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Para meter na capa, mete uma lésbica gira

Convido os leitores da A23 a fazerem uma espécie de revista de imprensa das últimas semanas e verem as manchetes e as fotografias que ilustraram o tema do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Pago um bilhete para a gay parade em Berlim a quem descobrir na imprensa de referência cá da choça uma fotografia com dois homens a darem um beijo nas bochechas um do outro.

Eu cá não vi nenhuma. Todas as fotos eram de lésbicas beijoqueiras a bebericarem flutes de champanhe, e quanto mais giras melhor (a capa da Visão compete com aquela série americana da letra L).

Nada de camafeus, ou de barbudos motoqueiros de São Francisco. Só gajas. Ora, quando a mesma imprensa mais ou menos prá-frentex escreve editoriais entusiastas sobre o grande salto civilizacional e o vanguardismo desta lei, e depois não tem tomates de colocar uma foto de dois rapazes a trocarem um linguado, só há uma conclusão a tirar. Hipocrisia.

Só para não perderem vendas com umas fotos que metem nojinho a pelo menos 90 mil ratinhos de sacristia, os editores destes jornais mostraram que nas traseiras do modernismo civilizacional e do paraíso libertário do país das causas fracturantes há e continuará a existir um saguão de preconceito, moralzinha pasteurizada e discriminação. Isso é uma coisa que nenhuma lei conseguirá mudar. Faço uma excepção e dou os meus parabéns à A23 por ter ilustrado o tema com dois mancebos, amancebados num beijo. Ora casem e sejam felizes para sempre, é tudo o que vos desejo, a hetero e homosseuxuais que amem a liberdade, a única questão verdadeiramente essencial nesta discussão paroquial.

2 Respostas a “Para meter na capa, mete uma lésbica gira”

  1. Cassilda Pascoal says:

    Creio que “as lésbicas giras” a que se referem são a Joana e Raquel Freire? Creio também que estão em capas não por serem lésbicas ou giras mas por serem as activistas (mais mediáticas) que muitas vezes deram a cara sem medos (e por ser a Raquel Freire)?
    Aqui há uns anos eram outros nomes e caras que vinham à baila quando se falava do assunto.
    Anyways… quem é que vai querer fotografar anónimos aos beijos quando pode ter figuras públicas?

  2. Rui Pelejão says:

    Não eram sempre as mesmas pessoas nas diversas capas, e por isso não sei se eram essas conhecidas activistas (que eu não conheço), mas de qualquer forma a questão é muito simples: porque eram sempre casais de mulheres e não casais de homens; é para essa questão que gostava de ter resposta e continuo a não ter.

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