Teve a sua primeira edição em 2007, pela Oficina do Livro, mas só agora o descobri. Viagens Sentimentais, de Tiago Salazar, é um livro de viagens escritas com o coração ou, como o próprio as define no subtítulo do livro, “travessias com o coração lá dentro”.
Pablo Neruda, Javier Moro e Laurence Stern, a quem, aliás, se deve o título deste livro, são os autores das três epígrafes que servem de inspiração às cerca de 300 páginas repletas de histórias e aventuras contadas com um humor refinado. E não é difícil, ao longo do livro, encontrarmos referências e citações a um sem número de criadores. Em Viagens Sentimentais, encontra-se de tudo um pouco: viagens de longo curso, como à Ásia (Pequim, Mongólia, China, Nepal, Goa, Sri Lanka…), a África (Cabo Verde, Moçambique ou Quénia, entre outras), à América (Brasil, EUA, Honduras e Caraíbas) ou à Europa (Espanha, Alemanha, Escócia, Grécia, Holanda, Itália).
O livro nasceu de dois anos de trabalho para a revista de viagens Blue Travel, da qual posteriormente se desligou, mas Tiago Salazar consegue passar uma sensibilidade muito para além do trabalho de jornalista – a do viajante, o coleccionador de momentos que nos desperta a vontade de o acompanhar e de ler apressadamente cada página escrita. Aqui, há de tudo um pouco, desde o corropio das ruas, os costumes das terras, a adaptação do viajante, os locais mais escondidos de cada cidade, os cheiros a alecrim na Holanda, o frappé (refresco de café) gelado da Grécia ou os campos verdíssimos da Escócia. Ou a simples sensação de nadar na água morna das Honduras por entre raias, golfinhos e tartarugas.
Depois de ler, compulsivamente, em poucas horas o livro de Tiago Salazar, encontrei nele duas viagens: a viagem física e a viagem intelectual; a viagem pelo simples prazer da descoberta; a ténue fronteira entre o real e a ficção que faz com que, na capa do livro, encontremos quatro retratos de pessoas, entre os quais, qual personagem do seu próprio livro, o próprio Tiago Salazar.
Mais do que um livro para ler em férias, este é um livro para nos acompanhar, pela forma como desperta a nossa alma de viajantes. Acredite-se ou não, este foi o primeiro livro de Tiago Salazar que se assume como repórter de viagens e colaborador, até à data, de vários orgãos de comunicação social.














