
©Paulo Nunes dos Santos/A23
A junta militar da Birmânia confirmou que a nova lei eleitoral proíbe a participação da líder da oposição Aung San Suu Kyi nas eleições deste ano, as primeiras em duas décadas.
De acordo com a lei eleitoral, que a junta tem vindo a divulgar aos poucos, sem que haja ainda data para a ida às urnas, estão proibidos de se apresentar a votos todas as pessoas que tenham sido condenadas por um tribunal. Suu Syi está actualmente em prisão domiciliária e passou 15 dos últimos 21 anos detida.
O ano passado foi condenada a mais 18 meses de prisão domiciliária por ter sido visitada por um norte-americano em sua casa. Suu Kyi fica assim oficialmente excluída de representar o seu partido, a Liga Nacional para a Democracia, algo que a sua detenção já tornava inviável. A Nobel da Paz está confinada à sua casa de Rangum, onde só pode fazer telefonemas vigiados, não tem acesso à Internet e todas as visitas são controladas. A opositora fica também impedida de tentar chegar a chefe de Estado por ter sido casada com um cidadão estrangeiro e porque os seus filhos têm passaporte do Reino Unido.
Muitos outros membros da Liga Nacional estão entre os 2000 presos políticos da Birmânia, pelo que não poderão candidatar-se. “Esta lei tem provisões muito injustas e completamente inaceitáveis. Temos a certeza de que esta lei não vai conduzir de todo a uma reconciliação no nosso país”, disse à Reuters o porta-voz da Liga, Nyan Win.
“Fica provado que Suu Kyi ainda suscita muito respeito e conta com muitos partidários no país”, disse à AFP o analista político birmanês Aung Naing Oo, sedeado na Tailândia.
Nas últimas eleições, em 1990, a Liga de Suu Kyi infligiu uma dura derrota aos militares, conseguindo 392 dos 485 lugares do Parlamento. Mas os generais recusaram os resultados.














