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O Banqueiro Anarquista, no Teatro da Trindade

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Annalisa Biancho e Virginio Liberti encenam e Laura Nardi e Amândio Pinheiro interpretam um dos textos mais emblemáticos de Fernando Pessoa. Tudo se passa no fim de um jantar. Entre cadeiras já vazias, o Banqueiro conversa entusiasmado com uma jovem mulher, afinal há alguém que o ouve no fim de festa, com ela faz uma retrospectiva da sua vida e do que o levou a ser ainda Anarquista. Não percebe que é com a Morte que dialoga e esta confronta-o muitas vezes com palavras do Livro do Desassossego. Neste texto, Pessoa intuiu aquilo que seria o século XX. Não é por acaso que é um banqueiro o protagonista. Qual o seu inimigo número um? As ficções sociais. Qual o preço a pagar pela libertação: a solidão de um homem que nunca deixou de estar só na ascensão social. Fruto da crise e vivendo nós um momento social conturbado (tal como o Portugal de 1922 o era), havendo uma descredibilização generalizada da classe política e das suas soluções tradicionais à esquerda e à direita, o anarquismo aparece como “organismo ideológico” moldável a contextos complexos como o actual. Quando Pessoa escreve este texto a sua intenção é satirizar os movimentos anárquicos que despoletavam num momento histórico – económico que assiste à consolidação de uma sociedade baseada na acumulação do capital e em que o mercado da alta finança substitui a produção industrial e a tradicional transacção comercial.

Para ver de 10 a 13 de Dezembro, às 20h30 e ao Domingo às 16h, na Sala Principal do Teatro da Trindade

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