
Fotografia de Ana Pereira
Texto de Ricardo Paulouro
A ACE/Teatro do Bolhão apresenta a peça “Otelo” de Shakespeare, com encenação do conceituado encenador Kuniaki Ida, japonês que tirou o curso na Universidade de Teatro e Arte em Tóquio e fundou e dirigiu a Escola Internacional de Teatro Kuniaki Ida, em Milão. A representação da famosa peça de Shakespeare conta com um elenco que inclui nomes como António Capelo (Director do ACE), António Júlio, Carlos Peixoto, João Paulo Costa, José Moreira, Pedro Fiuza (um regresso aos palcos muito aguardado), Rita Lello, João Melo, entre outros. A peça conta a história de Otelo, o mouro de Veneza, que se assemelha à de Romeu e Julieta, devido ao amor cego e trágico entre o protagonista e Desdémona. Otelo foi induzido em erro por Iago, que pela sua sede de poder fez com que acreditasse que Cássio (um soldado de Otelo intermediário entre as suas relações com Desdêmona e que foi promovido a tenente no lugar de Iago) estaria a ter um caso com a sua esposa. Na história, Otelo asfixia Desdémona pouco tempo antes de saber que, na verdade, tudo não passou de um plano maquiavélico de Iago para ficar com o posto de Cássio. A produção está a cargo de Pedro Aparício e Glória Cheio e pode ser vista até dia 20 de Dezembro, às 21h30, no ACE/Teatro do Bolhão.
Um teatro para o Porto
Fundado em 2003 por um grupo de doze profissionais de várias áreas da criação e produção teatral associados à Academia Contemporânea do Espectáculo (ACE), o Teatro do Bolhão tem, nos últimos anos, procurado, com sucesso, implantar-se no tecido cultural do Porto. O êxito explica-se, dado o repertório acima de suspeita: para além dos clássicos, o grupo tem ainda levado à cena textos contemporâneos de pendor realista (como a peça “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?”, de Edward Albee, “Começar a Acabar”, de Beckett, entre muitas outras produções. E dada a sua estreita ligação à ACE, é-lhe relativamente fácil integrar, nos seus projectos, jovens profissionais que renovam os seus quadros artísticos e técnicos. Mas para a implantação do Teatro do Bolhão tem também sido fundamental o programa de itinerância da companhia, que circula sistematicamente por cerca de quinze teatros municipais.
Porque é impossível não gostar de Shakespeare
Pouco ficou documentado sobre a vida de Shakespeare mas, a julgar pelo seu registo de baptismo, acredita-se que terá nascido em 1564, no seio de uma família de comerciantes. Apesar de não ter chegado a ir à Universidade, frequentou a escola. Em 1582, com apenas 18 anos, casou-se com Anne Hathaway, oito anos mais velha, e desse casamento nasceram três filhos: Susanna (1582) e os gémeos Judith e Hamnet (1586). Hamnet morreu em 1587, sem que hoje se conheçam as causas. Entre 1586 e 1592, a vida de Shakespeare passou por um período menos claro. É muito possível que tenha deixado a terra natal, Stratford-upon-Avon, e a família, para se juntar a uma trupe de actores em digressão, embora haja quem defenda que, durante esse tempo, tenha trabalhado como preceptor ou mestre-escola. Certo é que, em 1592, já era conhecido nos teatros londrinos, como autor. A profissão teatral era, de resto, emergente na altura e havia procura de autores que escrevessem para a cena. Shakespeare vendia os seus escritos e era tão bem sucedido que, em 1594, tornou-se sócio da companhia de Lord Chamberlain’s Men, que tinha por mecenas Henry Wriothesley. Em 1594, já Shakespeare tinha escrito as comédias “The Comedy of Errors”, “The Two Gentlemen from Verona” e “The Taming of the Shrew”; e as tragédias “Titus Andronicus” e “Richard III”. Dividindo-se entre os palcos e a pena – para além de escrever, Shakespeare gostava também de representar – o autor assinará, a partir de 1594, uma média de duas peças por ano. Entre esse ano e 1598 escreveu “King John”, “Love’s Labour’s Lost”, “A Midsummer Night’s Dream”, “The Merchant of Venice”, “Romeo and Juliet”, “Richard II”, “Henry IV” e “Henry V”. Entretanto, o dinheiro ganho com a sua actividade era rapidamente investido: Shakespeare comprou uma casa imponente em Stratford, e investiu no negócio do malte. Em 1598, perante a ameaça de fecho do teatro (por parte do senhorio), a companhia mudou-se para a zona sul do rio Tamisa e aí construiu um novo teatro, baptizando-o como The Globe. E é aí que começa o período mais florescente da escrita de Shakespeare. Entre em 1599 e 1608, escreveu “Much Ado About Nothing”, “As You Like It”, “Twelfth Night”, “All’s Well That Ends Well”, “Troilus and Cressida”, “The Merry Wives of Windsor”. Escreveu, também, as grandes tragédias “Julius Caeser”, “Hamlet”, “Othello”, “Antony and Cleopatra”, “Coriolanus” e “Timon of Athens”. Neste período, a companhia adquiriu um novo estatuto: passaram a ser The King’s Men (os homens do rei). Shakespeare continuava a adquirir bens em Stratford, sobretudo terras, e a partir de 1608, já perseguido pela fama dos seus rivais mais jovens (os dramaturgos emergentes Beaumont e Fletcher), escreveu as suas últimas peças: “Péricles, Prince of Tyre, “Cymbeline”, “The Winter’s Tale”, “The Tempest”, “Henry VIII”, “The Two Noble Kinsmen” e “Cardenio” (hoje perdida). Em 1613, o Globe foi destruído pelo fogo e Shakespeare perdera o ascendente no panorama teatral londrino. É razoável supor que se terá retirado, passando os seus últimos anos em Stratford. Morreu em 1616.
Obras consultadas: Cambridge Guide to the Theatre, Cambridge University Press, 1995, Dictionnaire Encyclopédique du Théâtre, Bordas, 1995
Principais Obras
Comédias
O Mercador de Veneza
Sonho de uma Noite de Verão
A Comédia dos Erros
Os Dois Cavalheiros de Verona
Muito Barulho por Nada
Noite de Reis
Medida por Medida
Conto do Inverno
Cimbelino
A Megera Domada
A Tempestade
Como Quiseres
Tudo está bem quando termina bem
As Alegres Comadres de Windsor
Trabalhos de Amor Perdidos
Péricles
Tragédias
Tito Andrónico
Romeu e Julieta
Júlio César
Macbeth
António e Cleópatra
Coriolano
Timão de Atenas
Rei Lear
Otelo, o Mouro de Veneza
Hamlet
Tróilo e Créssida
A Tempestade
Dramas Históricos
Rei João
Ricardo II
Ricardo III
Henrique IV, Parte 1
Henrique IV, Parte 2
Henrique V
Henrique VI, Parte 1
Henrique VI, Parte 2
Henrique VI, Parte 3
Henrique VIII
Eduardo III














Olá tenho que apresentar uma peça sobre otelo mouro e estou tento bastantes dificuldades para montar a sonoplastia e o figurino se puder me ajudar eu agradeço muito obrigado