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Geórgia: o conflito que abalou o cáucaso

Texto e fotografia de Paulo Nunes dos Santos

Precisamente há um ano atrás, o Presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, lançou uma operação militar contra as províncias separatistas da Ossétia do Sul e Abcásia. Uma decisão que viria a abalar o Cáucaso. A Rússia entendeu esta decisão como uma provocação e de imediato iniciou uma intervenção militar de grande escala contra território da Geórgia, a pretexto de defender a segurança dos seus cidadãos na Ossétia do Sul. Este conflito, que viria a durar cinco dias, causou centenas de mortes entre civis e militares e forçou milhares a abandonarem as suas casas em busca de um lugar seguro.

Cratera provocada por uma bomba lançada pela força aérea russa no centro de Gori. Dois jornalistas estrangeiros morreram vitimas dos rebentamentos neste mesmo local.


Um autocarro atravessa um 'checkpoint' estabelecido pelas tropas russas junto a uma vila na Ossétia do Sul.Um autocarro atravessa um checkpoit das tropas russas junto a uma vila da Ossétia dos Sul.

Um ano passou e as tensões entre Moscovo e Tiblisi permanecem inalteradas, com os dois governos recentemente a trocarem acusações provocatórias sobre as origens do conflito. O porta-voz do Comité de Investigação da Procuradoria da Rússia, Vladimir Markin, apresentou hoje a análise das provas dos crimes perpetrados pelas tropas georgianas na Ossétia do Sul, enquanto que o governo da Geórgia lançou um livro dedicado à guerra de Agosto de 2008 no Cáucaso e intitulado “Informe sobre a agressão de envergadura lançada pela Rússia contra a Geórgia”, no qual são lançadas fortes acusações contra Moscovo.

No entanto, a população georgiana, fortemente afectada pelo braço-de-ferro entre os dois países, tem agora demonstrado um forte descontentamento para com a decisão de Saakashvili, acusando-o de trazer instabilidade ao país e à região. Há um ano atrás, após o início do conflito, milhares de georgianos saíram para as ruas da capital Tbilisi para exigir a retirada das tropas russas das regiões separatistas e demonstrar o suporte para com o presidente. Hoje em dia o cenário alterou-se radicalmente. A maioria da população não se revê nas políticas de Saakashvili, e acusam-no de nada fazer para ajudar aqueles que mais foram afectados pela guerra. As promessas de apoio às vítimas de guerra feitas pelo governo nunca se concretizaram totalmente. Inicialmente foram oferecidas casas e dinheiro aos mais afectados, mas até agora os milhares de refugiados continuam a viver em habitações rudimentares e temporárias.

População nas ruas da capital Tbilisi em manifestação de apoio a Saakashvili, após o inicio do conflito.População nas ruas da capital Tbilisi em manifestação de apoio a Saakashvili, após o inicio do conflito.

Presidente Saakashvili e rodeado pelos meios de comunicação social internacionais, durante uma manifestação em Tbilisi.Presidente Saakashvili e rodeado pelos meios de comunicação social internacionais, durante uma manifestação em Tbilisi.

Zaza Bzishvili, um jovem de 26 anos trabalhador da função pública, proveniente Gori – terra natal de Estaline e povoação vizinha com a Ossétia do Sul, que foi fortemente bombardeada pelas tropas russas – em declarações à A23, afirma que “as pessoas estão cansadas desta situação”. “A população em geral esta descontente com a actuação do governo e a maioria odeia o Saakashvili”, acrescenta. Zaza explica ainda que “a razão pela qual os georgianos ainda não tiraram Saakashvili do poder, é pelo facto de não existir uma alternativa ao governo, e pelo apoio que ele tem recebido dos Estados Unidos da América (EUA) “. A recente visita de John Biden (vice-presidente dos EUA) “só veio reforçar a ideia de que Saakasvili tem apoio externo, e talvez por isso seja louco o suficiente para provocar a Russia”, acrescenta.

Questionado sobre a possibilidade dos dois países reiniciarem o conflito, Zaza conclui que, “as tensas relações com a Rússia ainda nos preocupam, mas acreditamos que não se voltará a fazer guerra. A Rússia só nos voltará a atacar se forem novamente provocados”.

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Casa destruida pelos bombardeamentos das tropas russas em Gori.


Uma vitima do conflito na cama do Hospital civil de Gori.Uma vitima do conflito na cama do Hospital civil de Gori.


Uma mulher de origem Ossétia numa loja nas imediações de Tshinvali, capital da Ossétia do Sul.Uma mulher de origem Ossétia numa loja nas imediações de Tshinvali, capital da Ossétia do Sul.

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