
Integrado num complexo hoteleiro com o mesmo nome, tem tradição firmada a cozinha regional beirã desta casa, com mais de duas décadas. Aproveite a quadra natalícia para se deliciar com umas tentadoras iguarias que o escritor Manuel da Silva Ramos não resistiu a provar.
Chegámos ao Alambique ao final do dia. Tínhamos passado por múltiplos vendedores de cereja que à beira da estrada propunham as suas drupas, globosas como olhos de meninas traquinas, doces como essas santinhas que se vendiam na festa da Santa Luzia, sápidas como dois dias feriados seguidos. Abençoada terra ! Possuíamos grandes queijos, vinhos extraordinários, um azeite ímpar e nada nos faltava para sermos felizes à mesa. E agora para cúmulo tínhamos esses cultivares que enchiam as nossas mesas de ouro vermelho- escuro.
Foi exultando com tudo isto, nesta nossa Cova da Beira farta e rica, que entrámos no Alambique onde já nos esperava o senhor Alberto, o proprietário, um homem cordial que se revelou ao longo da noite ser um homem sábio. Rapidamente nos levou através do longo corredor principal, ladeado de duas belas varandas ornamentadas com plantas exóticas que entravam numa partitura de verde gala, para o exterior. E aí foi o natural espanto. Não acreditávamos. Estávamos na República Dominicana ou no Fundão ? O magnífico resort que se abria diante de nós, com as suas altas palmeiras, as suas numerosas árvores ( oliveiras, tílias, plátanos, castanheiros, ulmeiros…) e a sua exótica e abundante vegetação, era um lugar edénico para passar férias, viver uma história de amor ou consolidar a felicidade de se estar vivo. Mas estes 80 000 m2 de lazer, piscinas e espaços verdes ( diz-nos o simpático senhor Alberto ) são também um local de acolhimento de gente trabalhadora e esperançosa: as suas duas hipermodernas salas de congresso podem reunir quinhentas pessoas ( a medicina, claro, tem comparecido brilhantemente ) e as suas sete salas privadas e três tendas vibram com casamentos frequentes. São 60 a 70 os que se realizam aí todos os anos. Um silo subterrâneo digno de um hipermercado pode abrigar cento e vinte viaturas e um parque de estacionamento exterior pode acolher 800 automóveis. E depois de termos visitado a piscina interior ( belíssima, com azulejos talhadinhos à romana ) e o bar que faz lembrar o Pavilhão Chinês no Príncipe Real em Lisboa avançámos para os quartos. Mais uma vez admirámos o gosto e o requinte do senhor Alberto. Os corredores fofinhos e as cores doces das tapeçarias das suas paredes assim como a decoração dos quartos são um ninho de intimidade e de bom gosto e quando visitámos o quarto 248 com um painel pintado à mão feito por uma artista de Coimbra a originalidade veio ao nosso encontro . Não tardámos a encontrar o modernismo mais belo e mais audaz numa suite da ala nova, numa aliança extraordinária de vidros, espelhos e cores. Perguntei o preço. Era o luxo requintado a preços acessíveis. E ainda bem que era assim. Existindo há já 22 anos, o Hotel foi-se renovando contínuas vezes, sempre seguindo o gosto do momento do cliente-rei. E mesmo depois de ser Hotel Resort ( começou nesta especialização há 9 anos ) ele continua pelo mesmo caminho e a prova é essa inovação que expõe actualmente quatro suites e 34 quartos remodelados numa afirmação de novos materiais afectivos e simples.
Tínhamos para o final duas máximas cerejas em cima deste bolo superconfortável: a garrafeira e o restaurante. Descemos pois debaixo de terra, por uma escadaria em caracol, a uma cave maravilhosa. Aí, a uma temperatura constante de 16 º e a 70 de humidade, estão entrepostas 100 000 garrafas na horizontal dormente. Estas jóias de bem-estar , na sua quase generalidade, são beirãs e provêm da Adega Cooperativa do Fundão, a melhor adega cooperativa do país em qualidade. O senhor Alberto guia-nos por entre um sapiente projecto seu: ele vai à Adega escolhe os lotes de vinho nas cuvas e depois engarrafa-o ele próprio com belas rolhas e escuras garrafas muito mais pesadas que as normais. As novas rolhas favorecem a qualidade do vinho. E o néctar embeleza-se com esta protecção à luz. Foi a primeira vez que vimos um modus operandi assim e o que provaríamos a seguir no restaurante daria inteira razão ao mestre do Alambique. O magnífico Praça Velha de antanho aparece aqui rejuvenescido, com calças novas, mas imutável, assim como o fantástico Cova da Beira de 1996 e o mais que honesto Alcambar dos bons anos. Acontece pois que só o senhor Alberto tenha certos vinhos feitos na Adega ; e que nem a própria cooperativa ou os particulares os possuam . Mas não se pense que esta caverna de Ali Babá vinícola tenha só especialidades do Fundão: aí encontramos vinhos bem polidos da nossa Beira como o Quinta dos Termos, a colheita do sócio de 1999 da Adega da Covilhã ou os vinhos da Quinta Garrett etc. Alguns bons alentejanos também estão representados assim como certos e reputados vinhos do Douro. Diga-se aqui que quando saímos desta magnífica prisão subterrânea onde os vinhos de uma região envelhecem docemente num estado de perpétuo equilíbrio e de áurea tranquilidade, o senhor Alberto tinha nos olhos o carinho de quem cuida ternamente dos seus com primor e reserva.
E finalmente dirigimo-nos para o restaurante, logo à entrada do hotel, depois de termos passado outra vez pelo maravilhoso corredor que dá acesso às piscinas exteriores e onde mais uma vez me enterneci com as esculturas das três abelhas vagabundas. Decorada, em profusão, com motivos tradicionais da nossa Beira, a sala onde funciona o restaurante é ampla e acolhedora e dá logo ao gastrónomo um apetite de gambozino. Este restaurante tem galões: há trinta anos vendia já 250 quilos de bacalhau por semana e o senhor Joaquim, negociante de lãs e queijos, pai do senhor Alberto, exuberava. Mas nunca lhe passaria pela cabeça , ele que ia buscar as lãs a Proença-a- Nova, Escalos, Alcains e Termas de Monfortinho para as vender depois para a Nova Penteação da Covilhã já lavadas, que a evolução do seu restaurante fosse tão tentacular. Brindámos com um Alcambar de 1999,leve, aromático, milagrosamente vivo, ao passado. Este vinho guloso aprimorou bem as entradas excelentes : um regalo de azeitonas pretas de Extremoz temperadas com azeite e orégãos, um magnífico pão d´água imparável que é feito aqui quatro vezes por dia ; aloiradas e imprescindíveis corgetes e beringelas panadas e terminámos com uma alheira fantástica e suculenta de perdiz, feita na casa. Era altura, depois destas delícias infinitas só estacionadas pela nossa vontade férrea, de nos encostarmos aos pratos fortes. Umas línguas panadas de bacalhau com açorda de tomate à antiga e servidas com arroz de feijão à parte. E cabrito na brasa com grelos salteados acompanhado com feijão manteiga guisado. O primeiro prato, formidável, trouxe-me entre outras coisas o gosto da açorda de tomate da minha infância cujo tomate misturado pela minha mãe à cebola exuberante e ao pão velho eram simplesmente fabulosas declarações de amor. Quanto ao segundo, o cabrito saborosíssimo, grelhado na ponta da exactidão, era deliciosamente posto em relevo pelos magníficos feijões guisados e pelos grelos divinos salteados com alho, louro e azeite a 2%. Neste mergulho à cozinha tradicional beirã , um bom vinho fundanense era de regra : bebemos um Cova da Beira 1996, ano excelentíssimo, potente, sedoso, cheio de potencialidades. Podíamos ter pedido outros pratos emblemáticos da Beira mas nós sabemos que o bacalhau e o cabrito são os pratos que melhor param a nossa zelosa gula, o nosso infinito apetite de beirões das mesas corridas. E terminámos a refeição enaltecente com a cereja mesmo em cima do bolo. “ A Pérola da Beira “ ,o doce da casa, servido todo o ano e que é uma aventura gastronómica. Vejamos como se apresenta a guloseima : pão de brioche quente onde assenta uma bola de gelado com doce de cereja por cima e regado com leite condensado frio. Vimos o Paraíso quando levámos a última colher à boca. Todos os anos o senhor Alberto compra 300 quilos de cereja, e miúda ( que tem menos água ) para fazer esta maravilha.
A Cova da Beira é um potente fontanário de sabores e afectos culinários. O Alambique de Ouro, vulgo o Alambique, é o fiel depositário do gosto de antigamente e enobrecido com o sonho moderno do prazer permanente.















E sem duvida nenhuma o melhor Hotel & Restaurante da Beira com os collaboradores mais simpaticos
E um prazer que seja o serviço do hotel , restaurante uma equipa formidável sempre com o sorriso e disponível para mim o melhor na região da Beira Bravo continuem sempre assim e bom ano 2010
O Alambique é um lugar de excelência.
Grata sorpresa,encontrarme en una regiòn del interor,un hotel de las características de O Alambique.Mi enhorabuena a todos los del hotel,gente amable y encantadora.Tuvimos mi familia y yo una estancia inolvidable y sólo fue un fin de semana.Volveremos a repetir y la pròxima vez,será una estancia màs larga.Recomiendo a los salamantinos,que conozcan este complejo hotelero(a sólo 2 horas de SALAMANCA)que destaca por el buen gusto de todas las instalaciones,cuidado al detalle.Saludos de una enamorada de PORTUGAL,desde que era una niña.