7-12-2008 | Cultura: Teatro
Texto de Margarida Gil dos Reis
O Teatro do Vestido apresenta “Ilhas”, uma dramaturgia original, como, aliás, é habitual desde a fundação desta estrutura de teatro. Gonçalo Alegria, Joana Craveiro, Simon Frankel e Tânia Guerreiro são os autores e intérpretes de cinco histórias que falam sobre o ficar e o ser-se só e isolado.
A desenvolver há cinco anos uma actividade criativa regular, com um estilo que lhe é muito próprio, em parte incutido por Joana Craveiro, docente em duas Escolas Superiores de Teatro da disciplina de Interpretação, o Teatro do Vestido privilegia, sobretudo, a formação no trabalho do actor.
“Ilhas” é, por isso, um projecto que resulta do cruzamento de ideias, temas, autores e referências de quatro criadores que constroem a sua própria dramaturgia pessoal: Gonçalo Alegria, Joana Craveiro, Simon Frankel e Tânia Guerreiro. Cinco capítulos, ou fragmentos, que desafiam o espectador a encontrar (ou não) uma unidade como se abrissemos um Livro que, pouco a pouco, nos revelasse novas aventuras.
No entanto, são os próprios criativos que avisam: “Não vás já pensar em viagens, como até agora, deixa-te disso. Vamos usar este nome, este tema, para falarmos sobre o ficar. E sobre o ser-se isolado. Está bem, e como é que isso se faz? E se eu fosse para um sítio e me fechasse lá? Pensei que não querias viajar. Não estás a entender, um sítio na nossa cidade, mas um sítio inesperado. Está bem. E quando partes? Em breve”.
Se é certo que cada chegada tem em si iminente a partida, este trabalho colectivo explora dramaturgias diferentes mas também o encontro que pode existir entre elas.
E a relação do corpo com o espaço será central na forma como, pouco a pouco, cada actor constrói o seu próprio mapa e afirma a sua individualidade: “Ainda não metemos o barco na água, por isso não sabemos para onde nos levarão estas águas, mas que nos levam, levam”. Para o espectador há sempre uma pergunta formulada: o que é, afinal, esta ilha de que se fala? Porquê ir viver para uma ilha? O que será mais difícil: partir ou ficar?
Para ver de 10 a 13 e de 17 a 21 de Dezembro, às 21:30, no Estúdio Bomba Suícida.
Preço dos bilhetes: 5€ (público em geral) e descontos para estudantes de teatro.













