
O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) acaba de deitar mão a uma das mais graves associações criminosas do Centro e Interior do PaÃs, com suspeitas de crimes de tráfico de pessoas, auxÃlio à imigração ilegal e lenocÃnio. A rede estendia-se ao estrangeiro, principalmente ao Brasil, onde eram angariadas mulheres. Em Portugal, estas seriam obrigadas a viver um autêntico terror nas mãos dos angariadores com vista à obtenção de lucro através da exploração sexual.
No Tribunal de Castelo Branco, que está a ouvir várias testemunhas para memória futura, as mulheres estão a contar situações de tortura, ameaças de morte com arma branca e de fogo, casos de espancamentos. As próprias famÃ-lias a viver no Brasil, com as quais alguns dos empresários da rede mantinham contacto eram também ameaçadas de morte.
A investigação iniciou-se numa das casas de Castelo Branco e num indivÃduo sobre o qual recaem suspeitas de ser o cabecilha de uma rede organizada com o intuito de promover o aliciamento, transporte e alojamento de mulheres estrangeiras para a activi-dade sexual. Estas mulheres seriam obrigadas a trabalhar, por perÃodos, nas várias casas de diversão nocturnas, na região da Beira Interior e do outro lado da fronteira, pertencentes a vários empresários que constituÃam esta rede e que sustentavam a imigração ilegal das mulheres para Portugal e Espanha. Estas casas localizam-se em Fuentes de Oñoro, Espanha, em Celorico da Beira, Mangualde e Castelo Branco.
Os relatos obtidos durante a investigação são impressionantes como se de um filme se tratasse. Às mulheres angariadas eram re-tirados todos os documentos, criando-lhe condições de dependência económica para sobreviver. A associação criminosa funcionaria há mais de seis anos e nela, cada um teria tarefas atribuÃdas, com um cabecilha e vários angariadores de mulheres. Uns responsabilizavam-se pela captação de mulheres no estrangeiro e outros, por exemplo, pela elaboração de manobras fraudulentas para obtenção dos documentos.
As mulheres chegavam ao Espaço Schengen (que permite a livre circulação de pessoas dentro dos paÃses da União Europeia, sem a necessidade de apresentação de passaporte nas fronteiras) pela mão dos angariadores da rede à espera de um futuro melhor. Do aeroporto, seguiam para as casas para serem seleccionadas.
As mulheres que há mais tem-po estavam a trabalhar na actividade e que mantinham relações mais duradouras com os empresários tinham sobre as mulheres angariadas há menos tempo um total controlo dos seus movimentos e responsabilidade na sua distribuição pelas diferentes casas, eliminando qualquer hipótese de fuga. Retiravam ain-da grande parte do rendimento obtido.
Na operação “luso-espanhola” foram detidos dois homens. Um está em prisão preventiva e o outro em prisão domiciliária.














