
Cada amanhecer é o começo de um novo dia. Alípio Padilha, José Crúzio, Manuel Ferreira Chaves, Pedro Amaral, Susana Paiva e Victor Coelho trazem-nos 36 imagens, com as particularidades próprias de cada cidade, de cada lugar. São 36 imagens de cidades que despertam, captadas entre as 5 e as 9 horas da manhã. Lisboa, Fundão, Viseu, Portugal, Quintana Roo, Yucatán Peninsula, México, Essaouira (antigo Mogador), Marrocos. Um exercício de convívio com o silêncio do amanhecer, quando todos ainda teimam em ficar de olhos fechados. A arte não ficou indiferente a esta hora particular do dia, fronteira entre o sonho e o despertar. Tal é o caso da fotografia que não é alheia à singularidade deste momento e da vida da cidade que desperta. Momentos fugitivos, com mais ou menos nevoeiro, instantes absolutos onde se capta o eclodir do dia com uma luz irrepetível. Ao olhar para cada uma destas fotografias, verdadeiras explorações dos mistérios da luz, como não nos lembrarmos de Josef Sudek, o checoslovaco encadernador que andava pela ruas de Praga, curvado pelo peso da máquina fotográfica (Kodak 1894) e de um antigo tripé, movendo-se lentamente entre a luz e a escuridão. Se a fotografia tem alguma coisa de quimérico, Sudek representava bem esta busca do fotógrafo, intensa e dramática, por uma luz diferente. De boina e capa preta, ombro esquerdo mais inclinado a compensar a perda do outro braço perdido durante a Primeira Guerra Mundial, Sudek escolhia muitas vezes a névoa cinzenta da madrugada para fotografar. Nestas cidades que despertam, o mais difícil é aprender a olhar para as coisas que ninguém ainda notou e que, contudo, estão à vista de todos. O silêncio da hora ajuda à concentração: fixar uma posição na magnífica variedade que a cidade nos dá, ajustar a lente, disparar. Tal como Sudek, que para ‘ver’ Praga teve de a abandonar brevemente, o amanhecer desperta um certo distanciamento em relação à cidade por onde passamos diariamente. Nesse instante, no silêncio que inunda a cidade que se renova, como Aurora, somos conduzidos por uma mão invisível que nos leva ao encontro da cidade que, perante os nossos olhos, se inventa. Texto| Ricardo Paulouro
Fotografias de Alípio Padilha, José Crúzio, Manuel Ferreira Chaves, Pedro Amaral, Susana Paiva e Victor Coelho | Edição de Susana Paiva















Gostei!
As fotos do Fundão são as últimas,certo?
Boa malha são os registos de Susana Paiva e as últimas do José Crúcio?!… é assim?! e que no caso do José me parece ter fotografado o Fundão ou região frioa da Beira Interior.
Sem dúvida as manhãs são diferentes mas ao mesmo tempo iguais, depende do ponto de vista de cada um.
Um registo magnifico de todos em particular da Susana Paiva. Os meus parabéns a todos continuem a maravilhar-nos com novas imagens.
Bem, do Fundão não são mas de uma cidade da Beira Interior, sim.Deixo à sua imaginação……..
o amanhecer tem cores diferentes, nas vidas, nas pessoas e nos lugares do mundo.
Muito bom.