31-01-2009 | Cultura: Livros
Texto de Margarida Gil dos Reis
Editado pela Tinta da China, “A Invenção do Cinema Português”, de Tiago Baptista, é uma excelente sugestão de leitura para quem quer compreender a evolução operada no cinema em Portugal. Por detrás das várias fotografias e sinopses de filmes, destaca-se uma reflexão sobre a dita cinematografia nacional que, de forma provocatória, começa com uma negação de uma famosa afirmação de Bénard da Costa: “O cinema português nunca existiu”, título da monografia publicada em 1996 (edições CTT) e tese por ele explorada no documentário de Manuel Mozos, “Cinema Português?” (1997).
Para Tiago Baptista, essa é justamente a tese desde livro, que acaba por ser uma rigorosa história do cinema em Portugal, que nos indica uma bibliografia composta sobretudo por artigos dispersos em livros ou em revistas.
A partir de uma selecção de meia centena de filmes, desde “Saída do Pessoal da Camisaria Confiança” (1896), de Aurélio Paz dos Reis, a “Aquele Querido Mês de Agosto” (2008), filme de Miguel Gomes, Tiago Baptista mostra-nos como o debate sobre esta temática é uma obsessão antiga que acabou por ser alvo de uma construção da própria ideia do cinema em Portugal.
A construção dessa ‘portugalidade’ é demonstrada através da reprodução de cartazes dos anos 30 e 40, incluídos no livro, tendo sido o último filme a publicitar-se como “português” “Os Verdes Anos” (1963). Para o autor, apesar de nos anos 60 ter existido uma ruptura relativamente ao cinema da década de 50, o esforço por representar uma ideia de Portugal mantém-se. Existe, por isso, neste livro a necessidade de demonstrar uma continuidade cronológica e um dinâmica que convergiam no objectivo de criar uma cinematografia nacional.
Tiago Batista (2008), A Invenção do Cinema Português. Lisboa: Tinta da China. 231 pp.














