
O exército norte-americano ordenou aos jornalistas estrangeiros, sem explicações “de qualquer tipo”, que têm que abandonar nas próximas horas o aeroporto de Port-au-Prince, no Haiti. A denúncia foi feita pelos enviados de vários órgãos de informação espanhóis que acusam os militares de terem dado um prazo “de poucas horas” para que os jornalistas abandonem o local.
“Os soldados norte-americanos decidiram expulsar os jornalistas do aeroporto de Port-au-Prince onde estão dezenas de jornalistas, sem dar explicações de qualquer tipo”, relatou o enviado da Rádio Televisão Espanhola, Fran Sevilla. ”Há enormes problemas de alojamento em Port-au-Prince, onde os poucos hotéis que funcionam e com precariedade de meios estão abarrotados”, precisou na página da RTVE.
Segundo relata Fran Sevilla, os soldados comunicaram aos jornalistas que tinham “três horas” para sair do acampamento da Agência Espanhola para a Cooperação Internacional e Desenvolvimento (AECID), tendo o prazo sido ampliado depois para as 08:00 locais de quinta-feira.
“A gestão das instalações aeroportuárias pelos militares dos Estados Unidos suscitou polémica depois de a ONG francesa Médicos Sem Fronteiras ter denunciado que impediram a aterragem de vários dos seus aviões”, recorda o jornalista espanhol.
Também Miguel Ondarreta, enviado da Punto Rádio, relata na página do jornal ABC ter recebido as mesmas instruções de soldados norte-americanos. ”Chegaram três membros da Armada norte-americana que de forma pouco protocolar nos convidaram a abandonar o aeroporto, afirmando que depois das 08:00 não pode ficar nenhum jornalista, não apenas espanhol. E disseram que o controlo a partir de agora será férreo”, relatou.
Num despacho das últimas horas, a agência de notícias mexicana Notimex relata que o exército norte-americano tomou o controlo de aeroporto da cidade, reforçando as medidas de segurança. “Isso inclui a retirada dos jornalistas e dos grupos de apoio que estão acampados no terminal do aeroporto”, frisou.
Relatos idênticos são publicados em outros órgãos de informação de língua espanhola.
“Sem explicar os motivos, os militares comunicaram-lhes que se trata de uma disposição que afecta toda a imprensa internacional”, escreve o diário La Crónica de Hoy, do México. ”Os jornalistas denunciaram já essa decisão e esperam que alguns governos que apoiam as operações de resgate e ajuda humanitária tratem deste assunto com o primeiro-ministro do Haiti, Jean Max Bellerive”, escreve.














