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ASAE: UM WESTERN PORTUGUÊS

1-Na semana em que se soube, através de um processo judicial, da possível inconstitucionalidade da ASAE, a A23 fez-se à estrada e foi à procura de tradições e locais que se mantêm por Portugal. O grande repórter Rui Pelejão foi à procura das tabernas que fecham os olhos, tolhidas pela modernidade plastificada.
A grande reportagem que publicamos esta semana e que enfrenta um dos temas mais marcantes da actualidade: a ASAE. Entre o Portugal profundo e a cidade cosmopolita, viaja-se pelas tascas e bares de Portugal, num movimento que tenta perceber o que já está enraizado e faz parte da nossa própria identidade. Milhares de processos, com uma média de sete denúncias diárias, de incumprimento à Lei do Tabaco. Padarias, restaurantes, armazéns de alimentos, cantinas e até lares de idosos fecharam as portas, pagaram avultadas multas ou viram os seus alimentos oferecidos pela população serem destruídos com litros de lixívia. As instituições de solidariedade falam em “excesso de zelo”, a ASAE continua a probir que estes aceitem alimentos dados pelas populações e a deitar fora toda a comida congelada em arcas normais. É certo que há, pela primeira vez, uma polícia de segurança alimentar e que existem regras de higiene que é preciso cumprir. Mas como podemos viver sem as bolas de berlim ou as colheres de pau? Como podemos não nos assustar com agentes fardados e em treino militar a fiscalizarem as feiras? Nem as marcas de luxo, como a Cartier, a Hermès ou a Louis Vitton escapam ao olhar da ASAE. Voltámos ao tempo da polícia como juiz e executante de pena, como é natural, um tribunal vem alertar para a possível inconstitucionalidade da ASAE, ainda bem. Um western bem português onde o polícia passa a vilão…

2-   A grande entrevista é dedicada a um dos melhores cantores e compositores da actualidade: Jorge Palma. Poucos sabem redescobrir a música, exibindo sentimentos, explorando emoções e cativando sempre mais gente. O seu último álbum é disso prova. “Com o sopro da manhã e o aroma / das frésias eu sonhava longamente”, assim o disse, com uma musicalidade tão sua, Eugénio de Andrade. Os dias correm longos e por cá tenta-se encontrar a sombra , clareiras da imaginação que nos obrigam sempre a estar atentos enquanto o inverno fica ancorado nos tempos do passado (e do tempo que há-de vir).

Ricardo Paulouro

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