a visão sobre Varanasi e o Ganges era ainda melhor e mais impressionante; quer a cidade quer o rio estavam envoltos numa ligeira neblina que não deixava ver com clareza total as casas e os telhados de cores meio desbotadas, a cor da água, os barcos e a outra margem do rio. Por breves momentos tentei sentir alguma da espiritualidade e do misticismo que Varanasi representa para os hindus, mas foi em vão; quem sabe durante a estadia ainda conseguisse essa sensações.

Depois do pequeno almoço no terraço tomado quase na hora do jantar (devido à diferença horária) descemos as escadas até à recepção onde o guia nos esperava para nos conduzir até ao crematório principal da cidade que se situa na Manikharnika Ghat, de novo pelas ruelas estreitas e sujas de lixo. Reparei que os edifícios, os templos e os gaths (designação dada para as escadas á beira do rio) pareciam existir desde o inicio da humanidade, mas no caso particular dos gaths, foram construídos no século XVIII e venho mais tarde a saber que cada um tem um nome e uma função especial, como por exemplo os gaths de Manikarnika e de Harishchandra que são os crematórios, ou os de Panchaganga onde se pensa que convergem cinco rios sagrados. Os gaths de Varna e Assi situam-se a este e oeste e estabelecem os limites da cidade sendo que estes nomes provém de dois afluentes do Ganges.

Quando cheguei a Manikharnika Gath nunca pensei que o impacto fosse tão chocante: estar aqui pode ser considerada uma das experiências mais fortes e perturbadoras que se pode experimentar na vida. Aqui durante as 24 horas ininterruptamente procede-se à cremação dos corpos dos falecidos, graças ao trabalho de uma dezena de homens, os dohms, responsáveis por transportar às costas grandes troncos de madeira dos barcos para pilhas espalhadas pelos gaths superiores e depois de novo transportá-la mais para junto da margem, onde cada corpo será cremado durante algumas horas. Somos avisados que não é permitido fotografar o local e os corpos e eu questionei-me se naquele momento seria capaz de fotografar qualquer coisa que fosse. Já tinha lido alguns artigos sobre Varanasi e sobre os costumes fúnebres dos hindus, e sabia que nesta cidade estes rituais eram mais exacerbados mas nada do que tinha lido tinha sido suficiente para me preparar para esta realidade. Esta cidade indiana é a que tem a população mais velha do país, porque quem pode vem para Varanasi para ser cremado e para as suas cinzas serem atiradas ao Ganges, pois só assim poderá ser quebrado o ciclo das reencarnações. Reparei que ali a dois passos do guia e do grupo, pelo menos dois a três homens emagrecidos estavam pelos cantos enrolados, parecendo-me já não faltar muito tempo para se finarem.
Mais à nossa frente mais uma cena quase indescritível; cerca de meia dúzia de cadáveres encontravam-se no meio do mesmo número de pilhas de madeira que ardiam lentamente, enquanto que outros corpos enrolados em panos e depositados sobre liteiras aguardavam que chegasse a sua vez numa espécie de fila. Ainda hoje me interrogo como consegui presenciar estes rituais da cremação pelas imagens algo chocantes que vi. Algumas vacas pretas comiam flores e folhas secas e refrescavam-se na água ali mesmo em frente dos corpos que eram cremados, ao mesmo tempo que alguns homens emergidos no rio peneiravam a água, procurando jóias ou outros valores que tivessem restado da cremação dos corpos e que reverte para pagamento dos dohms, enquanto mais à frente da margem alguns turistas em pequenos barcos de madeira no rio tentavam ver melhor os rituais e também mais barcos carregados de madeira se aproximavam para descarregar mais lenha. Enfim uma verdadeira “atracção” que me estava a deixar quase hipnotizada: o nosso guia ia explicando todos os procedimentos e o seu significado à luz da religião hindu mas eu quase não o ouvia e mal conseguia ver alguma coisa à minha volta; ali o ar era quase irrespirável pelo calor que estava no local (talvez uns 45 a 50ºC) e pelo cheiro emanado pelos corpos a serem cremados. Gopal explicou-nos que há cinco situações em os corpos não são cremados: quando são crianças (porque ainda não têm pecado), quando se trata de mulheres grávidas, quando são sacerdotes, quando são animais mortos; nestas situações é atada uma corda com uma pedra e o corpo é atirado ao rio. A quinta situação são os casos em que a pessoa morre por picada de cobra – o corpo é colocado numa maca de bambu a flutuar no Ganges pois crê-se que poderá ser ressuscitado por um sadhu (homem santo) que o encontre. Chamou-nos à atenção também que muitas vezes a temperatura não é suficiente para queimar todo o esqueleto humano, ficando muitas vezes por arder a bacia nas mulheres e o tórax nos homens, que são posteriormente atirados ao rio. Relativamente aos corpos dos falecidos diz-nos que são preparados em casa e transportados em liteiras de madeira pelos familiares, que entoam cânticos, pelas ruas até ao gath; as mulheres jovens são envoltas em panos de cor laranja e as mais idosas em panos vermelhos, enquanto que para os homens se usam brancos. Habitualmente um familiar mais próximo vai buscar o fogo à chama eterna de Shiva que está num templo ali situado, e que segundo ele se mantém acesa desde a criação do Universo. Este familiar procede a um ritual da sua própria preparação em que rapa todo o cabelo e deixando apenas um pequeno pedaço do mais comprido na região occipital, vestindo-se também de branco. As mulheres não participam nos rituais da cremação pois sendo mais emotivas poderiam chorar o que não deverá ser feito, uma vez que a cremação é encarada como uma possibilidade para libertação do ciclo das reencarnações e alcançarem o nirvana.

Em boa verdade, fotografar as cenas e os rituais não fotografei, e poderia tê-lo feito, disparando-se discretamente a máquina, no entanto achei que não era correcto fazê-lo; afinal embora parecesse que estávamos a assistir a um espectáculo devido à quantidade de turistas em barcos de madeira que se aproximavam das margens ou que por ali circulavam, assim como a presença de alguns locais que ali permaneciam sem estarem propriamente ligados a nenhum falecido que estava a ser cremado, a verdade é que aquilo não era uma diversão, mas sim uma demonstração de fé e religiosidade. As imagens de Manikarnika vão ficar para sempre gravadas na minha memória sem serem necessárias fotografias para me relembrarem a cor enegrecida das construções, templos e gaths do local, provocada pelos milhares de cremações durante anos e anos sem interrupção, a temperatura elevada, o cheiro do ar que era quase irrespirável, a movimentação dos homens que carregam a madeira, os familiares dos mortos junto aos corpos, os homens que emersos na água procurando as jóias no meio das cinzas atiradas na margem, alguns cães enfezados que por ali rondavam em busca de “algo” que pudessem comer e as vacas a beberem água e a banharem-se. Tudo isto, assim como alguns homens e mulheres que mais à frente se banhavam e lavavam roupa na água sagrada do Ganges, constituíram um quadro tão impossível de esquecer como difícil de descrever.

Mais à frente e já noutros gaths era visível um templo meio inclinado e apenas com a parte superior a descoberto. Foi então que me apercebi que o rio estava cheio e que alguns dos templos estavam submersos, assim como os deuses neles contidos; quando as águas do Ganges descem drasticamente ficam de novo a descoberto e prontos para serem venerados. Deixámos os gaths e circulámos pelas ruas estreitas de regresso ao hotel. De novo o lixo no chão, as vacas, as cabras, as motorizadas e os locais nas suas actividades diárias: homens a costurar à máquina, outros a vender chai, outros a preparar paan, a cozer nan (pão) e a vender um variedade infinita de coisas impossíveis de enumerar desde flores a enfeites, roupas a comida. Passámos depois por uma rua bastante curiosa: no meio do lixo e da sujidade, algumas casas com o chão forrado de panos imaculadamente brancos em que homens vestidos também vestidos com punjabis brancos ou antes bege (o branco indiano) estavam sentados lendo o jornal ou um livro, ou simplesmente olhando quem passava na rua. Vim a saber que Varanasi é também conhecida pela qualidade das suas sedas e que tínhamos acabado passar na rua onde estão a maior parte dos vendedores de sedas. Outra coisa curiosa foi encontrar diversos homens a passar a ferro: aqui são os homens que se dedicam a esta tarefa assim como lavar a roupa (os dobhis); à porta de algumas casas está montado um pequeno balcão forrado de branco para que se possa passar a roupa com ferros bem grandes a lenha. A roupa por seu lado é lavada no água do Ganges e estendida nos gaths; aliás esta água é usada para tudo, desde lavar a roupa, tomar banho, cozinhar e beber.

Se Varanasi é a cidade sagrada do hinduísmo convém mencionar que outras religiões aqui se praticam em amena convivência e assim o é há milhares de anos. De referir por exemplo que o do Templo Dourado (ao qual os turistas não têm acesso) se situa ao lado de uma mesquita e é neste espaço, fortemente vigiado por polícias, que diariamente hindus e muçulmanos fazem as suas orações. Um pouco mais à frente entre outros pequenos templos hindus situa-se um templo budista, o Nepali Temple. Conta-se que um imperador do Nepal veio a Varanasi consultar um sacerdote hindu porque estando casado há vários anos não tinha descendência: o sacerdote disse-lhe que regressasse ao Nepal e que distribuísse as suas riquezas aos pobres e que em seguida o seu desejo de constituir descendência se realizaria. Como tal aconteceu, o imperador decidiu construir também um templo em Varanasi que se encontra decorado com figuras esculpidas com cenas do Kamasutra. É pois curiosa esta aparente coexistência pacífica e tolerante de uma religião que venera milhares de deuses, com outras para quem só existe um deus. Aliás em tom jocoso um autor mencionou numa obra sua que o hinduísmo seria a Disney das religiões, pelo que pensando nas imagens de alguns dos deuses hindus, com as suas faces risonhas e coloridas diria que o hinduísmo poderá ser a United Colors das religiões.
Para o final do dia, que acontecia por volta das 17 horas, estava programado um passeio de barco pelo Ganges para apreciar o pôr do Sol, que se revelou um momento algo fúnebre uma vez que o sol se põe por trás dos edifícios e dos templos, o que os faz parecer ainda mais antigos, degradados, descoloridos e escuros, tal como a água do Ganges se torna mais escura e com aspecto barrento. Salvou este passeio termos assistido a uma cerimónia religiosa na Dashaswamedh Ghat de purificação e limpeza dos pecados e de homenagem aos quatro elementos do mundo que decorre diariamente denominada de puja. Foi um pequeno quase mágico e belo não fora a sujidade das escadas onde nos sentámos para assistir e ainda a presença de algumas vacas que repousavam nos gaths misturadas com crentes, sadhus e turistas que assistiam à cerimónia que decorria num palco montado para o efeito e onde uns sete sacerdotes gesticulavam, ao som de música e cânticos e sinos, uma espécie de lamparinas de metal acesas ao som da música. Creio que tal como durante a visita à Manikarnika Gath a minha maneira de ser quase asséptica me impediu de apreciar e sentir a espiritualidade do momento, apesar das belas imagens das luzes e das chamas do ritual, bem como das inúmeras armações com velas acesas e pétalas de flores que crianças vendiam nas margens e que os turistas compravam, acendiam e deitavam á agua pedindo um desejo e que flutuavam como estrelas rio abaixo. Quem sabe se voltasse outro dia, outro e outro conseguiria modificar os meus pensamentos “estéreis” de europeia assim como os meus sentimentos desapegados do ritual.
Para terminar o dia nada melhor que depois da religiosidade seguirmos para o consumismo. Mesmo numa cidade sagrada da Índia o sagrado encontra-se com o profano, pelo que fomos “negociar” sedas, não sem antes combinarmos um novo passeio de barco no Ganges desta vez ao amanhecer, que ocorria por volta das 5h e 30m do dia seguinte. À noite no hotel tínhamos músicos a tocar citara e a cantar enquanto jantávamos mais uma refeição “very specie” para as nossas papilas gustativas e para os nossos estômagos sensíveis; foi a refeição mais tipicamente indiana que tive na viagem a que chamei “Music and Food” à semelhança do filme “Music and Lyrics”.
Pelas 5 da manhã do dia seguinte quando me vestia para o passeio de barco reparei que as calças e a blusa me estavam muito justas, e olhando para as mãos, braços, pernas e pés notei que estavam inchados, mas como não me sentia mal, saí para assistir ao nascer do sol e para mais um passeio de barco pelo Ganges. Aquela hora já vários barcos com turistas andavam no rio e muitos hindus também já se encontravam nos gaths para se lavarem, ou para fazerem as suas orações ou ioga, alguns vestidos com lunghis (lençóis brancos que os homens enrolam à volta das pernas); mais à frente perto da Harishchandra Gaht um corpo estava a ser cremado sendo visíveis os pés do cadáver. Junto à pilha de lenha e ao corpo encontravam-se alguns familiares vestidos de branco e alguns cães enfezados.

Mais uma vez o céu tinha aquela neblina suave que parecia uma fina cortina que dava uma cor e um efeito especial ao sol. No barco ouvíamos os sinos a tocarem e cada vez mais hindus chegavam aos gaths. À medida que o sol subia a cidade começava a adquirir uma imensa luminosidade devido às cores alaranjadas e douradas dos edifícios, dos topos dos templos, das várias imagens de deuses e dos gaths, como que renascendo das cinzas e rejuvenescendo da sua antiguidade do final de tarde do dia anterior, ao mesmo tempo que agora a água do Ganges parecia dourada . Os gaths estavam agora apinhados de hindus vestidos com roupas coloridas nomeadamente as mulheres e os sadhus com as suas vestes laranja e amarelo. Saímos do barco e passeámos pelos gaths onde a azáfama era grande: barqueiros acercavam-se da margem para nos oferecer passeios de barco, algumas crianças queriam vender-nos postais ou velas para lançar ao rio, alguns homens e mulheres oravam, outros lavavam-se energicamente, enquanto que sadhus passeavam com a sua bilha metálica numa mão e um tridente na outra, dobhis lavavam roupa e estendiam-na nos gaths, enquanto mais à frente duas mulheres faziam pequenas bolas com excrementos de vaca que serviriam de combustível depois de secos. O Sol já apertava e o calor começava a ser muito quase, tendo procurado um pouco de sombra nos enormes chapéus de palha tipo cogumelos que se encontravam por ali. Como levava a máquina fotográfica e ia captando algumas imagens, vi-me rodeada de uma família que me pediu para fotografar todos os membros (perto de vinte pessoas, adultos e crianças pequenas). Logo em seguida já tinha outra família à espera para ser fotografada. Ali perto estava uma pequena loja onde trabalhava o Tinku um rapaz de dezoito anos, cujo pai tinha falecido, e que era o responsável pela subsistência da sua família: a mãe, o irmão e ainda duas irmãs. Explicou-me que ficou a tomar conta do negócio do pai e que queria que os irmãos mais novos pudessem estudar e que a mãe não precisasse de trabalhar. Contou-me ainda que se estava a aproximar uma grande festa para os hindus, o divali, e que estavam a chegar muitos peregrinos de toda a Índia à cidade sagrada para os festejos. Agradeci as informações que o Tinku me deu e preparava-me para dar mais um passeio pelas margens do rio quando comecei a sentir-me mal, ao contrário do que se possa pensar não com sintomas de gastroenterite o mais habitual acontecer aos turistas na Índia, mas sim com uma sensação de que o coração parecia saltar-me do peito ao mesmo tempo que batia aceleradamente e que eu suava em bica.

Não sei como mas apesar de todo este mau estar lá consegui subir os gaths, andar por umas quantas ruas para regressar ao hotel e ainda galgar as escadas correspondentes a quatro andares até ao meu quarto. Deitei-me na cama e procurei descansar um pouco, apesar da ansiedade provocada por aquela sensação desagradável de que não sabia a causa, assim como pelo medo de não poder continuar a viagem. Pela cabeça passavam-me agora as imagens da véspera e da manhã daquele dia como quem vê um filme no qual participa, tendo acabado por adormecer profundamente mesmo com o barulho da ventoinha do tecto que estava ligada, na esperança que me refrescasse a mim e ao quarto que já estava quentíssimo. Acordei três horas depois, quando me chamaram para ir de novo para a estação. Quando olhei para as mãos e para os pés, reparei que estavam normais assim como a roupa já não me estava apertada; era como se nada me tivesse acontecido! Fiquei muito surpreendida mas sobretudo satisfeita por me sentir bem de novo e nos meus pensamentos só me ocorreu que tivesse sido a cidade sagrada e os deuses que me ajudaram a recuperar e então agradeci mentalmente – “Namastê”. Já não me sentia doente, antes pelo contrário sentia-me com uma nova energia e ia poder continuar a minha viagem por este país místico, incompreensível e inexplicável.















