
Guerrilheiro da Frente Polisario no Sahara Ocidental - © Paulo Nunes dos Santos/A23
Um consórcio liderado por 12 empresas alemãs anunciou ontem em Munique o Desertec Industrial Initiative, um gigantesco projecto solar no deserto do Sahara, que tem como objectivo satisfazer 15% das necessidades de energia da Europa em 2050 e criar uma alternativa renovável à dependência da Europa do gás natural fornecido pela Rússia.
Uma vasta rede de centrais solares no deserto do Sara vai estender-se ao Norte de África e Médio Oriente e o consórcio – a que pertencem empresas como a Siemens, o Deutsche Bank, a RWE e a E.On – espera começar a fornecer electricidade à Europa já em 2015.
Está previsto um financiamento inicial da UE da ordem dos mil milhões de euros, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão, mas o investimento global no projecto envolve cerca de 267 mil milhões de euros. A primeira etapa do projecto será a construção de um complexo de grandes centrais no Norte de África com a tecnologia de energia solar de concentração (CSP ou concentrated solar power), que utiliza centenas de espelhos parabólicos para focar os raios solares em contentores de água. O calor transforma a água em vapor, que põe turbinas em movimento a gerar electricidade 24 horas por dia.
O potencial de produção de electricidade do Sahara é enorme. Os cientistas dizem que se apenas 3% da superfície deste deserto fosse coberta por centrais de energia solar, seria gerada electricidade suficiente para satisfazer as necessidades de consumo de todo o Mundo.
Segundo o Centro Aeroespacial Alemão, dentro de 40 anos as centrais a instalar no âmbito deste projecto poderiam produzir mais de metade das necessidades em electricidade da Europa, Norte de África e Médio Oriente. Mas está prevista também a construção de parques eólicos.

Paineis solares no patio do hospital de um campo de refugiados (Dajla) no sul da Argélia - © Paulo Nunes dos Santos/A23
O custo elevado da tecnologia e a insegurança de abastecimento são, no entanto, os maiores entraves ao desenvolvimento do projecto que, conta com o apoio explícito do governo alemão, do presidente francês, Nicholas Sarkozy, e do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.
Mas há críticos em relação à iniciativa que argumentam que, com o desenvolvimento tecnológico, será mais barato e mais eficiente gerar energia de forma descentralizada instalando directamente painéis solares nos telhados das casas dos europeus, do que recorrer a sistemas centralizados e distantes dos consumidores.
Com efeito, o transporte de electricidade do deserto do Sahara para a Europa implica a construção de uma nova rede de alta tensão que obrigará a investimentos muito avultados da parte do consórcio promotor da Desertec Industrial Initiative. E o preço actual da electricidade solar de origem térmica é uma das barreiras à produção em larga escala, porque é bastante mais cara que a electricidade gerada pelos combustíveis fósseis.
Por outro lado, o problema da segurança do abastecimento de energia à Europa não será resolvido, já que o Desertec e a nova rede de alta tensão vão atravessar países politicamente instáveis e o Velho Continente continuará dependente de países terceiros para as suas necessidades energéticas, tal como hoje acontece com o petróleo e o gás natural.
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era escusado colocarem fotos de acampamentos de refugiados (sitos no sul da argélia) visto que a frente polisário, e a rasd e os proprios saharauis não irão beneficiar em nada com este projecto que será implementado entre outras em 2 cidades do sahara ocidental ocupadas desde 1975 pelo Reino de Marrocos (Laayune e Bojador). No sahara ocupado os direitos humanos são diariamente espezinhados, a tortura, violação, humilhação são uma constante. Esta neste momento a circular uma carta aberta subscrita por 123 organizações portuguesas, promovida pelo CPPC, Amnistia Internacional, MDM, CGTP e Voz do Operário seria bom acederem ao site do CPC e se enteirarem desta situação. Marrocos irá mais uma vez usufruir daquilo que por direito é do povo saharaui em grave violação do direito internacional.
É incrível se preocuparem com investimentos de milhões e milhões de euros, quando há imensa gente refugiada a viver em condições miseráveis. Sem água potável. Sem as mínimas condições que o ser humano merece ter. São explorados e a liberdade de viver na sua própria terra não existe. Vêm o seu deserto transformado num imenso campo de batalha, onde as minas terrestres são uma das suas preocupações. Não preciso nomear a tortura e tudo aquilo a que estão privados, que é muito mais do que a simples violação de todos os direitos humanos. É vergonhoso que, os valores monetários e materiais se sobreponham sempre ao valores da vida destes seres humanos.
Nunca estive no sahara ocidental, mas a reportagem que vi, fez-me chorar e sentir um orgulho enorme neste povo. Que ao fim e ao cabo nada tem, e continua a lutar por aquilo que para outros não tem qualquer valor. A vida e a liberdade.
O mais vergonhoso deste “megaprojecto” é que os maiores entraves ao desenvolvimento do projecto são exactamente os custos elevados!!??…e não o facto de MAIS UMA VEZ o sahara e o seu povo ser usado, desta feita, para abastecer a Europa. Eu vi de perto o que este povo sofre e mesmo assim com tanto que as nossas organizações Portuguesas acima referidas têm feito não há ninguém que possa dizer basta? A indignação é muita.