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Duas propostas de teatro: “Sétimo Céu” e “Os Maias”

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9-02-2009 | Cultura: Teatro

Texto de Ana Maria Ribeiro

Duas propostas de teatro nos antípodas uma da outra: no Monte Estoril, em Cascais, Fernanda Lapa apresenta, até dia 22, no Teatro Mirita Casimiro, o extraordinário ‘Sétimo Céu’, um trabalho feito a pensar em quem aprecia espectáculos fora do comum, que revelem visões diferentes do Mundo. No Teatro da Trindade, Lisboa, e até 26 de Abril, Rui Mendes assina a versão cénica de ‘Os Maias’, um espectáculo que revisita o clássico queirosiano e que, sem qualquer pretensão a inovar, se torna um espectáculo previsível.

Os Maias”

“Sétimo Céu” ou a eterna busca pela felicidade

A dramaturga britânica Caryl Churchill escreveu “Sétimo Céu” em 1979, e Fernanda Lapa decidiu levá-la à cena agora, mais de dez anos depois de a ter apresentado, em estreia nacional, no Teatro Villaret (1997). O texto, um retrato doloroso mas nem por isso menos verdadeiro da crueldade exercida por uma sociedade patriarcal sobre mulheres, animais e povos colonizados, mostra-nos até que ponto são tirânicos e redutores os papéis tradicionalmente atribuídos a ambos os sexos. A acção arranca em plena época vitoriana, altura em que, mais do que nunca na História de Inglaterra, dominou a hipocrisia.

No texto, Churchill diverte-se a inverter, com inteligência e humor, os papéis de homens e mulheres, colocando homens a fazer de mulheres e mulheres a fazer de homens. Ficam assim sublinhados os traços caricaturais dos comportamentos de ambos – para deleite do espectador.

No segundo acto, reencontramos as personagens no século XX, no final da década de 70, quando se ensaiam outro tipo de estrutura familiar e se procuram novas formas de encontrar a felicidade. Mulheres dormem com mulheres, homens com homens, admitindo-se também os triângulos amorosos e outras formas de prática sexual (a solitária, nomeadamente).

Na sua encenação, Fernanda Lapa tornou a peça numa experiência cénica fluida, sublinhou o lado humorístico do texto e permitiu aos actores a criação de personagens de antologia, sobretudo João Grosso, Sérgio Praia e a própria Fernanda Lapa.

Informações úteis:

Texto: Caryl Churchill

Dramaturgia e encenação: Fernanda Lapa

Cenografia: Ana Vaz

Música original: João Lucas

Interpretação: João Grosso, Fernanda Lapa, Luís Gaspar, Marta Lapa, Amadeus Neves, Sofia Nicholson, Sérgio Praia

Em cena: Teatro Municipal Mirita Casimiro – Monte Estoril

Carreira: de 4ª a sábado às 21h30, domingos às 16h00

Reservas: 21 467 03 20

Maiores de 16

Rever Eça em “Os Maias”, no Trindade

Cento e vinte anos depois da publicação de ‘Os Maias’, António Torrado decidiu reescrever o drama dos irmãos que se apaixonam um pelo outro ao ponto de cometer um crime que tem um nome. Incesto. Do texto original, o autor reteve apenas os acontecimentos principais que nos contam a história de amor escandalosa, e alguns momentos que, não sendo estritamente necessários para o avanço da acção e o desenlace da intriga, servem para contextualizar o espectador num século XIX a fervilhar de ideias e são um bom exemplo do melhor humor queirosiano.

O elenco está recheado de nomes conhecidos do público, até porque a expectativa é a de que este se torne um grande sucesso de bilheteira: ao nome do escritor que inspirou a produção (o sempre “vendável” Eça de Queirós), junta-se o dos protagonistas, os televisivos José Fidalgo e Sofia Duarte Silva, mas também o de outras figuras populares do pequeno ecrã, como sejam Luís Mascarenhas ou Pedro Górgia.

Para assegurar a encenação, foi buscar-se Rui Mendes, que assina um trabalho escorreito, ao qual se assiste do princípio ao fim com algum prazer mas nenhuma surpresa. Para não ser demasiado longo – o espectáculo dura apenas duas horas – António Torrado foi extremamente conciso na sua adaptação, a ponto de dar pouco espaço a cada actor para brilhar. Ainda assim, José Fidalgo é um Carlos da Maia suficiente e Sofia Duarte Silva é uma Maria Eduarda credível e comovente.

A Pedro Górgia e, sobretudo a José Airosa, porém, cabem os melhores papéis – os cómicos. Os sorrisos – ou mesmo o riso que este espectáculo pode proporcionar – é assegurado pelos dois actores, respectivamente na pele de Dâmaso Salcede e João da Ega.

Informações úteis:

Texto: António Torrado
Encenação: Rui Mendes
Cenografia e figurinos: Ana Paula Rocha
Direcção musical: Afonso Malão
Interpretação: Afonso Malão, Augusto Portela, Igor Sampaio, João Didelet, José Airosa, José Fidalgo, Luis Alberto, Luis Mascarenhas, Mário Jacques, Pedro Górgia, Rogério Vieira e Sofia Duarte Silva.

Em cena: Sala Principal no Teatro da Trindade

Carreira: de 4ª a sábado às 21h30 e domingo às 16h00

Reservas: 21 342 00 00

Até 26 de Abril
Para maiores de 12

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