
O Chile enrolou hoje as suas bandeiras, em sinal de luto, e celebrou missas em memória das vítimas do sismo e do tsunami de 27 de Fevereiro, dando início a três dias de luto nacional.
Nas varandas dos vários edifícios que não ruíram no centro e sul do país, devastado pela catástrofe, bandeiras chilenas foram enroladas e atadas num sinal de solidariedade patriótica.
Um pouco por todo o país, 70 por cento católico, foram celebradas missas. Em Conceição, estação balnear devastada pelas ondas gigantes, o padre Teodomiro Gutierrez, pediu aos fiéis para não lamentarem as perdas materiais e para renovarem a sua fé. “O Senhor é sábio. Permitiu algumas coisas… para nos mostrar, no momento mais oportuno, aquilo que é verdadeiramente importante”, disse em frente a 200 pessoas.
Em Talca, a maior igreja não pôde acolher os fiéis porque ficou muito danificada. A missa foi celebrada ao ar livre. “Sinto falta de ouvir qualquer coisa de Deus”, confessou uma mulher, soluçando.
Autoridades já identificaram 452 mortos
No total já foram identificados 452 mortos. Mas o balanço final poderá ultrapassar os 800. Além das perdas humanas, cerca de meio milhão de habitações foram destruídas, obrigando os seus habitantes a dormir na rua, em condições de higiene degradantes.
“Já vimos casos de gastroenterites, problemas respiratórios e anomalias cardíacas”, disse Carlos Barra, médico num centro de saúde de Conceição.
Mas a vida começa a voltar à normalidade. A electricidade foi restabelecida em 80 por cento do país, segundo Patricio Rosende, vice-ministro do Interior. E a redução de 18 para 13 horas do recolher obrigatório em Conceição atesta uma melhoria a nível de segurança. “Já não há pilhagens”, garantiu o comissário Rolando Molina.














