De Espanha chegam notícias inquietantes: a resistente saharaui, Aminatu Haidar, encontra-se em greve de fome, desde 15 de Novembro, no aeroporto de Lanzarote. Fragilizada, chama a atenção para a luta do povo saharaui que, há mais de 35 anos, luta pelo direito a um território contra um estado torcionário, como é o de Marrocos. Se há palavras que doem, Sahara Ocidental é uma delas: 200 mil refugiados, atentados contra os direitos humanos, centenas de torturados, presos políticos. A todos os que ainda acreditam ser cidadãos do mundo, a situação que está viver Aminatu Haidar diminuiu-nos. Este é um dos casos paradigmáticos da hipócrisia em que vive a comunidade internacional, da duplicidade de valores (em Portugal será que ainda alguém se lembra de Timor?). Desde o Governo Espanhol, ao Português (Francisco Louçã di-lo com todas as palavras), da UE à ONU, todos lá figuram como responsáveis por um dos conflitos mais antigos do planeta. Vemos, ouvimos e lemos. Aminatu Haidar é um nome que nos ajuda a dar sentido à vida e, por isso, a Amnistia Internacional – Portugal realiza hoje , em Lisboa, uma vigília de solidariedade. Durante esta semana, várias personalidades, José Saramago, entre outros, expressaram pessoalmente a sua solidariedade com a resistente saharaui.
Aminatu Haidar, considerada a “Gandhi Saharaui”, descrevia a situação actual no Sahara Ocidental como alarmante, denunciando a escalada da repressão policial, julgamentos militares.
Também o alto comissário da ONU para os Refugiados, António Guterres, qualificou de “verdadeiramente dramática” a situação dos refugiados saharianos ocidentais no Sul da Argélia e considerou que se encontram “bastante esquecidos” pela comunidade internacional. Guterres visitou, no mês de Agosto, os campos de refugiados de Tindouf, no Sudoeste argelino.
A A23 esteve na Sahara Ocidental e traz esta semana um trabalho jornalístico que documenta um dos conflitos mais antigos da história pós-colonialista em África. Durante a visita aos campos de refugiados, na província Argelina de Tindouf, e ao território liberado do Sahara Ocidental, a A23 teve a oportunidade de ver e documentar a vida de milhares de pessoas que, devido à invasão levada a cabo por Marrocos, há 34 anos atrás, se viram forçadas a abandonar o seu território em busca de uma vida mais segura no país vizinho. Esta é a primeira de uma série de reportagens exclusivas que A23 vai publicar sobre um conflito e um povo esquecido pelo mundo ocidental. Poderá o mundo fechar os olhos a uma realidade de mais de 200.000 pessoas que vivem nos campos de refugiados do Sahara Ocidental? Poderá o mundo fechar os olhos à notícia inquietante da greve de fome de 17 dias de Aminatu Haidar? Um povo que só quer ter direito a uma vida normal.
R.P.














