Texto de Rui Pelejão
Eu tenho muitos amigos no PS, e no facebook também
“O número dos nossos inimigos varia na proporção do crescimento da nossa importância. Acontece o mesmo com o número dos amigos.” Paul Valéry Agora com o texto que misteriosamente continua a não aparecer, será vírus, será gente? Ou é a ERC que anda por aí a sabotar este pobre cristão?
Ter amigos é importante, ter amigos importantes ainda é mais.
Os portugueses, mesmo os mais circunspectos, fazem gáudio em coleccionarem amigos. Basta ver no facebook onde qualquer polícia de giro tem mais amigos do que o Estrela da Amadora, sócios.
Somos todos uns compinchas, uns pelos outros. Podemos ser pobretanas, mas em amigos, uns Jerónimos Martins, uns mãos largas. Para os amigos, pá, tudo. Estão a ver estes sapatinhos novos, foi o Florêncio que mos deu, que lhe apertavam os calos. Eu cá dou a camisa por um amigo, sobretudo se for da Zara e já tiver as golas carcomidas.
A amizade é uma mercadoria valiosa que se trafica por aí, e já se sabe, com espírito interesseiro, que é aquele que melhor sustenta as longas amizades. Troca de favores, lisonjas e conveniências, este é o segredo para uma amizade duradoura no nosso país.
Não há coisa melhor do que ter muitos amigos e gajos importantes, que abram portas, que conheçam alguém que abra portas, que resolvam um problema, que dêem um jeitinho para a nossa tia velha entrar no lar da Misericórdia antes das tias velhas dos outros.
Um gajo com sorte e bem na vida, tem um amigalhaço médico para as aflições, outro bófia para as multas de trânsito, um advogado para as corruptelas, um amigo nas finanças para explicar umas coisinhas, um amigo no banco, outro numa agência de viagens para umas promoçõezinhas e um nos jornais para contar umas merdas que mais ninguém sabe, ou arranjar bilhetes para o concerto do Júlio Iglésias na Tapadinha.
Os bilhetes à borla, os passes VIP e os livres-trânsito são aliás um vício nacional, um termómetro da nossa importância social. Um gajo que arranja bilhetes para a segunda jornada do campeonato português de canicultura em Almeirim ou para os Globos de Ouro da SIC é um gajo importante, a quem convém ligar nos anos e oferecer uma Quinta da Bacalhoa no Natal.
Afinal os amigos, aqueles que nos desenrascam merdas e nos facilitam a vidinha, são para estimar.
Ter amigos é importante, mas ter amigos no Governo, pá, isso é ter a vida feita. Não sei se é possível arranjar um amigo no Governo no “chat” dos amiguinhos.pt ou no twitter; talvez seja mais fácil um gajo alistar-se no PS e esperar pela sua vez na gamela.
Mas assim que um gajo conhece um carola no Governo tem a vida feita, olá se tem. Então se tiver a sorte de ter apertado a mão ao Sócrates num comício; pronto, já está, é a sorte grande e a terminação. A partir daí, basta invocar o nome do Senhor e ver as portas a abrirem-se como num “saloon” e os salamaleques e as colunas a vergarem-se de pavor e respeito.
– Desculpe, deixe-me lá passar na fila para o pão que sou amigo do Sócrates e tenho pressa.
– Não me deixa entrar no Lux porque estou bêbado? Mas sabe com quem é que estive a beber copos, Eng. José Sócrates, diz-lhe alguma coisa?
- Então, senhor provedor sempre se arranja lá uma cama para a minha tia velha, é que ainda ontem estive a beber bejecas e comer tremoços com o Sócrates e estivemos precisamente a falar de cuidados continuados.
Só há uma coisa melhor do que ter apertado a mão ou ter andado na secundária com o Sócrates – é ter passado o Natal com ele.
Um gajo não imagina o mundo de possibilidades que se abre quando se pode dizer que se passou o Natal com o nosso primeiro-ministro. Ou como é que imaginam que o primo do Sócrates entrou para o Mosteiro de Shaolin para aprender kung-fu?
Foi esta manha que escapou na manchete do “Expresso”, o que não é de estranhar, afinal o “Expresso” vende-se dentro de um saco e não precisa de se ralar muito com o que lá escreve; que a malta que tem amigos e conhecimentos compra na mesma.
Obviamente que anda tanta gente a invocar o nome do Sócrates sem ele saber, que tenho a certeza que o nosso estimável timoneiro não se vai acabrunhar se eu também tiver de pedir uma cunha ou um favorzinho invocando o seu nome, afinal vi-o uma vez a beber uma bica no Café da Avenida do Fundão, e isso quase faz de nós íntimos, uns amigalhaços, não faz senhor engenheiro?
É que queria pressionar uma juíza amiga minha a ir jantar comigo ao Bica do Sapato e para a impressionar dava jeito a melhor mesa.
Há muita gente com “friends in high places”, enquanto eu só tenho “friends in low places”; eles nunca me pedem nada e eu quando muito só lhes peço 20 euros emprestados para bebermos uns copos juntos. Com amigos destes não vou longe, mas vou muito melhor acompanhado.















Amigo Pelejão,
Os meus parabens por esta definição de amizade!!!!
Tb quero beber um cafe no cine perto do Eng.!!!!
Se conseguir ser amigo dele primeiro depois eu faço um forcing para ele ser teu tb!!!
Se for preciso os 20 euros para os copos ru tenho aqui!!!
Abraço