Texto de Rui Pelejão
O facto polÃtico andava adoentado e decidiu consultar um especialista.
O politicócólogo mandou-o estender a lÃngua viperina, e o facto polÃtico obedeceu mansamente.
O politicócólogo examinou a lÃngua do facto polÃtico com a ajuda de uma lupa e não encontrou nenhum abcesso preocupante.
- Pelo sim, pelo não, bocheche três vezes ao dia com água e sal. – recomendou o politicócólogo.
- Bochechar, e então a minha reputação? Perguntou incomodado.
- Não se preocupe com a sua reputação, que a sua esperança de vida é curta demais para construir reputações, quanto mais para as destruir.
- Curta? Inquiriu roxeabundo, o facto polÃtico.
- Sim, tão curta como a de um vespertino ou de uma estrela de TV, informou o politicócólogo consultando impacientemente o relógio.
Eram 8 da noite, hora dos telejornais.
Foi precisamente a essa hora que o facto polÃtico tombou já cadáver na cesta dos jornais daquele respeitado politicócólogo do Instituto de Medicina Ilegal.














