
Existe, nos últimos romances de José Saramago, uma clara atracção pelos temas históricos. Desde os tribunais da Inquisição, passando pela construção do Convento de Mafra, o Nobel da Literatura regressa aqui a um dos dilemas que mais parece atormentar Saramago e, ao que parece, grande parte da critica: a fronteira entre o sagrado e o profano. Caim é a visão de Saramgo de um dos episódios bíblicos mais emblemáticos: em suma, Deus é considerado o autor moral do assassinato de Abel. Filho primogénito de Adão e Eva segundo o Antigo Testamento da Bíblia, Caim sentiu ciúmes por Deus ter preferido as ofertas feitas pelo irmão mais novo, Abel, e matou-o, cometendo o primeiro homicídio na história da Humanidade. Pilar del Rio já afirmou que, apesar do tema, este “não é um tratado de teologia, nem um ensaio, nem um ajuste de contas: é uma ficção em que Saramago põe à prova a sua capacidade narrativa ao contar, no seu peculiar estilo, uma história de que todos conhecemos a música e alguns fragmentos da letra”.
Relembre-se que, em 1991, O Evangelho Segundo Jesus Cristo causou acesa polémica em Portugal e viria a ser vetado pelo governo à época para concorrer ao Prémio Europeu de Literatura, iniciativa que pesou na decisão do escritor para abandonar o país e passar a residir em Lanzarote, Espanha.
Aos 86 anos, José Saramago edita agora um livro que parte de uma reflexão pessoal sobre Deus, mas também sobre a própria Humanidade. Caim estará à venda nas livrarias em Portugal, Espanha e América Latina.














