
A retrospectiva em exibição na LX Factory reúne trabalhos dos últimos 50 anos Fotografias de Ana Carvalho
A Ler Devagar da LX Factory mostra, entre hoje e 5 Dezembro, uma retrospectiva da carreira de Vasco (de Castro), mais conhecido pelos cartoons publicados na imprensa. Mas a obra de Vasco (1935, Vila Real) estende-se ainda à pintura a óleo, também exposta. Vasco Castro viveu em Paris nos anos 60 e no livro Até ao esgotamento das horas” conta algumas experiências “que fazer quando se tem vinte anos, se está em Paris, de excelente saúde e encantado da vida? Vivez! Ah! Vivez donc! Et qu’importe la suite!, proclamava Blaise Cendrars na sua fúria de viver dos anos 20″. Vasco Castro é um dos melhores desenhadores que retratou Maio de 68 e, esses anos, com um grande humor e irreverência. Texto de Ricardo Paulouro Fotografias de Ana Carvalho
Vasco Castro nasceu em Trás-os-Montes e sente-se ” um ultra- Transmonto” confessa o próprio. Na polÃtica Vasco é oposionista ao Estado Novo .
ExercÃcio polÃtico “foi aquele embate com o reitor fascista. Aliás, nazi. E aà tive a consciência que era um embate contra o poder. Contra o poder fascista. E depois quando vim para Lisboa, claro, continuei. Tive também actividade com alguma dinâmica nas sessões académicas de direito. Até inovei um bocadinho, porque tomei conta da secção cultural, onde estive durante dois anos seguidos. Fiz lá pela primeira vez exposições de pintura. Uma delas a desse grupo que agora foi tirado do esquecimento, o KWY, que eu conhecia muito bem. (Quando vim para cá tentei encontrar pessoas com quem me sentisse bem e desaguei rapidamente no Café Gelo. Já ouviram falar no Grupo do Café Gelo, o segundo fôlego do grupo surrealista? Bem, não era exactamente o grupo surrealista como era na primeira fase… O António Maria Lisboa já tinha morrido e quem lá estava como figura tutelar, de referência, era o Mário Cesariny.) Foi a segunda exposição que eles fizeram como grupo. Bom, ainda antes de se chamarem KWY, já que isso foi só em Paris. Na altura chamavam-se Nove Pintores” conta num dos seus livros. Os bonecos destes tempo vão ser hoje revesitados por Vasco Castro que inaugura uma exposição retrospectiva de cinquenta anos de desenhos e óleos.














