
O The Portfolio Project desta semana é dedicado a um tema quase etnográfico: encontrar, na cidade de Lisboa, os elos perdidos na nossa história comercial de usos, costumes e tradições. As Mãos do comércio lisboeta remetem-nos para memórias de outros tempos. Para além da função documental, a fotografia está também revestida de um valor emotivo que a torna um dos mais preciosos arquivos de vivências e memórias. Assim é a fotografia de João Cláudio Fernandes. Nestas imagens reconhecemos o velho comércio de Lisboa, sapateiros, alfarrabistas, entre outras profissões. Ofícios cada vez mais raros. É com a luz que João Cláudio Fernandes alimenta essa necessidade de fixar as coisas, melhor, de as arquivar em modo quase diarístico. João Cláudio Fernandes capta os instantes da vida de Lisboa, como se rodasse um filme. Texto| Ricardo Paulouro
Fotografia de João Cláudio Fernandes | Edição de Susana Paiva
“Antigos ofícios na Lisboa do século XXI” Texto | João Cláudio Fernandes
“Antigos ofícios na Lisboa do século XXI”
Lisboa. Cidade marcada por inúmeras culturas e povos. Nela nasceram homens simples e de cultura, ciência, política e até santos. Em cada tempo deixaram uma marca. E a baixa lisboeta é um destes locais que espelha esta actividade humana. Nela labutaram e viveram correeiros, sapateiros, douradores e fanqueiros. Hoje esta zona vive dois ritmos. O dia que enche a baixa de turistas, de pessoas que trabalham no pequeno comércio ou escritórios e dos que a atravessam para ir para a outra margem. E a noite que traz a solidão, adormecendo a cidade e esvaziando os espaços.
A evolução tecnológica abriu portas para o nascimento de novos ofícios e novos conhecimentos e relegou para segundo plano profissões que faziam parte natural da nossa existência. Agora, estas mesmas profissões, quase apagadas das nossas memórias, são apenas recordadas de tempos a tempos.
“Antigos ofícios na Lisboa do século XXI” nasceu da vontade de confrontar a pós-modernidade da era global com a vida quotidiana de alguns antigos ofícios escondidos aos olhos de muitas pessoas. Numa altura em que tudo passa pela Internet e pelas tecnologias móveis, em que tudo está ao alcance de um click, esses antigos ofícios do mundo real parecem incontactáveis, esquecidos. É que a vida, a cultura e as dinâmicas subjacentes a estes ofícios não se encontram facilmente no cibermundo informático.
Assim, numa perspectiva documental e fotojornalística procurei captar em imagem e captar na lembrança 5 ofícios que ainda fazem parte do dia-à-dia desta cidade: a Conserveira, a Alfarrabista, o Sapateiro, a Retroseira, o Amolador. Em cada uma destas situações são apresentadas 4 fotos com pontos comuns e a especificidade de cada ofício.
A reportagem abre-nos portas para uma viagem no tempo e no espaço, na Lisboa do século XXI, onde ainda é possível viver e conviver com o passado, a cultura e a história desta cidade.
João Cláudio Fernandes















A astmosfera íntima destes locais contrasta com a frieza das grandes superfícies, o contacto com a pessoa que se encontra ao balcão contrasta com a impessoalidade das compras online.
É realmente uma pena estarem quase em extinção, é como uma identidade cultural que extingue.
Parabéns ao fotógrafo, mostrou estas pessoas e os seus ofícios de uma forma genuína.
E é por isso que os mais novos pensam que os bifes são nados e criados nas prateleiras dos frigoríficos e que toda a gente precisa de (re)ler “A Tabacaria”… Parabéns por esta visita ao passado (presente)!
Mais um magnífico trabalho que relata a vida das pessoas. Desta vez resolveste dedicar-te, e muito bem, à nossa linda cidade.
PARABÉNS!! Estas fotos levam-me à minha infância, pois ainda tenho memoria de ver muitos destes ofícios na Baixa.