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solar-desertCom a perna levantada à altura do pescoço, sem cueca, a cara desencaixada e uma bela de uma camada de cera quente pegada à virilha, assim passo eu uma manhã qualquer de sábado: a sofrer os horrores da depilação. E enquanto a depiladora psicopata me arranca com uma urgência marcial os pêlos de sítios inimagináveis do meu massacrado corpo, não deixo de pensar que por muito boa qualidade que tenham os nossos machos, nunca serão capazes de se submeter aos mesmos sacrifícios que nós, ou pelo menos a sacrifícios tão dolorosos. Não há comparação possível, amigas, às imolações a que nos entregamos (e não precisamente grátis), sabe-se lá porquê, sejamos sinceras. Arrancar pilosidades, andar sobre sapatos de saltos assassinos imaginados por supostos génios da moda cuja ideia de beleza feminina passa imediatamente pelo sofrimento, a impossibilidade de movimento, o desconforto e os calos, enfiar-nos numas calças que de tão justas estariam proibidas pela OMS e a ASAE se tivessem tempo e técnicos suficientes para analisar as consequências da quantidade de celulite que provocam, horas de madeixas, manicure, pedicure e calistas, sessões de limpeza de pele, mais o pilates, massagens linfáticas e qualquer fórmula de emagrecimento instantânea caríssima e automaticamente inútil. E se amanhã inventassem outro método de tortura, lá estaríamos nós, dispostas e felizes para sofrer todas as barbaridades possíveis, não duvidem, enquanto nos convencemos que eles estão bem como estão, com a sua barriga e a sua mais que incipiente calvície, porque homem que é homem não usa creme nem faz dieta, quanto menos arranja os pés ou faz tratamentos capilares. Assim somos as gajas, umas mártires por convicção. E antes que as feministas me arrasem a caixa de comentários com mensagens optimistas sobre a suposta beleza interior ou sobre o machista que é o meu texto, rogo-vos um exame de consciência: nós sabemos que somos bonitas,

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THE PORTFOLIO PROJECT

Plataforma educativa na área da fotografia, coordenada por Susana Paiva, que funciona como um espaço de partilha e crescimento individual na área da fotografia. Articulando dois interfaces absolutamente autónomos, o Portfolio Project constitui-se com um espaço singular no panorama da fotografia portuguesa, reunindo numa mesma plataforma online três conceitos base – a de uma publicação sobre fotografia, a de um espaço de formação contínua à distância orientado por profissionais e a de um portal associativo onde se divulgam fotografias desenvolvidas no âmbito de projectos individuais ou colectivos.

SUBMISSÕES TPP

Aberto à candidatura espontânea de todos os fotógrafos amadores ou profissionais que queiram participar nos seus projectos ou actividades colectivas, o TPP encontra-se também disponível para a apreciação crítica de portfolios de fotógrafos que desejem publicar o seu trabalho na secção "multimédia" da A.23ONLINE. Para mais informações sobre a adesão à plataforma THE PORTFOLIO PROJECT ou sobre as normas de submissão de trabalhos para publicação por favor contactar através do email: a23@theportfolioproject.org. Para mais informações consulte: www.theportfolioproject.org

PRÓXIMO TPP | José Carlos Marques

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